Olivier Anquier leva culinária aos palcos
da Revista da Folha
| Maria do Carmo/Folha Imagem |
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| O padeiro francês Olivier Anquier prepara pão caseiro, em São Paulo |
O chef, padeiro e apresentador de TV Olivier Anquier, 48, nasceu em Montfermeil, na França. Há nove meses, tornou-se brasileiro. Há um mês e meio, estreou no teatro.
Revista da Folha - Como o padeiro se sente no palco?
Olivier Anquier - Sou sensível, tenho paixão por tudo. Gosto de coisas e de pessoas que têm histórias para contar. A experiência que tive no meu restaurante Malaïka, em Florianópolis, onde eu cozinhava no meio do salão, na frente dos clientes, foi parecida. Era um show de culinária. A idéia agora foi levar para o palco as minhas viagens, falar do Brasil, da comida, de pão. A platéia escolhe uma opção do menu e alguns espectadores me ajudam a fazer os pratos, degustados ao final da peça. É o mais gostoso da temporada!
Revista da Folha - Você se incomoda quando dizem que seu sucesso se deve à beleza?
Olivier - A beleza, a priori, não prejudica, mas ela não determina competência. O importante é a vontade de fazer as coisas com qualidade. Não peguei o caminho mais fácil. Tive de trabalhar muito. Comecei pelo pão, que não era produto nobre no Brasil. E não foi fácil, falavam que eu era louco. Fiquei vários meses só testando farinhas do país inteiro para ver qual era a melhor. Dava pão para os vizinhos para conhecer o gosto daqui e até cheguei a ouvir: "Que merda de pão é esse?"
Revista da Folha - Qual é o pão preferido do brasileiro?
Olivier - Em vez de bem torrado, como na França, aqui se gosta de pão mais clarinho. Os franceses adoram casca grossa e dura, o brasileiro prefere a crosta fina.
Revista da Folha - Se você tivesse de sair em busca de um bom pão na cidade, aonde iria?
Olivier - Diretamente na fonte, em uma das nossas padarias italianas, a São Domingos, no Bexiga.
Revista da Folha - Você fala com carinho da França. Por que decidiu se tornar brasileiro?
Olivier - Minha educação até os 20 anos foi muito dura. Passei minha vida em internatos, e minha família era problemática. Quando decidi sair de casa, não tive mesada nem apoio de ninguém. Vim para o Brasil apenas para trabalhar e me encantei tanto que voltei para ficar. Nesses anos, conheci muitos brasileiros. Foram mais de 400 histórias maravilhosas que estão no meu livro ("O Diário de Olivier"; ed. Melhoramentos; 160 págs.; R$ 49,90). Foi tão acolhedor.
Revista da Folha - Tem algo que odiou comer?
Olivier - Odiar não odiei nada, mas aconteceu um episódio simpático em Santa Catarina. Em um vilarejo austríaco, vi uma casa linda, que parecia um quadro. Bati na porta, e a senhora nos recebeu. A cozinha era enorme e, lá na ponta, vi uma coisa coberta com um pano. Era uma cuca (bolo típico) e já peguei um pedaço. Quando fui colocar na boca, percebi que estava embolorada. Para não estragar a história, tão legal, mordi o pedaço com menos bolor. De forma discreta, fiz desaparecer aquele pedaço de bolo.
"Olivier, Fusca e Fogão"
Aliança Francesa - R. Gen. Jardim, 182, Vila Buarque, São Paulo, SP, tel. 0/xx/11/3188-4141. Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 18h. 105 min. Livre. Até 1º/6. Ingr.: R$ 60.
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