Comida
02/05/2008 - 10h36

Atemóia reúne qualidades da pinha e da cherimóia

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RACHEL BOTELHO
Colaboração para a Folha de S. Paulo

Imagine uma fruta saborosa e doce como a pinha sem alguns de seus inconvenientes: pouca resistência a pragas, baixa durabilidade e muitas sementes. Essa fruta existe e foi obtida no início do século 20 a partir de cruzamentos realizados na Flórida (Estados Unidos), na África do Sul e em Israel entre a ata (como a pinha também é conhecida) e uma fruta andina chamada cherimóia.

Maria do Carmo/Folha Imagem
A salada de bifum com molho de atemóia (foto) é opção de prato nutritivo e pouco calórico
A salada de bifum com molho de atemóia (foto) é opção de prato nutritivo e pouco calórico

Batizada de atemóia, essa fruta "vem despertando interesse entre os produtores por apresentar características da cherimóia e da pinha, porém com qualidade superior, como vida pós-colheita mais longa e ausência de rachaduras", afirma a engenheira agrônoma Débora Costa Bastos, da Embrapa Semi-Árido (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Por se adaptar melhor às condições intermediárias entre a cherimóia (de clima subtropical) e a pinha (de clima tropical), o cultivo do híbrido está concentrado em determinados países onde predominam esses tipos de clima.

No Brasil, as primeiras plantações datam da década de 60, e a área cultivada atual é de mil hectares, com maior presença nas regiões Sudeste e Sul. Esse montante equivale a 1 milhão de caixas com três quilos da fruta cada uma. O Estado de São Paulo é o principal produtor, com 43,8% do volume comercializado, seguido por Minas Gerais, Paraná e Bahia.

Pertencente à família das anonáceas, a atemóia possui aspecto rústico devido à casca rugosa e pontiaguda, semelhante à da graviola. No interior, a polpa branca e macia envolve sementes longas e pretas. Quando madura, alcança até dois quilos, com grande variação entre os exemplares.

Segundo Débora Costa Bastos, a colheita costuma ocorrer entre abril e outubro, mas, com a utilização de técnicas e manejos culturais como poda e adubação, é possível produzir a atemóia durante todo o ano.
No mercado, o quilo da fruta custa entre R$ 5 e R$ 10, dependendo da época e da oferta.

Ainda de acordo com a pesquisadora, a atemóia possui alto teor de proteínas, açúcares, potássio e vitamina C. "Pode ser consumida in natura, além de ser usada como polpa, sorvete, suco, doce e compota", afirma Bastos. A salada abaixo mostra que é possível utilizar a fruta também em receitas salgadas --desde que as calorias que ela acrescenta ao prato (cerca de 108 para cada 100 g de atemóia) não assustem os comensais.

Salada de "bifun" com molho de atemóia

580 calorias por porção

Ingredientes
(para quatro pessoas)

200 g de "bifun" (macarrão de arroz)
4 colheres (sopa) de alga marinha em pedaços
4 colheres (sopa) de gergelim
200 g ou 1/2 peito de frango cozido e desfiado
2 colheres (sopa) de azeite

molho
1/2 atemóia (bem madura)
4 colheres (sopa) de azeite extravirgem toscano (ou outro azeite extravirgem)
suco de dois limões-sicilianos
sal e pimenta-do-reino

Passo a passo

1. Coloque a massa em água fervente por um minuto. Escorra e passe em água gelada. Reserve.

2. Em uma frigideira antiaderente, salteie o gergelim até ficar dourado.

3. Frite as algas no azeite e deixe escorrer.

4. Para o molho, tire a casca e as sementes da atemóia e bata-a no liquidificador com os demais ingredientes. Coe.

5. No prato de servir, disponha a massa, o molho, o peito de frango, o gergelim e as algas. Sirva frio.

Receita do chef Marco Paulo Peluso, do In Città (tel. 0/xx/11/ 3063-5707). * Valor nutricional calculado pela RG Nutri (www.rgnutri.com.br).

 

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