Comida
18/05/2008 - 11h42

Receita é agradável para paladares femininos

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GIULIANA BASTOS
da Revista da Folha

Em um universo que transita longe das espumas e gelatinas de Ferran Adrià, um discreto alagoano de 65 anos e 1,65 m serve no Jardim Europa (zona oeste da capital paulista) uma pequena jóia, criada há 40 anos. É em uma porção bem farta, mergulhada em um clássico molho béchamel enriquecido com cogumelos, açafrão, palmito e uva-itália que o chef José Pereira serve no La Cocagne seus famosos camarões, os "crevettes du chef Pereira".

O prato mais pedido do sofisticado restaurante francês já foi preparado por aquelas mãos quase 77 mil vezes. "Ele faz sucesso porque tem um toque doce que agrada muito às mulheres", explica o chef.

De Alagoas para Nice

Nascido em Palmeira dos Índios (AL), Pereira traz no olhar e na forma de cozinhar a simplicidade dos que já passaram por tudo nesta vida. Da rotina simples na cidade do interior nordestino ao estrelato gastronômico, o caminho foi longo. Passou por uma tinturaria no centro da cidade, por um bar de caldo de cana, por muita lavação de pratos e até por estágio em Nice, na França, com o apoio do chef Jean Durand --avô do jovem Raphael Despirite, do Marcel--, que o apadrinhou.

Outro momento marcante de sua saga foi vencer um concurso de receitas do Senac nos anos 1970, bastante respeitado na época. O prato? O "camarão à Pereira", seu indefectível camarão gratinado. "Sempre gostei de inventar coisas, foi fácil, fiz de primeira", diz. Desde então, muitos clientes, alguns freqüentadores da casa desde aquele período, não se rendem a outros sabores. "Chef que não cria permanece eternamente como cozinheiro", atesta.

Os camarões...

- estão no cardápio do La Cocagne desde sua abertura, há 42 anos
- foram criados em 1966 pelo chef Pereira
- já foram servidos cerca de 77 mil vezes
- são os preferidos das mulheres que vão ao restaurante

O chef Pereira...

- está no La Cocagne desde sua inauguração, há 42 anos
- nasceu em 1944, em Palmeira dos Índios (AL)
- quando chegou a São Paulo, foi tintureiro e dono de um bar de caldo de cana
- começou lavando pratos e passou a cozinheiro
- trabalhou nos extintos restaurantes La Popote e Le Village e no Terraço Itália

O La Cocagne...

- está entre os restaurantes mais tradicionais da cidade
- nasceu na rua Amaral Gurgel, no centro
- em 1974, abriu uma filial no Jardim Europa, onde permanece até hoje
- serve cozinha francesa clássica em um ambiente pequeno e elegante, com piano-bar

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