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05/08/2008 - 08h10

Experimento tranqüiliza enólogos em tempos de lei seca

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RAFA SANTOS
da Folha Online

Divulgação
Dirceu Lopes é a favor da lei, mas acha que ela deve ser abrandada
Dirceu Lopes é a favor da lei, mas acha que ela deve ser abrandada

Desde que a lei nº 11.705 --à qual se convencionou chamar de lei seca-- entrou em vigor, a incidência de acidentes de trânsito diminuiu, mesmo que sob muita discussão. Só em julho, o número de mortos nas estradas federais caiu 14,5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal.

Mas a polêmica em torno da lei está longe de acabar. Uma das classes mais preocupadas com a mudança na legislação foi a dos enólogos, profissionais que degustam vinhos diariamente, vivem da bebida, são especialistas nela. "Assim que ficamos sabendo da nova lei, ficamos muito preocupados", explica Dirceu Lopes, diretor da Associação Brasileira de Enologia (ABE).

Segundo Lopes, a primeira impressão é de que ele poderia acabar preso por conta do seu trabalho. "Ninguém discute a eficiência da nova lei e o quanto ela é benéfica, mas sim a sua rigidez, que acredito que poderia ser abrandada", diz.

Passado o primeiro susto, a Associação Brasileira de Enologia, em parceria com a Embrapa Uva e Vinho, realizou um teste para ver qual a verdadeira influência que a nova lei teria no cotidiano de um enólogo. O experimento consistia em avaliar com o bafômetro a quantidade de álcool após uma sessão profissional de degustação. Vale ressaltar que durante uma avaliação profissional da bebida a ingestão não é obrigatória, mas há, de qualquer forma, uma pequena absorção do vapor líquido da bebida e uma quantidade reduzida de vinho que se prende à saliva e à boca.

Resultados

No primeiro experimento realizado em 1º de julho, participaram 14 profissionais que simularam uma situação de degustação sem ingestão da bebida. Os resultados indicam que uma degustação técnica de até dez amostras de vinho ou quatro de espumante não é detectada pelo bafômetro. Apesar de não ser conclusivo --já que o modo como o organismo absorve o álcool varia de pessoa para pessoa--, o resultado foi considerado tranqüilizador para os profissionais do vinho.

"Apesar de apoiar a lei, eu acredito que se tem passado uma impressão errada sobre ela para as pessoas", diz Lopes. Segundo ele, as pessoas estão com medo e não conscientizadas em relação à mudança de legislação. "O que o experimento diz é que uma pequena quantidade de vinho no contexto de uma refeição não é acusada no bafômetro", diz.

Para Lopes, o vinho é uma bebida diferenciada e deve ter tratamento diferenciado. "Eu sou completamente a favor da lei seca. É impossível ir contra as estatísticas que mostram uma queda considerável no número de mortos no transito. Contudo, o vinho consumido moderadamente é um complemento alimentar e deve ser tratado como tal", finaliza.

 

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