Folha testa pratos de 14 casas que participam de festival em SP
da Folha de S.Paulo
| Paulo Fehlauer/Folha Imagem |
![]() |
| Entrada da Osteria Del Petirosso inclui buquê de rúcula com bresaola e lâminas de grana |
Em visita a 14 casas que participam do festival Restaurant Week, em São Paulo (SP), e oferecem menus com valores menores do que os convencionais, a reportagem comprova que há, sim, boas sugestões a preço baixo, mas que os clientes também podem encontrar pratos ruins e serviço desatento.
A oportunidade de ir a um restaurante em que o custo médio de uma refeição pode facilmente passar dos R$ 100 pagando apenas metade ou até um terço deste valor tem levado uma multidão de paulistanos a peregrinar pelas casas que participam, até domingo, da terceira edição da São Paulo Restaurant Week.
Afinal, não é todo dia que se pode almoçar ou jantar sem dar tanta importância à quantidade de cifrões da cotação. E alguns restaurantes têm aproveitado para cativar e fidelizar potenciais clientes.
Na última semana, a Folha visitou anonimamente 14 dos 49 participantes --só as casas com cinco (R$ 75 a R$ 110) ou seis cifrões (acima de R$ 110, em média, por pessoa), de acordo com a cotação de preço do Datafolha.
No Tarsila, por exemplo, o atendimento foi impecável e, antes de dar início ao menu, o chef ofereceu como cortesia uma entradinha de guacamole com hadoque defumado. No Tête à Tête, o cardápio especial trazia receitas criativas. No Pettirosso, os pratos foram pinçados do menu regular, dando uma idéia da linha seguida pela casa.
Mas a satisfação não se deu de forma geral --das 14 casas, seis decepcionaram. Uma falta recorrente foi o menu do festival (com entrada, prato principal e sobremesa por um preço fixo de R$ 25 no almoço e R$ 39 no jantar) não ser levado à mesa espontaneamente. Na maioria das visitas, ele só apareceu quando solicitado. A reportagem também registrou incidentes mais sérios.
Decepção à vista
Um deles ocorreu no Quattrino, do hotel Meliá. Durante a semana, a casa participa do evento com um bufê. Como a visita foi feita no almoço de sábado, os pratos foram servidos à la carte. Ao receber a conta, a reportagem notou que o restaurante havia cobrado o valor do jantar. Questionado, o maître disse que, por ter sido à la carte, o preço era esse mesmo. Procurada, a proprietária do Quattrino, Mary Nigri, disse que "foi um lapso", e que o funcionário, por ser novo, deve ter feito confusão.
Desempenho decepcionante teve também o La Risotteria Alessandro Segato. Além de não contemplarem a especialidade da casa (os risotos), os pratos do evento tinham qualidade inferior aos do cardápio regular. A massa estava muito "al dente", e as sobremesas eram medíocres. O chef admitiu que a massa "estava realmente 'al dente' demais" e que neste ano não serviu risoto pois "o intuito foi mostrar coisas diferentes". Em relação às sobremesas, disse que "por R$ 25 não dá para exigir que se mantenha 100% da qualidade".
Outras casas aparentemente não se prepararam para tanta demanda, caso do Chakras. Diante da impossibilidade de reservar uma mesa, a reportagem foi ao restaurante e, após esperar bem mais do que a previsão dada, descobriu que a sobremesa escolhida havia acabado. A gerente do Chakras, Vanessa Ribeiro, disse que não esperavam "filas tão longas". "No fim de semana, vou trocar as mesas grandes por mais mesas menores." Quanto à sobremesa, afirmou que uma receita extra foi feita, mas que mesmo assim não havia sido suficiente.
No Bananeira, o garçom não questionou qual deveria ser o ponto da carne e a massa estava excessivamente cozida. Procurado, o chef Mauricio Ganzarolli disse que "um serviço mais atencioso perguntaria sobre o ponto da carne" e que, apesar de não ser um restaurante italiano, "é lamentável o penne não ter sido servido 'al dente'".
No Canvas, o ponto da carne também não foi questionado. O gerente Raí Gaeta disse que "o prato tem o ponto ideal para ser servido, conforme foi concebido pelo chef".
No Ganesh, a reserva feita com antecedência não foi encontrada, e o garçom não soube explicar o couvert e nem mesmo procurou se informar. "O Ganesh tem dois garçons novos. Vou conversar com eles para saber o que aconteceu. É difícil acontecer esse tipo de coisa", disse Dinesh Rajput, responsável pela casa.
A reportagem foi produzida por: Cristina Fibe, Giuliana Bastos, Janaina Fidalgo, Luiza Fecarotta e Rachel Botelho


