Descontração marca encontro de chefs no "Jantar do Século"
JANAINA FIDALGO
da Folha de S.Paulo
| Jose Luis López de Zubiria/Divulgação |
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| Carpaccio Vegetal do chef espanhol Andoni Luis Aduriz foi servido no "Jantar do Século" |
Havia mais gente por trás, nos bastidores, do que no suntuoso salão do hotel Grand Hyatt, em São Paulo, onde 80 privilegiados participaram anteontem à noite do tão aguardado "Jantar do Século", organizado pelo Senac São Paulo e pela revista "Prazeres da Mesa".
E foi justamente ali, na sala contígua à do jantar, o lugar mais animado e com a melhor visão do encontro histórico do seleto grupo de chefs espanhóis, encabeçado por Ferran Adrià, Martín Berasategui e Juan Mari Arzak, sob a batuta do único brasileiro, Alex Atala.
Se --ultrapassado o pelotão de hostess e fotógrafos-- os convidados mantiveram certa formalidade, enquanto aguardavam na ante-sala o início do serviço, na "cozinha", o clima já era de descontração e festa.
Cozinha, entre aspas, porque os pratos não saíam de um espaço convencional, mas de uma comprida sala de montagem, acarpetada, com longas bancadas. Pré-preparados, eram finalizados por um batalhão de chefs e estudantes, numa minuciosa linha de produção.
Com um rádio em punho, Atala fazia a ponte entre o salão e a "cozinha", ora em espanhol, ora em português. "Tomate recheado com gazpacho verde. O chef é o Dani García", repetia três vezes, antes de o segundo prato servido à mesa sair.
Entre taças e flashes
Em meio ao entra-e-sai de bandejas, o clima era, ainda assim, ameno. Numa entressafra de garçons, Arzak não titubeou e pegou uma bandeja para ajudar. "No El Bulli, os cozinheiros também servem", dizia Adrià, enquanto Arzak destacava o espírito de cooperação: "É um dia mágico, é formidável estarmos aqui juntos, longe de casa. Somos amigos e nos ajudamos".
Nem as rápidas piscadas de luz que, por sucessivas vezes, deixaram todos no breu na cozinha improvisada atrapalharam o clima de descontração.
O esperado isolamento dos chefs e o bloqueio do acesso a eles não ocorreu. Terminada a primeira parte do menu, com sete tapas servidas no coquetel, eles estavam mais relaxados, especialmente os veteranos.
Solícitos e sorridentes, com taças de vinho ou copos de caipirinha à mão e compartilhando uma vasilha com o arroz de montanha de Nandu Jubany, pareciam não se incomodar com os flashes e o assédio.
Até o ministro da Defesa, Nelson Jobim, apareceu na "cozinha" para cumprimentá-los e posar para fotos. Acompanhado da mulher, foi ao jantar a convite do embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, e disse que "só recusaria [o convite] se fosse um doido".
Seu prato preferido? O risoto líquido de coco com azeite de dendê de Alex Atala. A seguir, um novo grupo chegava à sala de montagem. Eram os empresários João Paulo Diniz, Lucília Diniz e Belarmino Iglesias. E uma nova sessão de fotos recomeçava.
60 pagantes
Ao final de mais de três horas de jantar, de uma sucessão de sete tapas, oito pequenos pratos e quatro sobremesas, e com um grau etílico elevado pairando (cada prato foi harmonizado com um vinho diferente), a atmosfera alegre dos bastidores contaminou também o salão.
Após o anúncio da renda obtida com o leilão dos ingressos, R$ 303 mil vindos de lances de mais de R$ 5.000 feitos por 60 pagantes, as instituições beneficentes Tide Setubal, Gastromotiva, Projeto Quixote e Mãe Querida receberam as doações --os outros 20 ingressos, segundo a organização, foram destinados a convidados, como familiares de alguns chefs.
Num pequeno palco, junto de seus conterrâneos, Adrià voltou a fazer o mesmo comentário já proferido, mais cedo, na entrevista coletiva: "O Brasil será a próxima potência mundial da gastronomia. Não só pelos cozinheiros, mas pelos gourmets que tem. Nós, cozinheiros espanhóis, sempre dizemos que os melhores gourmets do mundo estão aqui".
Para além dos chefs e gourmets, há também os ingredientes brasileiros. E é atrás deles que Adrià e Arzak vão, no final da semana, à região amazônica, ciceroneados por Atala, proclamado por eles o embaixador da gastronomia brasileira
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