04/02/2005
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22h25
da Agência Folha, em Campinas
A Polícia Civil de Campinas (95 km a noroeste de São Paulo) trabalha com a principal hipótese de que o envenenamento por arsênico de quatro pessoas de uma mesma família ocorreu dentro da própria casa deles, localizada no Parque das Universidades, região nobre da cidade.
O médico homeopata Hudson da Silva Carvalho, 46, sua mulher Thelma Almeida Carvalho, 43, morreram no domingo. Uma filha deles, de 17 anos, morreu na segunda-feira. A polícia ouviu nesta sexta-feira o depoimento da única sobrevivente da família, uma adolescente de 15 anos. O depoimento levou quatro horas.
Um laudo do Instituto Adolfo Lutz confirmou a presença de alta concentração de arsênico na urina das duas garotas.
A filha confirmou à polícia que nenhuma outra pessoa, além dos três familiares, esteve na casa entre sexta-feira e domingo.
O delegado Cláudio Alvarenga chegou a questionar a menina se ela ou alguém da família teria interesse nas mortes. A garota negou que ela e seus familiares tenham tido a intenção de cometer o envenenamento.
A polícia investiga a possibilidade de o arsênico ter sido acrescentado a um creme de chocolate feito pela adolescente na sexta-feira.
A menina confirmou que a família consumiu o doce na sexta-feira e no sábado. Além disso, segundo o delegado, os familiares costumavam se medicar com substâncias homeopáticas elaboradas pelo próprio médico.
Amostras do doce foram colhidas no lixo da casa e remetidas para análises no IC (Instituto de Criminalística) de São Paulo.
A adolescente afirmou, segundo a polícia, que os familiares tomaram uma dose de um medicamento homeopático no sábado à tarde. O delegado não descartou a hipótese de erro de dosagem.
"As hipóteses estão em aberto. Não descartamos a possibilidade de que o veneno estivesse em uma taça. Existem outras variantes como o que se bebeu e podemos até não encontrar resíduos de veneno no doce'', disse Alvarenga.
A polícia localizou arsênico na casa da família, além de outras substâncias utilizadas em homeopatia. De acordo com toxicologistas, uma gota de arsênico concentrado pode ser letal.
O sal do arsênico não tem cheiro nem gosto e pode facilmente ser confundido com açúcar ou sal, segundo o médico toxicologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Ronan José Vieira.
O delegado confirmou também com a adolescente que ela mesmo limpou a casa e lavou a louça no domingo a pedido da mãe.
A polícia obteve a informação de que a mãe sofria de câncer linfático e a irmã tinha lupus --uma doença crônica de causa desconhecida que provoca alterações no sistema imunológico da pessoa e atinge geralmente mulheres.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre envenenamentos
Leia o que já foi publicado sobre mortes por intoxicação
Polícia suspeita que envenenamento de família tenha ocorrido dentro de casa
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MAURÍCIO SIMIONATOda Agência Folha, em Campinas
A Polícia Civil de Campinas (95 km a noroeste de São Paulo) trabalha com a principal hipótese de que o envenenamento por arsênico de quatro pessoas de uma mesma família ocorreu dentro da própria casa deles, localizada no Parque das Universidades, região nobre da cidade.
O médico homeopata Hudson da Silva Carvalho, 46, sua mulher Thelma Almeida Carvalho, 43, morreram no domingo. Uma filha deles, de 17 anos, morreu na segunda-feira. A polícia ouviu nesta sexta-feira o depoimento da única sobrevivente da família, uma adolescente de 15 anos. O depoimento levou quatro horas.
Um laudo do Instituto Adolfo Lutz confirmou a presença de alta concentração de arsênico na urina das duas garotas.
A filha confirmou à polícia que nenhuma outra pessoa, além dos três familiares, esteve na casa entre sexta-feira e domingo.
O delegado Cláudio Alvarenga chegou a questionar a menina se ela ou alguém da família teria interesse nas mortes. A garota negou que ela e seus familiares tenham tido a intenção de cometer o envenenamento.
A polícia investiga a possibilidade de o arsênico ter sido acrescentado a um creme de chocolate feito pela adolescente na sexta-feira.
A menina confirmou que a família consumiu o doce na sexta-feira e no sábado. Além disso, segundo o delegado, os familiares costumavam se medicar com substâncias homeopáticas elaboradas pelo próprio médico.
Amostras do doce foram colhidas no lixo da casa e remetidas para análises no IC (Instituto de Criminalística) de São Paulo.
A adolescente afirmou, segundo a polícia, que os familiares tomaram uma dose de um medicamento homeopático no sábado à tarde. O delegado não descartou a hipótese de erro de dosagem.
"As hipóteses estão em aberto. Não descartamos a possibilidade de que o veneno estivesse em uma taça. Existem outras variantes como o que se bebeu e podemos até não encontrar resíduos de veneno no doce'', disse Alvarenga.
A polícia localizou arsênico na casa da família, além de outras substâncias utilizadas em homeopatia. De acordo com toxicologistas, uma gota de arsênico concentrado pode ser letal.
O sal do arsênico não tem cheiro nem gosto e pode facilmente ser confundido com açúcar ou sal, segundo o médico toxicologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Ronan José Vieira.
O delegado confirmou também com a adolescente que ela mesmo limpou a casa e lavou a louça no domingo a pedido da mãe.
A polícia obteve a informação de que a mãe sofria de câncer linfático e a irmã tinha lupus --uma doença crônica de causa desconhecida que provoca alterações no sistema imunológico da pessoa e atinge geralmente mulheres.
Especial

