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Cotidiano
23/03/2005 - 00h05

Professora entra na Justiça contra pais de aluno em SP

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MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Campinas

Acusada de deixar um aluno de sete anos de castigo atrás da porta de uma escola, a professora Tânia Regina Araújo de Castro, 32, entra nesta quarta-feira com ação de crime contra a honra contra os pais da criança, que registraram o boletim de ocorrência contra ela em novembro do ano passado em Nova Odessa (126 km de São Paulo).

O caso ocorreu na escola municipal Saline Abdo, na periferia da cidade. O menino cursava a 1ª série do ensino fundamental. A acusação teve repercussão, e a professora foi afastada do cargo por 30 dias.

O inquérito policial que apura o caso ainda não foi concluído e corre sob sigilo decretado pela Justiça de Nova Odessa. A Polícia Civil de Nova Odessa informou que o inquérito deve ser concluído dentro de um mês.

A mãe do aluno, Maria Luzineide Nunes, 28, manteve a versão registrada no boletim de ocorrência em depoimentos dados à Polícia Civil e à comissão de sindicância municipal que apurou o caso.

A comissão de sindicância inocentou a professora. Ela nega a acusação. A sindicância, no entanto, admitiu que houve falha na segurança da escola ao permitir que o menino permanecesse no local após o término das aulas.

De acordo com a mãe, o garoto contou ter sido colocado de castigo atrás de uma porta a partir das 15h --após o intervalo. Segundo ela, a criança foi encontrada agachada atrás da porta e em estado de choque às 19h20. A aula havia terminado às 18h.

A sindicância foi formada por três funcionários municipais. Dos 35 alunos da sala de aula, apenas três foram ouvidos no relatório.

A família da criança mudou para o município de Brotas (245 km de São Paulo). Eles não foram localizados pela reportagem ontem.

Ação

Segundo a advogada da professora, Natalie Regina Marçura, uma ação criminal será protocolada nesta quarta na Justiça com o objetivo de que a mãe e o pai da criança sejam punidos pelo crime de calúnia. "A Tânia quer Justiça, pois houve um crime contra a sua honra", disse a advogada.

De acordo com Marçura, o crime de calunia prevê pena de detenção de seis meses a dois anos, além de multa a ser arbitrada pela Justiça. "A detenção pode ser substituída por serviços prestados à comunidade", disse.

A professora retomou as aulas após a conclusão da sindicância em dezembro do ano passado e continua hoje lecionando na mesma escola.

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