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Cotidiano
06/04/2005 - 21h33

Polícia prende três universitários acusados de estupro em Campinas

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MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha

Três universitários --dois estudantes do curso de arquitetura e outro de jornalismo-- da PUC-Campinas (95 km de São Paulo) foram presos sob acusação de dopar e depois estuprar uma estudante de 24 anos em uma república estudantil após um churrasco. Um deles foi preso, na terça-feira, no campus da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo).

Os outros dois foram presos na segunda-feira. O crime ocorreu no dia 8 de dezembro do ano passado, mas só agora a polícia obteve provas para pedir a prisão dos três universitários. O caso é investigado sob sigilo pela Polícia Civil. Até esta quarta, os três acusados não haviam constituído advogado.

A polícia localizou uma fotografia, em um computador na república, na qual a universitária aparece nua, aparentemente desacordada e sendo segurada por dois universitários --também nus--, enquanto o terceiro universitário aparece ao lado dela com o pênis ereto.

Os estudantes também aparecem em outras fotografias localizadas no mesmo computador consumindo drogas e observando uma plantação de maconha em uma espécie de estufa.

A prisão temporária dos três acusados foi concedida pela 2ª Vara Criminal de Campinas (95 km de São Paulo). "Ela [universitária] e a sua família passam por acompanhamento psicológico por causa desse crime bárbaro", disse o advogado da universitária, Ralph Tórtima Stettinger Filho.

A universitária --que cursa o 3º ano de arquitetura-- transferiu o curso no início do ano para uma universidade de São Paulo. A família dela possui nível financeiro médio-alto e é proprietária de uma indústria na capital.

Inquérito

A universitária registrou boletim de ocorrência sobre o crime no dia 10 de dezembro e passou por exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) no mesmo dia. Ela também passou por um exame particular no Hospital São Luís, em São Paulo. Os resultados comprovaram o abuso sexual, segundo o advogado dela.

De acordo com o boletim de ocorrência, a universitária foi a um churrasco de confraternização da FAU com uma amiga em uma chácara no distrito de Barão Geraldo. Ela relata que começou a se sentir mal após ter tomado uma bebida oferecida por pessoas que estavam no churrasco.

Em seguida, ela diz ter deixado o local na companhia dos três acusados, que ofereceram carona. "Depois disso ela perdeu a consciência e só retomou no dia seguinte, nua no banheiro da república", disse o advogado.

As roupas dela estavam dobradas e postas ao seu lado. A universitária disse à polícia ter acordado com arranhões e hematomas no corpo. Os universitários acusados possuem a mesma faixa etária dela, entre 20 e 25 anos.

O inquérito policial foi instaurado no dia 17 de dezembro passado e a polícia ouviu testemunhas, amigos e colegas dela e dos acusados. Na semana passada, a polícia recebeu o laudo da perícia feita no computador e elaborou o pedido de prisão deles. A busca e apreensão do computador na república ocorreu no dia 17 de dezembro.

Além dos três universitários, outros dois moram na república, que fica no bairro Chácara Primavera --região próxima ao campus da PUC. A república é batizada pelos estudantes como "capela".

A polícia investiga se outros estudantes da própria república e de uma outra república localizada em frente também teriam participado do crime, tirando fotos ou assistindo ao estupro.

A universitária ainda passou por diversos exames para constatar se houve transmissão de alguma doença venérea, mas os testes deram negativo. O inquérito está em fase final e aguarda o resultado de perícias e o depoimento dos três acusados, antes de ser remetido à Justiça.

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