13/04/2005
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10h52
da Folha de S.Paulo
Restaurantes japoneses de São Paulo abriram apuração paralela sobre a qualidade de sushi e sashimi de salmão. Vinte deles pediram análises do Food Safety, laboratório especializado no estudo microbiológico de restaurantes industriais, sobre a presença do parasita Diphyllobothrium spp, causador de um surto de infecção intestinal (difilobotríase), que pode habitar o peixe.
Quatro tiveram resultados negativos. Cada um enviou para análise cinco amostras. O laudo das demais deve ficar pronto até sexta. A notícia do surto (que, de março de 2004 a março de 2005, afetou 28 pessoas na capital) causou queda de 60% no movimento de restaurantes. Metade dos sushis e sashimis vendidos em São Paulo é de salmão.
Rio de Janeiro e Belo Horizonte também registraram ocorrências da doença. No Distrito Federal, um caso é investigado.
"Não só estão crucificando o salmão, mas toda a cozinha japonesa", diz Paulo Barossi, do restaurante Nakombi e da Associação Brasileira de Culinária Japonesa (ABCJ). Ele lembra que, até agora, não há prova concreta de que o salmão abrigue o parasita. "Há uma suspeita que se já transformou em verdade."
Segundo ele, são servidas no país 30 milhões de porções/ano de salmão. "Dentro desse contexto, 28 casos de infecção representam um ínfimo de 0,00009% de chances de contaminação."
Barossi compara os números da chamada tênia do peixe com o parasita da carne vermelha, da mesma família. No Hospital das Clínicas de São Paulo, em março, foram atendidos 150 casos. Infecções causadas pela tênia podem gerar distúrbios gastrintestinais e, no máximo, anemia.
Desde a semana passada restaurantes de São Paulo preparam alimentos com salmão já congelado do Chile, segundo diretriz do Ministério da Saúde.
A preocupação dos restaurantes é que, como não foram citados os locais onde infectados comeram peixe cru, todo restaurante japonês é potencialmente suspeito. Laudos de análises microbiológicas do governo chileno atestam que não foi constatada a presença do parasita nos lotes de salmão enviados ao Brasil.
Outros Estados
Rio de Janeiro e Belo Horizonte também registraram casos de difilobotríase: 19 ocorrências desde julho do ano passado.
A Vigilância Sanitária Municipal do Rio de Janeiro iniciou ontem uma fiscalização em restaurantes japoneses para verificar se os peixes estão dentro dos padrões sanitários. O trabalho foi determinado após o registro de um caso no Rio. Houve ao menos 12 outros entre agosto e novembro do ano passado.
Para o pesquisador Marcelo Knoff, da Fiocruz, o número pode ser maior, por não ser obrigatório registrar a doença.
A Vigilância deverá fazer novas fiscalizações até o final da próxima semana. Todos os 20 estabelecimentos visitados ontem tinham os peixes armazenados nas condições necessárias.
Em Belo Horizonte, a Vigilância Sanitária investiga seis casos da doença, registrados desde julho passado, o que, para o órgão municipal, não configura surto.
"Esse episódio serviu de alerta, mas não há motivos para a população se preocupar, não há surto em Belo Horizonte", afirmou o gerente da Vigilância, Eduardo Camargos Couto.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou ontem que investiga um caso suspeito de difilobotríase, notificado no dia 6 de abril por um médico da rede particular de saúde.
Com a Agência Folha, em Belo Horizonte, o colaborador para a Folha, no Rio, e a Sucursal de Brasília
Especial
Leia o que já foi publicado sobre casos de difilobotríase
Leia o que já foi publicado sobre a Anvisa
Restaurantes fazem novo teste em salmão
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CLÁUDIA COLLUCCIda Folha de S.Paulo
Restaurantes japoneses de São Paulo abriram apuração paralela sobre a qualidade de sushi e sashimi de salmão. Vinte deles pediram análises do Food Safety, laboratório especializado no estudo microbiológico de restaurantes industriais, sobre a presença do parasita Diphyllobothrium spp, causador de um surto de infecção intestinal (difilobotríase), que pode habitar o peixe.
Quatro tiveram resultados negativos. Cada um enviou para análise cinco amostras. O laudo das demais deve ficar pronto até sexta. A notícia do surto (que, de março de 2004 a março de 2005, afetou 28 pessoas na capital) causou queda de 60% no movimento de restaurantes. Metade dos sushis e sashimis vendidos em São Paulo é de salmão.
Rio de Janeiro e Belo Horizonte também registraram ocorrências da doença. No Distrito Federal, um caso é investigado.
"Não só estão crucificando o salmão, mas toda a cozinha japonesa", diz Paulo Barossi, do restaurante Nakombi e da Associação Brasileira de Culinária Japonesa (ABCJ). Ele lembra que, até agora, não há prova concreta de que o salmão abrigue o parasita. "Há uma suspeita que se já transformou em verdade."
Segundo ele, são servidas no país 30 milhões de porções/ano de salmão. "Dentro desse contexto, 28 casos de infecção representam um ínfimo de 0,00009% de chances de contaminação."
Barossi compara os números da chamada tênia do peixe com o parasita da carne vermelha, da mesma família. No Hospital das Clínicas de São Paulo, em março, foram atendidos 150 casos. Infecções causadas pela tênia podem gerar distúrbios gastrintestinais e, no máximo, anemia.
Desde a semana passada restaurantes de São Paulo preparam alimentos com salmão já congelado do Chile, segundo diretriz do Ministério da Saúde.
A preocupação dos restaurantes é que, como não foram citados os locais onde infectados comeram peixe cru, todo restaurante japonês é potencialmente suspeito. Laudos de análises microbiológicas do governo chileno atestam que não foi constatada a presença do parasita nos lotes de salmão enviados ao Brasil.
Outros Estados
Rio de Janeiro e Belo Horizonte também registraram casos de difilobotríase: 19 ocorrências desde julho do ano passado.
A Vigilância Sanitária Municipal do Rio de Janeiro iniciou ontem uma fiscalização em restaurantes japoneses para verificar se os peixes estão dentro dos padrões sanitários. O trabalho foi determinado após o registro de um caso no Rio. Houve ao menos 12 outros entre agosto e novembro do ano passado.
Para o pesquisador Marcelo Knoff, da Fiocruz, o número pode ser maior, por não ser obrigatório registrar a doença.
A Vigilância deverá fazer novas fiscalizações até o final da próxima semana. Todos os 20 estabelecimentos visitados ontem tinham os peixes armazenados nas condições necessárias.
Em Belo Horizonte, a Vigilância Sanitária investiga seis casos da doença, registrados desde julho passado, o que, para o órgão municipal, não configura surto.
"Esse episódio serviu de alerta, mas não há motivos para a população se preocupar, não há surto em Belo Horizonte", afirmou o gerente da Vigilância, Eduardo Camargos Couto.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou ontem que investiga um caso suspeito de difilobotríase, notificado no dia 6 de abril por um médico da rede particular de saúde.
Com a Agência Folha, em Belo Horizonte, o colaborador para a Folha, no Rio, e a Sucursal de Brasília
Especial


