26/09/2000
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19h31
João Gomide, pai da jornalista Sandra Gomide, 32, assassinada no dia 20 de agosto por seu ex-namorado Antônio Marcos Pimenta Neves, divulgou uma carta a respeito da possibilidade do assassino responder a processo em liberdade.
Na quinta-feira (28), o Tribunal de Justiça de São Paulo julga habeas corpus que pede que Pimenta Neves responda ao processo em liberdade.
A seguir, a carta de Gomide.
Carta aberta de um pai contra a soltura de um assassino
Minha vida se transformou em uma coisa muito triste no dia 20 de
agosto. Nesse dia, um assassino cheio de perversão e maldade na alma tirou a vida de minha única e querida filha. Minha vida e da minha esposa agora poderão ter outra data, quase tão triste quanto essa. Deus nos ajude para que isso não aconteça, mas essa nova data poderá ser depois de amanhã, quinta-feira, 28 de setembro. A justiça poderá soltar o homem que matou a Sandra.
Eu acredito na justiça do meu país. E sei que tenho o direito de
dizer o que sente um pai cheio de tristeza e de luto. Alguém como eu
está em condições de entender pelo sofrimento que há leis muito
importantes em nosso mundo. São leis da moral, são leis do coração.
Sandra não voltará mais ao meu convívio, da minha esposa, do meu filho
e das minhas netas. Mas isso não significa que eu aceite que o crime fique sem punição. É o risco que agora existe. Sei que o assassino tem importantes advogados. É um direito que ele tem. Mas tenho também o direito de dizer em público o que considero certo e o que considero errado.
O homem que tirou a vida de minha filha quer esperar o dia do julgamento
livre. Eu conheci esse homem. Ele é tão canalha que teve a coragem de se
dizer meu amigo e repartir a mesa com a minha família quando já planejava matar a Sandra. Se eu soubesse o que iria acontecer, seria o
escudo da Sandra e daria a minha vida por ela.
Solto na rua, esse assassino é capaz de fazer qualquer coisa. Fazer
mal a outras pessoas. Como eu já disse, acredito na justiça. Mas, e se o
assassino fugir para os Estados Unidos, onde tem casa e de onde não
poderia ser extraditado porque suas filhas são americanas? Ele quer ainda que as pessoas acreditem que ele estava louco e está arrependido. Como poderia estar louco e ao mesmo tempo chefiar um jornal tão importante? Quem ele pensa que está enganando? Eu não acredito e não aceito o seu arrependimento.
É esse homem que pode agora sair da cadeia e andar livre pelas ruas.
É o homem que tirou a Sandra da minha vida e que me faz sentir um gosto
amargo na boca cada vez que penso que ele matou também os netos que a Sandra sonhava em dar para mim.
Rezem comigo para que ele pague pelo que fez. Eu não me perdoaria
se não pedisse a vocês todos para rezar. Infelizmente, é tudo o que eu posso fazer. Serão rezas de justiça.
Obrigado a todos que estão rezando pela alma da minha filha.
João Gomide
Clique aqui para ler mais notícias sobre o assassinato da jornalista Sandra Gomide
Leia mais notícias de cotidiano na Folha Online
Veja a carta de pai de jornalista assassinada
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da Folha OnlineJoão Gomide, pai da jornalista Sandra Gomide, 32, assassinada no dia 20 de agosto por seu ex-namorado Antônio Marcos Pimenta Neves, divulgou uma carta a respeito da possibilidade do assassino responder a processo em liberdade.
Na quinta-feira (28), o Tribunal de Justiça de São Paulo julga habeas corpus que pede que Pimenta Neves responda ao processo em liberdade.
A seguir, a carta de Gomide.
Carta aberta de um pai contra a soltura de um assassino
Minha vida se transformou em uma coisa muito triste no dia 20 de
agosto. Nesse dia, um assassino cheio de perversão e maldade na alma tirou a vida de minha única e querida filha. Minha vida e da minha esposa agora poderão ter outra data, quase tão triste quanto essa. Deus nos ajude para que isso não aconteça, mas essa nova data poderá ser depois de amanhã, quinta-feira, 28 de setembro. A justiça poderá soltar o homem que matou a Sandra.
Eu acredito na justiça do meu país. E sei que tenho o direito de
dizer o que sente um pai cheio de tristeza e de luto. Alguém como eu
está em condições de entender pelo sofrimento que há leis muito
importantes em nosso mundo. São leis da moral, são leis do coração.
Sandra não voltará mais ao meu convívio, da minha esposa, do meu filho
e das minhas netas. Mas isso não significa que eu aceite que o crime fique sem punição. É o risco que agora existe. Sei que o assassino tem importantes advogados. É um direito que ele tem. Mas tenho também o direito de dizer em público o que considero certo e o que considero errado.
O homem que tirou a vida de minha filha quer esperar o dia do julgamento
livre. Eu conheci esse homem. Ele é tão canalha que teve a coragem de se
dizer meu amigo e repartir a mesa com a minha família quando já planejava matar a Sandra. Se eu soubesse o que iria acontecer, seria o
escudo da Sandra e daria a minha vida por ela.
Solto na rua, esse assassino é capaz de fazer qualquer coisa. Fazer
mal a outras pessoas. Como eu já disse, acredito na justiça. Mas, e se o
assassino fugir para os Estados Unidos, onde tem casa e de onde não
poderia ser extraditado porque suas filhas são americanas? Ele quer ainda que as pessoas acreditem que ele estava louco e está arrependido. Como poderia estar louco e ao mesmo tempo chefiar um jornal tão importante? Quem ele pensa que está enganando? Eu não acredito e não aceito o seu arrependimento.
É esse homem que pode agora sair da cadeia e andar livre pelas ruas.
É o homem que tirou a Sandra da minha vida e que me faz sentir um gosto
amargo na boca cada vez que penso que ele matou também os netos que a Sandra sonhava em dar para mim.
Rezem comigo para que ele pague pelo que fez. Eu não me perdoaria
se não pedisse a vocês todos para rezar. Infelizmente, é tudo o que eu posso fazer. Serão rezas de justiça.
Obrigado a todos que estão rezando pela alma da minha filha.
João Gomide
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