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Cotidiano
28/09/2000 - 13h36

Pimenta é dispensado de depoimento e deixa Ibiúna

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FABIANE LEITE
da Folha Online, em Ibiúna

O jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, 63, foi dispensado de acompanhar os depoimentos de familiares da jornalista Sandra Gomide, 32, assassinada por ele no dia 20 de agosto.

Pimenta Neves acaba de deixar o Fórum Criminal de Ibiúna, cidade a 70 km da capital, e volta para 77º DP (Santa Cecília), na região central de São Paulo, onde está preso desde dia 4.

Segundo o advogado do jornalista, José Carlos Dias, Pimenta Neves não se sentia bem.

O advogado de acusação, Luiz Flávio Gomes, concordou com a dispensa do réu porque o pai de Sandra, João Gomide, que irá prestar depoimento à tarde, também não queria depor na frente do jornalista. "O pai de Sandra disse que não queria vê-lo", disse Gomes.

Pimenta Neves passou a maior parte dos cinco testemunhos que foram colhidos pela manhã de olhos fechados e com as mãos unidas. Em alguns momentos, balançava a cabeça em sinal de negativa.

Um destes momentos foi quando uma das testemunhas relatou supostas ameaças que ele teria feito a Sandra. Aparentemente nervoso, Pimenta disse ao advogado: "Não houve ameaça nenhuma".

Um dos funcionários do haras em que Sandra foi assassinada, Valmor Guerra Sobrinho, disse que no ia do crime Pimenta Neves chegou a lhe pedir que colocasse na geladeira uma garrafa de água que o jornalista levava consigo.

Para a acusação, isso poderia indicar que o jornalista estava preparado para fugir e trazia mantimentos.

A última testemunha ouvida foi Jair Greffe, que fez segurança para Sandra quando teriam iniciado as ameaças contra ela. Ele afirmou que a jornalista dispensou seus serviços no dia 16 de agosto, quatro dias antes de ser assassinada. "Ela estava tranquila", disse Greffe.

O segurança afirmou também que Sandra chegou a usar o telefone de sua casa porque suspeitava que o seu telefone pessoal estivesse grampeado.

Houve um intervalo na audiência das testemunhas. À tarde serão ouvidos o irmão de Sandra, Milton Gomide; o pai da jornalista, João Gomide; e o tio, Carlos Renato Florentino.

Foram dispensados os depoimentos do delegado que investigou o caso, Marcelo Damas, e de um outro funcionário do haras, José de Jesus Rocha.

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