28/09/2000
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17h28
da Folha Online, em Ibiúna
José Carlos Dias, advogado de defesa do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, 63, disse que os depoimentos das testemunhas de acusação ocorridos hoje no Fórum Criminal de Ibiúna (a 70 km de SP) foram contraditórios.
Pimenta Neves assassinou, com dois tiros, sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, 32, no dia 20 de agosto.
"Houve contradições graves no depoimento", disse o advogado, que, no entanto, não quis especificar quais seriam essas contradições. Ele disse que utilizará essas partes contraditórias na defesa de seu cliente.
Para Dias, não ficou provado que o jornalista premeditou o crime. "Não queremos destruir a memória da moça (Sandra), mas não podemos permitir o linchamento moral do réu".
Uma eventual premeditação do crime poderia resultar em uma pena mais severa para Pimenta Neves, caso seja condenado pela Justiça.
Segundo Dias, os depoimentos mostraram que seu cliente não planejou o assassinato de Sandra. Para ele, uma evidência disso é o fato de Pimenta Neves ter ido e voltado várias vezes ao haras onde ocorreu o crime. O advogado disse que isso mostra que o réu não tinha um plano.
Márcio Thomaz Bastos, um dos advogados de acusação, contesta a versão do colega. Para ele, os depoimentos das oito testemunhas comprovaram que o crime foi premeditado. "Os depoimentos são o retrato de uma tocaia e de uma chacina. Tudo estava premeditado", disse.
Segundo Bastos, uma das provas de que Pimenta Neves teria planejado o crime foi o fato de o jornalista ter ido a um bar próximo ao haras supostamente para esperar a chegada de Sandra. O advogado destacou que neste bar Pimenta Neves teria escondido seu carro.
Luiz Flávio Gomes, outro advogado de acusação, disse que a descoberta de que existe uma segunda testemunha ocular do crime, a empresária Marlei Setti, reforça a tese de que Sandra foi executada. Marlei disse à Justiça ter visto Pimenta Neves disparar o segundo tiro em Sandra.
A acusação pretende, em 15 dias, pedir ao Ministério Público Estadual que seja apresentada uma terceira qualificadora do homicídio cometido pelo jornalista. Pimenta Neves está sendo processado por homicídio duplamente qualificado, ou seja, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. A terceira qualificadora seria o emprego de meio cruel no assassinato, já que, conforme os autos, Pimenta Neves usou balas que causam lesão maior na vítima do que as balas consideradas normais.
A promotora criminal que acompanha o caso, Lúcia Cunha, só deverá avaliar a possibilidade de uma terceira qualificadora em 15 dias, após voltar de uma viagem pessoal. No entanto, ela já adiantou que é remota a possibilidade de aceitar esse pedido da acusação.
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Para defesa de Pimenta, depoimentos foram contraditórios
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FABIANE LEITEda Folha Online, em Ibiúna
José Carlos Dias, advogado de defesa do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, 63, disse que os depoimentos das testemunhas de acusação ocorridos hoje no Fórum Criminal de Ibiúna (a 70 km de SP) foram contraditórios.
Pimenta Neves assassinou, com dois tiros, sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, 32, no dia 20 de agosto.
"Houve contradições graves no depoimento", disse o advogado, que, no entanto, não quis especificar quais seriam essas contradições. Ele disse que utilizará essas partes contraditórias na defesa de seu cliente.
Para Dias, não ficou provado que o jornalista premeditou o crime. "Não queremos destruir a memória da moça (Sandra), mas não podemos permitir o linchamento moral do réu".
Uma eventual premeditação do crime poderia resultar em uma pena mais severa para Pimenta Neves, caso seja condenado pela Justiça.
Segundo Dias, os depoimentos mostraram que seu cliente não planejou o assassinato de Sandra. Para ele, uma evidência disso é o fato de Pimenta Neves ter ido e voltado várias vezes ao haras onde ocorreu o crime. O advogado disse que isso mostra que o réu não tinha um plano.
Márcio Thomaz Bastos, um dos advogados de acusação, contesta a versão do colega. Para ele, os depoimentos das oito testemunhas comprovaram que o crime foi premeditado. "Os depoimentos são o retrato de uma tocaia e de uma chacina. Tudo estava premeditado", disse.
Segundo Bastos, uma das provas de que Pimenta Neves teria planejado o crime foi o fato de o jornalista ter ido a um bar próximo ao haras supostamente para esperar a chegada de Sandra. O advogado destacou que neste bar Pimenta Neves teria escondido seu carro.
Luiz Flávio Gomes, outro advogado de acusação, disse que a descoberta de que existe uma segunda testemunha ocular do crime, a empresária Marlei Setti, reforça a tese de que Sandra foi executada. Marlei disse à Justiça ter visto Pimenta Neves disparar o segundo tiro em Sandra.
A acusação pretende, em 15 dias, pedir ao Ministério Público Estadual que seja apresentada uma terceira qualificadora do homicídio cometido pelo jornalista. Pimenta Neves está sendo processado por homicídio duplamente qualificado, ou seja, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. A terceira qualificadora seria o emprego de meio cruel no assassinato, já que, conforme os autos, Pimenta Neves usou balas que causam lesão maior na vítima do que as balas consideradas normais.
A promotora criminal que acompanha o caso, Lúcia Cunha, só deverá avaliar a possibilidade de uma terceira qualificadora em 15 dias, após voltar de uma viagem pessoal. No entanto, ela já adiantou que é remota a possibilidade de aceitar esse pedido da acusação.
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