13/07/2005
-
16h22
Além de sonegação fiscal, a empresária Eliana Tranchesi, proprietária da Daslu, é supeita de formação de quadrilha, segundo a Polícia Federal. A empresária foi presa hoje em caráter temporário na sede da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo.
Eliana Tranchesi é suspeita de incentivar outras empresas a formar um esquema ilegal para importar mercadorias estrangeiras com imposto de importação menor.
Apenas pelo crime de formação de quadrilha, a empresária pode pegar de um a três anos de reclusão caso seja condenada.
Segundo o procurador Matheus Baraudi Magnani, as empresas importadoras seriam, na verdade, pessoas jurídicas constituídas para camuflar a importação irregular (sonegação fiscal) e burlar a fiscalização da Receita Federal.
A empresária também é suspeita de falsidade material e ideológica, e de crimes contra a ordem tributária.
Segundo o procurador, Tranchesi pode ficar presa por cinco dias. Ela só não ficará reclusa nesse período, prazo previsto inicialmente no mandado de prisão cautelar, se conseguir uma liminar. A defesa da empresária deve tentar revogar a prisão na Justiça.
Outro lado
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Daslu afirmou que "está colaborando com a operação, no sentido de fornecer todas as informações que forem solicitadas". A assessoria, no entanto, não se manifestou sobre a prisão da proprietária.
"[A importadora] não era uma empresa formal, não existia de fato. Sequer tinha endereço", segundo Magnani. Acredita-se que ela tenha sido constituída apenas para camuflar a irregularidade, pois registrava ""prejuízo todos os meses e revertia praticamente 100% do que importava à Daslu. Dado típico da contabilidade de uma [empresa] laranja".
O procurador afirma que alguns vestidos vendidos pela Daslu por cerca de R$ 5.000 eram importados com valores declarados de "US$10, US$15". Segundo Magnani, gravatas da grife Hermenegildo Zegna, por exemplo, tinham valores declarados de apenas US$5.
Operação Narciso
Tranchesi foi presa em sua casa, no Morumbi (zona sul de São Paulo), e levada em um carro da Polícia Federal até a sede da superintendência do órgão, na Lapa (zona oeste de São Paulo), onde presta depoimento.
O dono de uma empresa importadora ligada à marca, Celso de Lima, também foi preso. O procurador afirmou que Donata Meirelles, amiga de Tranchesi e mulher do publicitário Nizan Guanaes, só não foi presa pois, apesar de exercer gerência na loja, não exerce uma administração de caráter fiscal ou contábil. "Ela mais propaga o nome da Daslu", disse Magnani.
A operação de combate às supostas irregularidades, que culminou nas prisões, é promovida por agentes da Polícia Federal, fiscais da Receita Federal e membros do Ministério Público que revistaram a loja da Daslu, localizada na Vila Olímpia (zona sul de São Paulo).
O estabelecimento funciona normalmente e não deve ser fechado, segundo Magnani. Também são improváveis as apreensões de produtos. Por volta das 11h, chegaram à sede da PF mais de 60 caixas com documentos e um computador que foram apreendidos na loja e em escritórios das importadoras. Ações semelhantes são desenvolvidas em outros três Estados.
Megaloja
As buscas promovidas na loja da Daslu incluíram a revista de todos os veículos que chegavam ao setor de carga e descarga do estabelecimento. Em seus quatro andares, que ocupam cerca de 17 mil metros quadrados, são vendidos de cosméticos até lanchas.

Butique que hoje reúne as mais caras grifes e os brasileiros mais endinheirados, a Daslu iniciou suas atividades em 1958 com uma loja simples que funcionava na própria casa de uma de suas fundadoras, Lucia Piva Albuquerque.
A butique, no entanto, só se transformou em referência de moda no Brasil nos anos 80. Em 1984, com a morte de Lucia Piva Albuquerque, sua filha, Eliana Tranchesi, assume os negócios ao lado de Lourdes Aranha.
Leia mais
Dona da Daslu pode ficar presa por cinco dias, diz procurador
Megaoperação fiscaliza e ameaça operações da Daslu
Jornal americano diz que Daslu mostra desigualdade do Brasil
Saiba quem é Eliana Tranchesi, dona da Daslu
Daslu passou de loja caseira a templo dos endinheirados
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a Daslu
Dona da Daslu é suspeita de formação de quadrilha
Publicidade
da Folha OnlineAlém de sonegação fiscal, a empresária Eliana Tranchesi, proprietária da Daslu, é supeita de formação de quadrilha, segundo a Polícia Federal. A empresária foi presa hoje em caráter temporário na sede da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo.
Eliana Tranchesi é suspeita de incentivar outras empresas a formar um esquema ilegal para importar mercadorias estrangeiras com imposto de importação menor.
Apenas pelo crime de formação de quadrilha, a empresária pode pegar de um a três anos de reclusão caso seja condenada.
Segundo o procurador Matheus Baraudi Magnani, as empresas importadoras seriam, na verdade, pessoas jurídicas constituídas para camuflar a importação irregular (sonegação fiscal) e burlar a fiscalização da Receita Federal.
A empresária também é suspeita de falsidade material e ideológica, e de crimes contra a ordem tributária.
Segundo o procurador, Tranchesi pode ficar presa por cinco dias. Ela só não ficará reclusa nesse período, prazo previsto inicialmente no mandado de prisão cautelar, se conseguir uma liminar. A defesa da empresária deve tentar revogar a prisão na Justiça.
Outro lado
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Daslu afirmou que "está colaborando com a operação, no sentido de fornecer todas as informações que forem solicitadas". A assessoria, no entanto, não se manifestou sobre a prisão da proprietária.
| Eduardo Knapp/Folha Imagem |
![]() |
| Fachada da loja da Daslu, na zona sul de SP |
O procurador afirma que alguns vestidos vendidos pela Daslu por cerca de R$ 5.000 eram importados com valores declarados de "US$10, US$15". Segundo Magnani, gravatas da grife Hermenegildo Zegna, por exemplo, tinham valores declarados de apenas US$5.
Operação Narciso
Tranchesi foi presa em sua casa, no Morumbi (zona sul de São Paulo), e levada em um carro da Polícia Federal até a sede da superintendência do órgão, na Lapa (zona oeste de São Paulo), onde presta depoimento.
O dono de uma empresa importadora ligada à marca, Celso de Lima, também foi preso. O procurador afirmou que Donata Meirelles, amiga de Tranchesi e mulher do publicitário Nizan Guanaes, só não foi presa pois, apesar de exercer gerência na loja, não exerce uma administração de caráter fiscal ou contábil. "Ela mais propaga o nome da Daslu", disse Magnani.
A operação de combate às supostas irregularidades, que culminou nas prisões, é promovida por agentes da Polícia Federal, fiscais da Receita Federal e membros do Ministério Público que revistaram a loja da Daslu, localizada na Vila Olímpia (zona sul de São Paulo).
O estabelecimento funciona normalmente e não deve ser fechado, segundo Magnani. Também são improváveis as apreensões de produtos. Por volta das 11h, chegaram à sede da PF mais de 60 caixas com documentos e um computador que foram apreendidos na loja e em escritórios das importadoras. Ações semelhantes são desenvolvidas em outros três Estados.
Megaloja
As buscas promovidas na loja da Daslu incluíram a revista de todos os veículos que chegavam ao setor de carga e descarga do estabelecimento. Em seus quatro andares, que ocupam cerca de 17 mil metros quadrados, são vendidos de cosméticos até lanchas.

Butique que hoje reúne as mais caras grifes e os brasileiros mais endinheirados, a Daslu iniciou suas atividades em 1958 com uma loja simples que funcionava na própria casa de uma de suas fundadoras, Lucia Piva Albuquerque.
A butique, no entanto, só se transformou em referência de moda no Brasil nos anos 80. Em 1984, com a morte de Lucia Piva Albuquerque, sua filha, Eliana Tranchesi, assume os negócios ao lado de Lourdes Aranha.
Leia mais
Especial


