13/07/2005
-
20h30
da Folha Online
A empresária Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, 49, dona da Daslu, foi libertada na noite desta quarta-feira após ter sido mantida presa por cerca de dez horas na sede da Polícia Federal em São Paulo, onde prestou depoimento. A informação foi confirmada pela assessoria da Daslu.
Principal sócia da Daslu, a loja que reúne as mais caras grifes do país, a empresária foi presa hoje por suspeita de sonegação fiscal, de formação de quadrilha, de contrabando, de falsidade ideológica e de crime contra a ordem tributária. Segundo o procurador da República Matheus Baraldi Magnani, a empresária formaria um esquema ilegal para importar mercadorias estrangeiras com imposto de importação menor.
As investigações prosseguem. Continuam presos Antônio Carlos Piva de Albuquerque, o irmão da empresária que cuidava da administração da Daslu, e Celso Lima, contador e sócio de uma das empresas importadoras da loja. Os dois ainda não prestaram depoimento.
Em depoimento à PF, Tranchesi disse desconhecer os procedimentos contábeis e fiscais de sua loja. Afirmou que se envolve diretamente apenas com o marketing da empresa, segundo o procurador. Além de sócia, Tranchesi responde pela presidência da loja.
Segundo o procurador, o Ministério Público e a Polícia Federal ficaram satisfeitos com o rumo das investigações. No entanto, a empresária não teria negado e nem confirmado as acusações de sonegação fiscal.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Daslu afirmou que colaborou com a operação e que forneceu todas as informações solicitadas. A assessoria, no entanto, não se manifestou sobre a prisão da proprietária.
Operação Narciso
Tranchesi foi presa em sua casa, no Morumbi (zona sul de São Paulo), por volta das 10h, e levada em um carro da Polícia Federal até a sede da superintendência do órgão, na Lapa (zona oeste de São Paulo), onde presta depoimento.
O dono de uma empresa importadora ligada à marca, Celso de Lima, também foi preso. O procurador afirmou que Donata Meirelles, amiga de Tranchesi e mulher do publicitário Nizan Guanaes, só não foi presa pois, apesar de exercer gerência na loja, não exerce uma administração de caráter fiscal ou contábil. "Ela mais propaga o nome da Daslu", disse Magnani.
A operação de combate às supostas irregularidades, que culminou nas prisões, foi promovida por agentes da Polícia Federal, fiscais da Receita Federal e membros do Ministério Público que revistaram a loja da Daslu, localizada na Vila Olímpia (zona sul de São Paulo).
A Daslu funcionou normalmente hoje e não teve produtos apreendidos, apenas documentos. Ações semelhantes foram desenvolvidas em outros três Estados.
Megaloja
As buscas promovidas na loja da Daslu incluíram a revista de todos os veículos que chegavam ao setor de carga e descarga do estabelecimento. Em seus quatro andares, que ocupam cerca de 17 mil metros quadrados, são vendidos de cosméticos a roupas de grifes, carros, móveis e artigos de decoração, até lanchas.

Butique que hoje reúne as mais caras grifes e os brasileiros mais endinheirados, a Daslu iniciou suas atividades em 1958 com uma loja simples que funcionava na própria casa de uma de suas fundadoras, Lucia Piva Albuquerque.
A butique, no entanto, só se transformou em referência de moda no Brasil nos anos 80. Em 1984, com a morte de Lucia Piva Albuquerque, sua filha, Eliana Tranchesi, assume os negócios ao lado de Lourdes Aranha.
Leia mais
Megaoperação fiscaliza e ameaça operações da Daslu
Jornal americano diz que Daslu mostra desigualdade do Brasil
Saiba quem é Eliana Tranchesi, dona da Daslu
Daslu passou de loja caseira a templo dos endinheirados
Especial
Leia o que já foi publicado sobre a Daslu
Dona da Daslu é libertada após quase dez horas de prisão na PF
Publicidade
VINICIUS ALBUQUERQUEda Folha Online
A empresária Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, 49, dona da Daslu, foi libertada na noite desta quarta-feira após ter sido mantida presa por cerca de dez horas na sede da Polícia Federal em São Paulo, onde prestou depoimento. A informação foi confirmada pela assessoria da Daslu.
| Reuters |
![]() |
| Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, dona da loja Daslu |
As investigações prosseguem. Continuam presos Antônio Carlos Piva de Albuquerque, o irmão da empresária que cuidava da administração da Daslu, e Celso Lima, contador e sócio de uma das empresas importadoras da loja. Os dois ainda não prestaram depoimento.
Em depoimento à PF, Tranchesi disse desconhecer os procedimentos contábeis e fiscais de sua loja. Afirmou que se envolve diretamente apenas com o marketing da empresa, segundo o procurador. Além de sócia, Tranchesi responde pela presidência da loja.
Segundo o procurador, o Ministério Público e a Polícia Federal ficaram satisfeitos com o rumo das investigações. No entanto, a empresária não teria negado e nem confirmado as acusações de sonegação fiscal.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Daslu afirmou que colaborou com a operação e que forneceu todas as informações solicitadas. A assessoria, no entanto, não se manifestou sobre a prisão da proprietária.
Operação Narciso
| Eduardo Knapp/Folha Imagem |
![]() |
| Fachada da loja da Daslu, na zona sul de SP |
Tranchesi foi presa em sua casa, no Morumbi (zona sul de São Paulo), por volta das 10h, e levada em um carro da Polícia Federal até a sede da superintendência do órgão, na Lapa (zona oeste de São Paulo), onde presta depoimento.
O dono de uma empresa importadora ligada à marca, Celso de Lima, também foi preso. O procurador afirmou que Donata Meirelles, amiga de Tranchesi e mulher do publicitário Nizan Guanaes, só não foi presa pois, apesar de exercer gerência na loja, não exerce uma administração de caráter fiscal ou contábil. "Ela mais propaga o nome da Daslu", disse Magnani.
A operação de combate às supostas irregularidades, que culminou nas prisões, foi promovida por agentes da Polícia Federal, fiscais da Receita Federal e membros do Ministério Público que revistaram a loja da Daslu, localizada na Vila Olímpia (zona sul de São Paulo).
A Daslu funcionou normalmente hoje e não teve produtos apreendidos, apenas documentos. Ações semelhantes foram desenvolvidas em outros três Estados.
Megaloja
As buscas promovidas na loja da Daslu incluíram a revista de todos os veículos que chegavam ao setor de carga e descarga do estabelecimento. Em seus quatro andares, que ocupam cerca de 17 mil metros quadrados, são vendidos de cosméticos a roupas de grifes, carros, móveis e artigos de decoração, até lanchas.

Butique que hoje reúne as mais caras grifes e os brasileiros mais endinheirados, a Daslu iniciou suas atividades em 1958 com uma loja simples que funcionava na própria casa de uma de suas fundadoras, Lucia Piva Albuquerque.
A butique, no entanto, só se transformou em referência de moda no Brasil nos anos 80. Em 1984, com a morte de Lucia Piva Albuquerque, sua filha, Eliana Tranchesi, assume os negócios ao lado de Lourdes Aranha.
Leia mais
Especial



