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Cotidiano
12/08/2005 - 14h13

Polícia encontra mais dinheiro levado do BC em Fortaleza

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da Folha Online
da Agência Folha

Mais cédulas de R$ 50 supostamente levadas no último fim de semana da caixa-forte do Banco Central de Fortaleza (CE) foram encontradas nesta sexta-feira por agentes da Polícia Federal. Elas estavam escondidas em alguns dos 11 carros apreendidos na noite de quarta quando eram transportados por um caminhão-cegonha, na região de Sete Lagoas (MG).

O prejuízo total causado pelo maior furto a banco já registrado no país superou os R$ 150 milhões estimados inicialmente pela própria PF. Foram levados, ao todo, R$ 164,8 milhões.

A suspeita é que os veículos apreendidos, comprados de uma revendedora da capital cearense e pagos em dinheiro, fossem para os criminosos responsáveis pela ação. O valor encontrado escondido dentro deles já supera os R$ 3 milhões.

Dentro do caminhão seguiam o motorista Rogério Maciel e o próprio dono da empresa JE Transporte, José Charles Machado de Moraes. Eles foram presos. Os sócios da revendedora envolvida na transação, a Brilhe Car, José Elizomartes Fernandes e Demerval Fernandes, foram presos ontem.

Os criminosos entraram na caixa-forte por meio de um túnel, construído a partir de uma casa da região. A van que teria sido usada para retirar parte da terra resultante da escavação e para transportar o dinheiro foi localizada no último dia 9, em um estacionamento da capital cearense.

Dentro da van foram encontrados pacotes com R$ 5.000, em cédulas de R$50, outras sete cédulas de R$ 50 soltas e mais R$ 1,50. No total, havia R$ 5.351,50. Mais de 20 fragmentos de impressões digitais foram coletados.

Investigação

A prisão temporária, por cinco dias, dos dois sócios da revendedora de carros Brilhe Car foi decretada na noite de quinta-feira (11). Foi a empresa que vendeu por R$ 980 mil, pagos em dinheiro, os 11 carros apreendidos.

Com a prisão dos sócios da revendedora, José Elizomartes Fernandes e Demerval Fernandes, já são quatro os suspeitos de envolvimento com a quadrilha.

Até um ano e sete meses atrás, a JE pertencia à Brilhe Car, que vendeu a empresa a Moraes por R$ 200 mil. Os vínculos comerciais se mantiveram, já que o prédio onde funciona a transportadora ainda é dos donos da revenda de veículos.

Uma funcionária disse ontem que seu patrão foi intermediário na compra dos veículos pela quadrilha, na Brilhe Car, ao indicar a revenda para os supostos empresários paulistas interessados em comprar carros para revender em São Paulo. O contato dos ladrões com a transportadora, para combinar o envio dos dois carros a São Paulo, também foi por meio de Charles, diz ela.

Ontem, os proprietários da Brilhe Car passaram o dia na PF depondo. Segundo o advogado deles, Paulo César Feitosa, os donos confirmaram que a compra dos veículos foi feita por Moraes, que pagou tudo em dinheiro no último sábado.

"Ele trouxe o dinheiro em um saco e levou os carros, um a um, possivelmente para sua transportadora", disse Feitosa. O primeiro contato para a venda dos veículos, segundo Feitosa, foi há 15 dias.

O pagamento e a retirada foram feitos no sábado, entre 9h e 15h. A PF desconfia que a ação de retirada de dinheiro do cofre do BC, por um túnel de 80 metros, tenha ocorrido no mesmo dia, até 12h.

Os advogados de José Charles Machado de Moraes, dono da JE Transporte, negam que ele possa ter sido ao menos intermediário na compra dos veículos e que tenha envolvimento com o furto ao Banco Central.

Fuga

O assalto foi descoberto na manhã da última segunda-feira (8), com a chegada dos funcionários. Uma empilhadeira atrapalhou a visibilidade do circuito interno de câmeras da caixa-forte, afirma a polícia.

O equipamento, usado para levantar e movimentar blocos de dinheiro no cofre, foi deixado, no final do turno da sexta passada, justamente num local em que não era possível ver o arrombamento feito no piso para a entrada dos ladrões.

A informação reforça a hipótese da PF de que alguém do próprio banco tenha participado da ação. Não há imagens gravadas do assalto. O circuito de câmeras da caixa-forte, formado por três aparelhos, apenas filmava, não gravava nada. O BC determinou a abertura de uma sindicância interna para investigar o caso.

Um livro com mapas do subsolo de ruas de Fortaleza, com indicações sobre o sistema de água, esgoto e telefone, incluindo a área onde fica o BC, foi encontrado na casa alugada pela quadrilha.

Grandes assaltos

Antes, o maior assalto a banco do país havia sido registrado em julho de 1999, quando 15 homens assaltaram uma agência do Banespa localizada no centro de São Paulo e levaram, em valores atualizados, cerca de R$ 70 milhões.

Em julho de 1990, o Banco Central em Salvador foi alvo de uma quadrilha que levou o equivalente a R$ 53 milhões. No ano seguinte, o assalto ocorreu no Banco Central em Recife, e os ladrões levaram quase R$ 28 milhões.

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