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Cotidiano
19/09/2005 - 09h44

População se revolta com polícia e queima órgãos públicos no PA

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EDSON VALENTE
da Folha de S.Paulo
EDINALDO SOUSA
Colaboração para a Agência Folha, em Marabá

Um grupo com cerca de mil pessoas incendiou e depredou quatro prédios públicos e um privado, além de 13 veículos da frota da prefeitura, em Goianésia do Pará (321 km de Belém), cidade de 29 mil habitantes no interior do Pará, na noite de anteontem. Dezesseis pessoas foram presas.

Os edifícios --delegacia, prefeitura, quartel da PM, Secretaria da Saúde e uma serraria do prefeito-- ficaram quase que totalmente destruídos, segundo a PM.

A maioria dos prédios foi saqueada. Computadores foram levados pelos manifestantes. A revolta da população teria sido motivada pela falta de segurança e pelo não-esclarecimento de casos de estupro no município.

A confusão começou depois que um homem ter levado, durante a tarde, uma garota de cinco anos da casa dela, localizada na rua Jandaia, no bairro Floresta.

A criança brincava com mais duas primas quando o homem chegou e a levou dizendo que iria comprar bolachas para a menina.

Procurada pela família da criança, a polícia teria informado que só tomaria medidas depois de passadas 48 horas.

"Ela [menina] pode ter sido vítima de um maníaco sexual. E as pessoas alegaram que não foi dado o devido tratamento à questão por parte dos órgãos de segurança pública", afirmou Vladisney Reis da Graça, 42, comandante do Batalhão da Polícia Militar de Tucuruí (389 km de Belém).

Até o final da tarde de ontem, a criança ainda não havia sido encontrada. A polícia fez varredura no local onde ela sumiu em companhia do homem, que ainda não havia sido identificado.

Quando os revoltosos chegaram à delegacia, o delegado Sandro Rivelino e alguns policiais tentaram conter a multidão atirando para cima. Devido ao grande número de pessoas, recuaram e abandonaram a delegacia.

Dezenove pessoas detidas foram postas em liberdade pelos moradores da cidade. Dentre os libertos, havia quatro pessoas presas sob acusação de estupro.

Depois, os revoltosos seguiram para os outros prédios públicos onde continuaram a destruição.

O secretário da Comunicação, Marco Mendes, disse ontem não ter a menor idéia do valor do prejuízo. Praticamente todo o patrimônio em veículos foi destruído.

Foram deslocados para a cidade cerca de 60 policiais militares e 25 civis, de Belém e de municípios vizinhos, para o restabelecimento da ordem. Os presos foram levados para a escola de ensino fundamental, que serve de delegacia provisória para os policiais.

O último caso de estupro seguido de morte em Goianésia do Pará foi o de uma secretária de uma escola infantil. Ela ficou em poder de um homem por mais de quatro horas e, depois de ser violentada, foi morta com um tiro.

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