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Cotidiano
30/09/2005 - 00h43

Justiça condena juiz que matou vigia no Ceará a 15 anos de prisão

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KAMILA FERNANDES
da Agência Folha, em Fortaleza

O juiz Pedro Pecy Barbosa de Araújo, 57, acusado de matar o vigia José Renato Coelho Rodrigues, em Sobral (CE), foi condenado, na noite desta quinta-feira, a 15 anos de prisão em regime fechado. A condenação foi por homicídio doloso e por motivo fútil, com agravante de ter impedido a defesa da vítima.

Os advogados de defesa afirmaram que tentarão anular o julgamento no STJ. Eles reclamam de cerceamento da defesa.

O pai do vigia morto, Renato Coelho, disse que não ficou satisfeito com a pena, mas que vai aceitá-la. "Vou vigiá-lo (o juiz) sempre para que cumpra a pena integralmente."

A decisão contou com o voto de 20 desembargadores, que, por unanimidade, decidiram pela condenação. O presidente do Tribunal e o presidente de uma associação de magistrados não votaram. Os desembargadores chegaram ao consenso da pena imposta.

O crime aconteceu há sete meses e foi flagrado pelo circuito interno de câmeras do supermercado onde o vigia trabalhava. Pelas imagens, é possível ver o juiz atirando na nuca de Rodrigues, que não reagiu.

Platéia

Mais de 260 pessoas puderam assistir o julgamento. As pessoas começaram a chegar ao auditório duas horas antes do início. A entrada era permitida por ordem de chegada, sendo necessário mostrar apenas uma identidade e fazer um cadastro.

Com camisetas pretas em que estava escrito "José Renato, que a Justiça repare sua falta", parentes e amigos do vigia lotaram três ônibus cedidos pela Prefeitura de Sobral para acompanhar de perto o julgamento. Como chegaram tarde, apenas dez deles puderam entrar no auditório, que já estava lotado.

Araújo chegou às 13h ao Tribunal de Justiça. Uma hora antes do início do julgamento, foi consultado por um médico do próprio tribunal, Amandio de Sena, que considerou seu estado de saúde bom.

Antes de deixar o Comando do Corpo de Bombeiros, onde está preso desde março, o juiz foi medicado (não foi informado o remédio que tomou e para quê).

A defesa requeria, desde a semana passada, o adiamento do julgamento, ao solicitar um novo laudo médico sobre a saúde mental do juiz. A intenção dos advogados era que Araújo fosse considerado inimputável, por falta de sanidade mental. Tanto o Tribunal de Justiça como o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negaram o pedido.

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