Publicidade

Cotidiano
02/10/2005 - 10h09

Infecção em dentes do siso traz risco de doença cardíaca

Publicidade
FERNANDA BASSETTE
da Folha de S.Paulo

Pessoas que não extraíram os dentes do siso --mesmo aqueles que não chegaram a nascer-- correm mais riscos de desenvolver problemas cardíacos e inflamações na gengiva e de fraturar a mandíbula por conta de um processo de destruição óssea.

Esses problemas ocorrem especialmente quando os dentes do siso --também chamados de terceiros molares-- ficam totalmente inclusos (escondidos) ou nascem parcialmente. Quando nascem corretamente não há riscos de complicações, desde que a higiene bucal seja adequada.

Segundo José Roberto Barone, coordenador do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (regional São Paulo), há casos de o paciente ter todos os dentes saudáveis e desenvolver um problema cardíaco por causa dos dentes do siso que ficaram inclusos.

"Quando o dente do siso não tem espaço no maxilar para erupcionar, ele forma uma espécie de bolsa com os resíduos alimentares em decomposição. Essa bolsa pode infeccionar e formar uma colônia de bactérias. Se essas bactérias caírem na corrente sangüínea, podem migrar para o coração, provocando uma doença chamada endocardite", explicou.

Indolor

Barone acrescentou que nem sempre o paciente sente dor quando há essa infecção interna. "Por isso, em muitos casos a pessoa nem percebe que está com problemas. Quando descobre, as bactérias já se instalaram nas válvulas cardíacas e aí é necessário tratamento específico, feito por um cardiologista", diz.

Luís Augusto Passeri, professor responsável pelo departamento de cirurgia buco-maxilo-facial da Unicamp, explicou que a fratura da mandíbula pode acontecer por causa da formação de um cisto --problema freqüente em casos de dentes do siso inclusos.

"O dente provoca uma destruição óssea muito grande no maxilar. Como essa destruição é lenta, o paciente não sente dor. Mas chega um momento em que uma simples mordida pode fraturar a mandíbula", alerta Passeri.

Diante de todos esse problemas, a indicação de extração dos terceiros molares acontece em cerca de 80% dos casos. As pessoas que ainda têm os dentes do siso devem fazer uma radiografia panorâmica a cada dois anos para saber se existem possíveis lesões.

O ideal é que a cirurgia seja feita até os 30 anos, quando a raiz não está completamente formada. "Depois dos 30 anos o dente fica resistente e a raiz fica entrelaçada no osso, dificultando a cirurgia", explicou o cirurgião buco-maxilo-facial José Carlos Gaspar.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre doenças cardíacas
  •  

    FolhaShop

    Digite produto
    ou marca