Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
07/10/2005 - 23h12

Fenômeno aumenta população de ratos, e hantavirose mata três no PR

Publicidade

THIAGO REIS
da Agência Folha

Três pessoas morreram no Paraná vítimas de hantavirose em decorrência de um fenômeno natural conhecido como "ratada". Em Santa Catarina, uma morte, registrada em Taió (247 km de Florianópolis), dia 25, está sob investigação.

A "ratada" ocorre, em média, a cada 30 anos e é causada pela seca e conseqüente florescer da taquara-lixa (uma espécie de bambu) --que serve de alimento para os ratos silvestres.

Nesta época do ano, há um excesso de sementes da taquara-lixa, o que faz com que haja um aumento da população dos roedores. Como se proliferam de forma rápida, há falta de alimento em poucos meses, e os ratos passam, então, a invadir casas e danificar plantações. A previsão é que a população só se estabilize no início do ano que vem.

As Secretarias da Saúde dos dois Estados já colocaram a população em alerta. No Paraná, as mortes ocorreram nos últimos 15 dias, em Inácio Martins, Guarapuava e Coronel Domingos Soares.

Há mais de dez casos suspeitos no Sul do país. No ano passado, foram confirmados dez casos no Paraná, com cinco mortes. Em Santa Catarina, foram 30 casos. Oito pessoas morreram. Em Caçador (389 km da capital catarinense), os animais roeram até os cabos de fibra óptica do aeroporto regional, que teve de cancelar vôos nos últimos dias.

Os ratos transmitem a doença por meio das fezes e da urina, que depositam em paióis, galpões e nas próprias casas. A infecção ocorre normalmente pela inalação pelo ar, em atividades de limpeza, e pelo contato com o roedor, através da mordida.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, houve um surto na Grande Florianópolis em 2004. Neste ano, a contaminação se concentra no oeste, onde teve início a seca do alimento. Já são dez os municípios com registros de "ratada".

Para o veterinário Antonio Carlos Saraiva Caldas, da Gerência de Zoonoses, o risco de haver um novo surto é grande, uma vez que na área atingida já houve registros de hantavirose e existe a circulação do vírus.

Mas, segundo ele, os próprios ratos fazem uma seleção natural. "A fêmea mata a ninhada. Se percebem que não há alimento para todos, começam a matar os mais fracos."

Os órgãos estaduais afirmam que a única medida possível é educar a população, já que a maioria vive na área rural e tem contato com o rato. Entre as medidas de contenção da enfermidade estão desinfetar locais suspeitos e evitar a entrada dos ratos tapando buracos e ralos.

Os sintomas da hantavirose são febre, dores musculares, mal-estar e vômitos. Depois, a respiração e os batimentos cardíacos aceleram e a pressão arterial pode ficar baixa.

No ano passado, o país registrou 164 casos da doença, com 61 mortes. De 1993 até julho deste ano, o país teve 558 casos da doença. Quase a metade (243) ocorreu no Sul. Pela média nacional, o índice de letalidade fica em 40%.
 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página