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03/12/2005 - 11h09

Daslu ameaça processar ONG da grife Daspu

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JOÃO PEQUENO
Colaboração para a Folha de S. Paulo

Ameaçada de ser processada pela Daslu, considerada o maior centro de compras de luxo do país, a organização não-governamental Davida, que atende prostitutas, estuda uma forma jurídica para tentar manter o nome da sua grife de roupas, a Daspu.

Ele é considerado ofensivo pela loja paulista, que não quer ver sua marca ligada à profissão que a ONG representa.

Em meio a essa discussão, a Davida lança, na próxima segunda-feira, as primeiras criações da grife, em um ensaio de bloco carnavalesco na praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro.

Até lá, a Davida ainda estará dentro do prazo de dez dias estipulado pela Daslu para que mudasse o nome de sua grife. A ONG recebeu a notificação judicial na segunda-feira passada.

A primeira alegação da Daslu é que a semelhança entre os nomes causaria prejuízos. A segunda alegação é que esse semelhança seria um deboche, visando "denegrir'' a imagem da loja.

Coordenadora da Davida, a escritora e prostituta aposentada Gabriela Leite disse à Folha que o advogado da ONG, Marcelo Turra, está analisando se irá enfrentar a Daslu na Justiça.

Elegância

Quanto à acusação de que estaria "denegrindo" o nome da Daslu, Gabriela afirma que é preconceito. "Nós jamais quisemos debochar. Pelo contrário, o nome parecido é apenas uma forma de mostrar que nós, mulheres da vida, também podemos e devemos ser elegantes."

Gabriela fundou a ONG em 1992 como forma de organizar as prostitutas "contra o preconceito" e na luta por bandeiras da categoria, como a prevenção à Aids e a doenças sexualmente transmissíveis, além do reconhecimento da prostituição como profissão legal. "O importante é que a grife vai continuar, mesmo se tivermos que mudar de nome."

A coordenadora da Davida, que é também fundadora da Rede Brasileira de Prostitutas, alfineta a Daslu ao comentar que não considera problema a prostituição, mas sim o processo por sonegação fiscal que envolve a Daslu.

Em julho, a proprietária da Daslu, Eliana Tranchesi, o irmão dela, Antonio Carlos Piva Albuquerque, e o contador Celso Lima foram detidos pela Polícia Federal sob a acusação de sonegação fiscal. Eliana foi liberada 12 horas depois. O irmão e o contador ficaram detidos por cinco dias.

"Eles é que têm problemas com o Estado brasileiro", diz Gabriela.

Linhas

A primeira criação da grife Daspu será mostrada ao público na praça Tiradentes, conhecido ponto de prostituição do Rio. Será a partir das 18h, durante o primeiro ensaio do bloco Prazeres da Vida, formado por prostitutas.

As mulheres "da vida" vão mostrar camisetas criadas pelo designer Sylvio de Oliveira, dentro da linha Folia, uma das quatro desenvolvidas pela grife.

As outras três linhas da Daspu serão as Roupas de Batalha, no estilo chamativo usado pelas garotas de programa quando fazem ponto; a Ativista, com camisetas levantando bandeiras da ONG; e a Básica, "para fora do trabalho, que qualquer mulher usa normalmente", conta Gabriela.

Sem preconceito

O advogado da Daslu, Rui Celso Reali Fragoso, responsável pela notificação à ONG Davida, negou à Folha que a loja tenha algum preconceito contra as prostitutas.

Ele afirmou que a expressão "denegrir" é utilizada como um padrão em notificações jurídicas e que diversas lojas de roupas já foram impedidas de usar nomes semelhantes ao da Daslu pelo mesmo motivo.

Especial
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