12/12/2005
-
09h16
repórter-fotográfico da Folha de S.Paulo
Fazer o motorista esquecer, nem que seja por alguns segundos, do estresse do trânsito. É essa a intenção alegada por quatro jovens que há algumas semanas tapou cerca de cem placas de trânsito, nas principais ruas e avenidas de São Paulo, com desenhos de bichos, foguetes, entre outros.
Procurados pela polícia e criticados pela CET, que reclama dos prejuízos e de que os motoristas ficam desorientados sem as placas, os três rapazes e uma garota se dizem "artistas" e integrantes do grupo "Dom Quixote".
"Não queremos atrapalhar o tráfego. Nosso objetivo é diminuir o ódio e o caos das ruas. Observando as placas as pessoas vão respirar e pensar em outras coisas, além do estresse da cidade", explica um deles, que se identifica como Cavaleiro Negro.
Em entrevista à Folha, na condição de que não fossem identificados, contam que agem sempre de madrugada e que planejam mais "intervenções artísticas".
Os jovens dizem que dividem a cidade por temas. A região da rua Augusta foi batizada de "Zona del Sexo". Já a rua Oscar Freire é chamada de "Zona del Poodle". Lá, no lugar de placas indicando proibido estacionar ou área de zona azul, existem desenhos de cães.
A avenida Brasil, ou "Zona de la Alegria" foi outra carimbada. Na região do parque do Ibirapuera, foram pregados nas sinalizações papéis com uma referência semelhante à entrada de um museu.
RZion, outro integrante do Dom Quixote, diz que a escolha pelas placas "nasceu quando passamos a encarar as placas como uma mídia de alcance direto ao cidadão, altamente disponível."
Para a gerente de marketing Stefania Granito, 30, a idéia do grupo deixou a Oscar Freire, a "Zona de Poodle", a mais descontraída. "Não vejo nenhum aspecto negativo nessas colagens."
Já o vendedor Leonardo Soares, 25, que trabalha na Oscar Freire, pensou que era uma sinalização colocada pela prefeitura. "Achei que era uma placa indicando que não se podia amarrar cachorro ali. Mas ninguém até agora soube me explicar o que é isso", disse.
Segundo a CET, limpar cada placa sai R$ 60. A companhia diz já ter restaurado 25 placas.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre placas de trânsito
Grupo adultera placa para relaxar motorista
Publicidade
EMILIANO CAPOZOLIrepórter-fotográfico da Folha de S.Paulo
Fazer o motorista esquecer, nem que seja por alguns segundos, do estresse do trânsito. É essa a intenção alegada por quatro jovens que há algumas semanas tapou cerca de cem placas de trânsito, nas principais ruas e avenidas de São Paulo, com desenhos de bichos, foguetes, entre outros.
Procurados pela polícia e criticados pela CET, que reclama dos prejuízos e de que os motoristas ficam desorientados sem as placas, os três rapazes e uma garota se dizem "artistas" e integrantes do grupo "Dom Quixote".
| E.Capozoli/Folha Imagem |
![]() |
| Grupo adultera placa para relaxar motorista em São Paulo |
"Não queremos atrapalhar o tráfego. Nosso objetivo é diminuir o ódio e o caos das ruas. Observando as placas as pessoas vão respirar e pensar em outras coisas, além do estresse da cidade", explica um deles, que se identifica como Cavaleiro Negro.
Em entrevista à Folha, na condição de que não fossem identificados, contam que agem sempre de madrugada e que planejam mais "intervenções artísticas".
Os jovens dizem que dividem a cidade por temas. A região da rua Augusta foi batizada de "Zona del Sexo". Já a rua Oscar Freire é chamada de "Zona del Poodle". Lá, no lugar de placas indicando proibido estacionar ou área de zona azul, existem desenhos de cães.
A avenida Brasil, ou "Zona de la Alegria" foi outra carimbada. Na região do parque do Ibirapuera, foram pregados nas sinalizações papéis com uma referência semelhante à entrada de um museu.
RZion, outro integrante do Dom Quixote, diz que a escolha pelas placas "nasceu quando passamos a encarar as placas como uma mídia de alcance direto ao cidadão, altamente disponível."
Para a gerente de marketing Stefania Granito, 30, a idéia do grupo deixou a Oscar Freire, a "Zona de Poodle", a mais descontraída. "Não vejo nenhum aspecto negativo nessas colagens."
Já o vendedor Leonardo Soares, 25, que trabalha na Oscar Freire, pensou que era uma sinalização colocada pela prefeitura. "Achei que era uma placa indicando que não se podia amarrar cachorro ali. Mas ninguém até agora soube me explicar o que é isso", disse.
Segundo a CET, limpar cada placa sai R$ 60. A companhia diz já ter restaurado 25 placas.
Especial



