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Muro dividirá parte da fronteira entre Brasil e Uruguai
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da Agência Folha, em Porto Alegre
A Prefeitura de Chuí, no Rio Grande do Sul, está instalando desde hoje suportes de madeira que sustentarão divisórias de compensado para dividir a cidade do município uruguaio de Chuy.
O objetivo é evitar a presença de camelôs, em sua maioria uruguaios, que instalaram barracas para vender produtos diversos, muitos deles contrabandeados de outros países.
As divisórias de compensado são tábuas de quatro milímetros, que percorrerão toda a divisa entre os dois municípios, a 520 km de Porto Alegre.
O "muro" ocupará em cinco canteiros no centro da divisa. As extremidades ficarão liberadas para o trânsito de pessoas e veículos.
De acordo com o prefeito de Chuí, Mohamed Kassem Jomaa (PFL), 99% dos camelôs existentes atualmente no local são uruguaios. Os brasileiros que ali trabalhavam foram removidos em razão de acordo feito meio ano atrás entre as duas prefeituras. Atualmente, eles estão na rua Peru, de Chuí.
"Todos saem perdendo com esse comércio informal, independentemente de quem tenha a moeda mais forte. Nesse tipo de trabalho, ninguém paga imposto, e isso é ruim para todos", disse o chefe de gabinete do prefeito de Chuí, Idilberto Chagas, um dos responsáveis pela colocação do compensado.
Ao todo, há 80 camelôs trabalhando no local, com estandes e coberturas de lona que deixam uma extremidade aberta para o lado brasileiro da fronteira, o que é criticado pelo prefeito da cidade gaúcha.
Chuí tem pouco mais de 3.000 habitantes. Chuy, cerca de 7.000 moradores.
O prefeito de Chuí foi reeleito no último dia primeiro com 66,8% dos votos. Em Chuy, no lado uruguaio, quem tem tratado da questão é o intendente (governador) do departamento (Estado) de Rocha, no qual a cidade uruguaia se localiza.
"Temos um sério problema de desemprego, não podemos remover as pessoas sem um estudo anterior sobre as consequências sociais. O que também não pode ocorrer é uma interferência nos nossos assuntos internos", disse o intendente Irineu Riet Correa.
Os brasileiros alegam que os uruguaios não cumpriram um acordo celebrado entre a cidade de Chuí e o departamento de Rocha há cinco meses. Os uruguaios dizem que não têm onde colocar os ambulantes.
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