01/03/2006
-
14h37
O presidente da Gaviões da Fiel, Wellington Rocha Júnior, confirmou nesta quarta-feira que a escola, uma das maiores do Carnaval paulista, não vai mais desfilar e está se desligando da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo em repúdio ao tratamento recebido neste ano.
O anúncio já havia sido feito ontem (28), durante a apuração das notas dos jurados. No final da tarde, porém, a diretoria da escola recuou e disse que iria "repensar" sua retirada. "O Carnaval de São Paulo não é disputado na pista, é fora da pista, com manobras", disse Rocha Júnior.
Os problemas entre a agremiação e a Liga começaram em 2005, quando a Gaviões --oriunda da torcida organizada homônima do Corinthians-- venceu no Grupo de Acesso e reconquistou o direito de desfilar pelo Grupo Especial, considerado a elite da competição.
Como ela desfilaria ao lado de outra agremiação oriunda de uma torcida, a Mancha Verde, ligada ao Palmeiras, a Liga recorreu a um dispositivo do regulamento vigente para determinar que ambas competissem entre si, na categoria Grupo Especial das Escolas da Samba Esportivas.
Para obter na Justiça o direito de concorrer ao título de campeã do Carnaval, a Gaviões diz ter investido, ao todo, R$ 80 mil. Semanas antes dos desfiles, uma decisão liminar garantiu à escola o direito de desfilar ao lado das demais integrantes do Grupo Especial e de concorrer com elas.
Para a avenida, a escola levou o enredo "Asas da Imaginação", que falava sobre o anseio de vôo do homem. Teriam sido investidos R$ 2 milhões.
Punição
Um dia antes da apuração, a escola recebeu a notícia de que havia sido punida com a perda de quatro pontos por ter ultrapassado em um minuto e dez segundos o tempo máximo de desfile; e por ter exposto no gerador a marca de uma empresa.
No dia da apresentação da Gaviões, a Liga chegou a considerar a hipótese de tirar pontos da escola também pela exibição do escudo do Corinthians. Porém, a agremiação apresentou uma liminar que permitia a prática.
Apuração
Torcedores compareceram ao sambódromo e acompanharam a apuração cantando o hino do time de costas para os integrantes da mesa apuradora. Indignados por não terem recebido nenhuma nota dez nos primeiros seis quesitos anunciados, os diretores convocaram a torcida a sair.
"Nossos carros eram luxuosos, não tinha como perder pontos", disse Rocha Júnior. Na saída, alguns torcedores tentaram interditar a marginal Tietê, mas foram impedidos pela polícia.
"Estamos indo embora porque temos vergonha na cara. Fomos roubados. Nós fizemos um Carnaval lindo e maravilhoso para termos umas notas dessas", disse a diretora de harmonia Rosa Maria Lopes, ao deixar o sambódromo.
"A Gaviões está abandonando o Carnaval de São Paulo. Sofremos o ano todo uma exclusão. Para o nosso povo é triste, mas não vamos ficar num lugar onde a gente vai tirar sempre nove e nunca vai ser reconhecido", disse Rocha Júnior na apuração.
Leia mais
CPI do Carnaval aguarda aprovação desde junho de 2005 na Câmara
Samba-enredo pode definir disputa das escolas do Rio em caso de empate
Rio conhece hoje a escola campeã
Especial
Leia a cobertura completa sobre o Carnaval 2006
Leia o que já foi publicado sobre o Carnaval
Gaviões da Fiel confirma sua saída do Carnaval paulista
Publicidade
da Folha OnlineO presidente da Gaviões da Fiel, Wellington Rocha Júnior, confirmou nesta quarta-feira que a escola, uma das maiores do Carnaval paulista, não vai mais desfilar e está se desligando da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo em repúdio ao tratamento recebido neste ano.
| Keiny Andrade/Folha Imagem |
![]() |
| A Gaviões, durante o desfile no Sambódromo do Anhembi |
Os problemas entre a agremiação e a Liga começaram em 2005, quando a Gaviões --oriunda da torcida organizada homônima do Corinthians-- venceu no Grupo de Acesso e reconquistou o direito de desfilar pelo Grupo Especial, considerado a elite da competição.
Como ela desfilaria ao lado de outra agremiação oriunda de uma torcida, a Mancha Verde, ligada ao Palmeiras, a Liga recorreu a um dispositivo do regulamento vigente para determinar que ambas competissem entre si, na categoria Grupo Especial das Escolas da Samba Esportivas.
Para obter na Justiça o direito de concorrer ao título de campeã do Carnaval, a Gaviões diz ter investido, ao todo, R$ 80 mil. Semanas antes dos desfiles, uma decisão liminar garantiu à escola o direito de desfilar ao lado das demais integrantes do Grupo Especial e de concorrer com elas.
Para a avenida, a escola levou o enredo "Asas da Imaginação", que falava sobre o anseio de vôo do homem. Teriam sido investidos R$ 2 milhões.
Punição
Um dia antes da apuração, a escola recebeu a notícia de que havia sido punida com a perda de quatro pontos por ter ultrapassado em um minuto e dez segundos o tempo máximo de desfile; e por ter exposto no gerador a marca de uma empresa.
No dia da apresentação da Gaviões, a Liga chegou a considerar a hipótese de tirar pontos da escola também pela exibição do escudo do Corinthians. Porém, a agremiação apresentou uma liminar que permitia a prática.
Apuração
Torcedores compareceram ao sambódromo e acompanharam a apuração cantando o hino do time de costas para os integrantes da mesa apuradora. Indignados por não terem recebido nenhuma nota dez nos primeiros seis quesitos anunciados, os diretores convocaram a torcida a sair.
"Nossos carros eram luxuosos, não tinha como perder pontos", disse Rocha Júnior. Na saída, alguns torcedores tentaram interditar a marginal Tietê, mas foram impedidos pela polícia.
"Estamos indo embora porque temos vergonha na cara. Fomos roubados. Nós fizemos um Carnaval lindo e maravilhoso para termos umas notas dessas", disse a diretora de harmonia Rosa Maria Lopes, ao deixar o sambódromo.
"A Gaviões está abandonando o Carnaval de São Paulo. Sofremos o ano todo uma exclusão. Para o nosso povo é triste, mas não vamos ficar num lugar onde a gente vai tirar sempre nove e nunca vai ser reconhecido", disse Rocha Júnior na apuração.
Leia mais
Especial


