06/03/2006
-
09h43
da Folha de S.Paulo
O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, conseguiu embarcar em um vôo Campinas-Brasília da TAM, na Quarta-Feira de Cinzas, depois de o procedimento de entrada de passageiros no avião ter sido encerrado e com o vôo lotado --conforme informação publicada ontem na coluna de Elio Gaspari na Folha.
Ontem, a TAM informou que o general chegou ao portão de embarque do aeroporto de Viracopos após duas chamadas: a dos passageiros que tinham passagem e a daqueles que estavam na lista de espera, aguardando desistências. Ainda segundo a empresa, o militar se dirigiu então à SAC (Seção de Aviação Civil, subordinada ao DAC), de onde, instantes depois, partiu uma ordem para que a aeronave não começasse a taxiar na cabeceira da pista.
Em seguida, informou a TAM, integrantes da tripulação buscaram, dentro do avião, passageiros que se dispusessem a descer e embarcar no vôo seguinte. Um casal se apresentou. Minutos depois, o general e sua mulher se acomodaram nas poltronas vagas.
A companhia aérea argumentou que a conduta veio em cumprimento a um "comando superior", a uma "determinação do DAC", e não soube dizer quanto tempo o casal que cedeu os lugares esperou pelo vôo seguinte. A TAM afirmou que "provavelmente algum benefício foi dado a eles" e que a troca de passageiros após a conclusão do embarque é inédita.
Já o Comando da Aeronáutica (ao qual o DAC responde) informou que a SAC apenas mandou que a empresa "verificasse a possibilidade de o passageiro [general] embarcar". Diz que, quando há overbooking (venda de passagens acima da capacidade do avião), o DAC "trabalha para solucionar o problema".
Segundo a Aeronáutica, o departamento "não tira pessoas do avião". Afirmou ainda que "é a empresa quem faz a consulta" e que o procedimento poderia ter beneficiado um passageiro civil.
A TAM não confirmou a informação de que houve overbooking no vôo em questão.
A Superintendência de Comunicação da Infraero informou que a ordem para que o avião da TAM voltasse para o pátio partiu da torre de controle do aeroporto, que recebe ordens do Comando da Aeronáutica.
O Exército não quis se pronunciar sobre o caso. O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, não foi encontrado pela reportagem da Folha.
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o general Francisco Albuquerque
Leia o que já foi publicado sobre o DAC
General breca vôo e embarca em avião lotado
Publicidade
LUCAS NEVESda Folha de S.Paulo
O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, conseguiu embarcar em um vôo Campinas-Brasília da TAM, na Quarta-Feira de Cinzas, depois de o procedimento de entrada de passageiros no avião ter sido encerrado e com o vôo lotado --conforme informação publicada ontem na coluna de Elio Gaspari na Folha.
Ontem, a TAM informou que o general chegou ao portão de embarque do aeroporto de Viracopos após duas chamadas: a dos passageiros que tinham passagem e a daqueles que estavam na lista de espera, aguardando desistências. Ainda segundo a empresa, o militar se dirigiu então à SAC (Seção de Aviação Civil, subordinada ao DAC), de onde, instantes depois, partiu uma ordem para que a aeronave não começasse a taxiar na cabeceira da pista.
Em seguida, informou a TAM, integrantes da tripulação buscaram, dentro do avião, passageiros que se dispusessem a descer e embarcar no vôo seguinte. Um casal se apresentou. Minutos depois, o general e sua mulher se acomodaram nas poltronas vagas.
A companhia aérea argumentou que a conduta veio em cumprimento a um "comando superior", a uma "determinação do DAC", e não soube dizer quanto tempo o casal que cedeu os lugares esperou pelo vôo seguinte. A TAM afirmou que "provavelmente algum benefício foi dado a eles" e que a troca de passageiros após a conclusão do embarque é inédita.
Já o Comando da Aeronáutica (ao qual o DAC responde) informou que a SAC apenas mandou que a empresa "verificasse a possibilidade de o passageiro [general] embarcar". Diz que, quando há overbooking (venda de passagens acima da capacidade do avião), o DAC "trabalha para solucionar o problema".
Segundo a Aeronáutica, o departamento "não tira pessoas do avião". Afirmou ainda que "é a empresa quem faz a consulta" e que o procedimento poderia ter beneficiado um passageiro civil.
A TAM não confirmou a informação de que houve overbooking no vôo em questão.
A Superintendência de Comunicação da Infraero informou que a ordem para que o avião da TAM voltasse para o pátio partiu da torre de controle do aeroporto, que recebe ordens do Comando da Aeronáutica.
O Exército não quis se pronunciar sobre o caso. O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, não foi encontrado pela reportagem da Folha.
Especial

