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Cotidiano
16/05/2006 - 18h43

Ônibus são incendiados na zona norte de SP; perueiros são suspeitos

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da Folha Online

Dois ônibus foram alvo de vandalismo nesta terça-feira, na zona norte de São Paulo. Havia suspeitas de que os casos estivessem ligados aos incêndios criminosos promovidos desde sexta (12) em todo o Estado mas, segundo informações preliminares da PM (Polícia Militar), os responsáveis --ao menos desta vez-- foram perueiros.

Na madrugada desta terça, Lourival Silva de Paula foi preso suspeito de coordenar os mais de 50 ataques a ônibus ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Em todo o Estado, foram 90.

O primeiro ônibus foi incendiado por volta das 16h30, na avenida Antonelo da Messina, no Tremembé. Minutos depois, um segundo ônibus foi depredado na rua dos Filhos da Terra, na mesma região. Ninguém ficou ferido.

De acordo com depoimento preliminar de testemunhas à PM, ambos ataques foram realizados por perueiros que atuam na região. Eles teriam se aproveitado da onda de violência que atinge o Estado para prejudicar seus concorrentes e atrair mais passageiros.

Desde sexta, cerca de 80 ônibus foram esvaziados e incendiados por criminosos, em todo o Estado. Não há registro de mortes. Os incêndios estariam ligados à série de ataques contra forças de segurança paulistas promovida pelo PCC.

Os incêndios, os ataques --que provocaram a morte de 115 pessoas, ao todo-- e uma onda rebeliões --que atingiu 80 unidades-- seriam parte da retaliação do PCC à decisão do governo estadual de isolar lideranças da facção. Na quinta-feira passada (11), 765 presos foram transferidos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), em uma tentativa de evitar a articulação de ações criminosas.

No dia seguinte, oito líderes do PCC foram levados para a sede do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), em Santana (zona norte de São Paulo). Entre eles estava o líder da facção, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. No sábado, ele foi levado para a penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo), considerada a mais segura do país. Na unidade, ele ficará sob o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), mais rigoroso.

Em meio à onda de violência, no domingo (14), Marcola recebeu a visita de sua advogada, conforme admitiu nesta terça-feira o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges. O procedimento é incomum, conforme as regras do RDD. A suspeita é que o governo tenha feito um acordo com o criminoso para encerrar as ações da facção.

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