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Cotidiano
02/06/2006 - 16h15

Acrimesp pede na Justiça transmissão de júri do caso Richthofen

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da Folha Online

A Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo) pediu nesta sexta-feira, no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, a transmissão pela televisão do julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. Na quarta-feira, o STF (Supremo Tribunal Federal), responsável pela TV Justiça desistiu de transmitir o júri.

"Recebemos várias ligações e 3.400 e-mails pedindo posicionamento em relação à transmissão", diz o advogado Ademar Gomes, da Acrimesp. "É um ato público, tem que ter transparência e publicidade. A lei garante isso", afirma.

De acordo com o advogado, o pedido se baseia na lei 5.250, a Lei de Imprensa, editada em 1.967. No pedido, Gomes não limita a transmissão pela TV Justiça. O advogado pretende que qualquer canal de televisão que pretenda transmitir o julgamento seja autorizado.

O interesse do público pelo caso foi confirmado depois que o TJ divulgou o número de inscritos para acompanhar o caso. Ao todo, cerca de 5.000 pessoas fizeram inscrição para assistir ao júri, mas o local tem apenas 80 lugares, os quais foram sorteadas na quinta-feira (1º).

Imprensa

O TJ deve decidir nesta sexta-feira se a imprensa poderá acompanhar o julgamento. Um habeas corpus pede a proibição do acesso da imprensa ao julgamento. No total, 49 veículos foram credenciados para acompanhar o júri.

O pedido foi movido pela defesa de Suzane --filha das vítimas e ré confessa no processo que a acusa do crime. Também são réus confessos os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

De acordo com a decisão, poderão ser filmadas e exibidas apenas imagens da escolha dos jurados e da leitura da sentença.

O habeas corpus movido pela defesa de Suzane, porém, pretende vetar não apenas as câmeras mas também fotografias e captações de sons. Para os advogados da ré, os equipamentos podem inibir os jurados, que correriam o risco de sofrer represálias caso julguem que Suzane é inocente.

Nesta sexta-feira, outro pedido da defesa de Suzane foi indeferido. Os advogados pretendiam que a Justiça impedisse a promotoria de exibir a entrevista concedida por ela no último mês de abril ao "Fantástico", da Rede Globo, para os jurados e para o público.

Suzane concedeu a entrevista quando estava em liberdade provisória. O material foi ao ar no dia 9 de abril e causou polêmica.

Segundo o material, nos intervalos da gravação, os advogados de Suzane foram flagrados orientando a cliente a chorar e a demonstrar fragilidade diante das câmeras. Segundo a Globo, Suzane interrompeu a entrevista onze vezes para chorar, mas em nenhuma delas tinha sinais de lágrimas.

Um dia após a prisão de Suzane, Barni classificou o episódio como "um verdadeiro mal-entendido". Ele disse que estava pedindo para Suzane "chorar para o irmão".

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