17/06/2006
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09h20
Em apenas uma semana, cerca de 180 mulheres se candidataram a um prêmio inusitado: uma cirurgia plástica. A vencedora escolhe, na inscrição, a cirurgia pretendida, e, como contrapartida, cede sua imagem ao Centro Nacional de Cirurgia Plástica, empresa com sedes em São Paulo e no Rio, e que está organizando o concurso.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) condena o concurso. O presidente da SBCP no Rio, o cirurgião plástico Luiz Mário Bonfatti Ribeiro, diz ser antiético oferecer uma cirurgia em um concurso. "É desrespeitoso. Uma cirurgia plástica é o produto final da relação médico-paciente."
O Conselho Federal de Medicina proíbe que médicos ofereçam serviços profissionais como prêmio em concursos.
O diretor do Centro Nacional de Cirurgia Plástica, Arnaldo Korn, que não é médico, argumenta que a relação médico-paciente criada pelo concurso é igual a de uma pessoa que procura um cirurgião plástico que não conhece. "Você também não conhece o médico quando o procura no livro do plano de saúde", argumenta.
Segundo o regulamento, a contemplada com a cirurgia "cederá sua imagem para ser garota-propaganda e terá sua imagem veiculada no site e em diversos meios de comunicação por 24 meses".
São critérios do concurso a necessidade de cirurgia e a beleza. A vencedora será escolhida por meio de votação pela internet. No anúncio, os organizadores afirmam que o concurso pode "impulsionar a carreira de modelo".
O regulamento não exige exames médicos para a inscrição. No entanto, o diretor do centro diz que a vencedora terá que realizar todos os exames necessários. Caso seja detectado algum problema, não haverá cirurgia. "Neste caso, o cliente deve até nos agradecer."
A maioria das mulheres que se inscreveram no concurso tem de 18 a 25 anos e quer um implante de silicone nos seios. É o caso de Monique Carvalho Marrafa Ribeiro, 23. Estudante do último ano de enfermagem na Uerj, ela se inscreveu apoiada na experiência de uma amiga, que fez a mesma operação.
A estudante diz que, apesar do risco, um implante de silicone no seio é "um sonho muito grande, desde novinha".
A rádio paulistana Kiss FM, em parceria com a Master Health, empresa de planos de cirurgia plástica, promove um concurso que também dá uma operação como prêmio. Para participar, a ouvinte envia um e-mail dizendo "qual parte do corpo do seu namorado/marido você mudaria?".
Evaldo Rodrigues, diretor da rádio, não foi localizado para comentar a promoção.
Especial
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Cirurgia plástica vira prêmio em concurso de beleza
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da Folha de S.Paulo, no RioEm apenas uma semana, cerca de 180 mulheres se candidataram a um prêmio inusitado: uma cirurgia plástica. A vencedora escolhe, na inscrição, a cirurgia pretendida, e, como contrapartida, cede sua imagem ao Centro Nacional de Cirurgia Plástica, empresa com sedes em São Paulo e no Rio, e que está organizando o concurso.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) condena o concurso. O presidente da SBCP no Rio, o cirurgião plástico Luiz Mário Bonfatti Ribeiro, diz ser antiético oferecer uma cirurgia em um concurso. "É desrespeitoso. Uma cirurgia plástica é o produto final da relação médico-paciente."
O Conselho Federal de Medicina proíbe que médicos ofereçam serviços profissionais como prêmio em concursos.
O diretor do Centro Nacional de Cirurgia Plástica, Arnaldo Korn, que não é médico, argumenta que a relação médico-paciente criada pelo concurso é igual a de uma pessoa que procura um cirurgião plástico que não conhece. "Você também não conhece o médico quando o procura no livro do plano de saúde", argumenta.
Segundo o regulamento, a contemplada com a cirurgia "cederá sua imagem para ser garota-propaganda e terá sua imagem veiculada no site e em diversos meios de comunicação por 24 meses".
São critérios do concurso a necessidade de cirurgia e a beleza. A vencedora será escolhida por meio de votação pela internet. No anúncio, os organizadores afirmam que o concurso pode "impulsionar a carreira de modelo".
O regulamento não exige exames médicos para a inscrição. No entanto, o diretor do centro diz que a vencedora terá que realizar todos os exames necessários. Caso seja detectado algum problema, não haverá cirurgia. "Neste caso, o cliente deve até nos agradecer."
A maioria das mulheres que se inscreveram no concurso tem de 18 a 25 anos e quer um implante de silicone nos seios. É o caso de Monique Carvalho Marrafa Ribeiro, 23. Estudante do último ano de enfermagem na Uerj, ela se inscreveu apoiada na experiência de uma amiga, que fez a mesma operação.
A estudante diz que, apesar do risco, um implante de silicone no seio é "um sonho muito grande, desde novinha".
A rádio paulistana Kiss FM, em parceria com a Master Health, empresa de planos de cirurgia plástica, promove um concurso que também dá uma operação como prêmio. Para participar, a ouvinte envia um e-mail dizendo "qual parte do corpo do seu namorado/marido você mudaria?".
Evaldo Rodrigues, diretor da rádio, não foi localizado para comentar a promoção.
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