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Cotidiano
31/07/2006 - 09h24

Mulheres operam central telefônica do PCC

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KLEBER TOMAZ
da Folha de S.Paulo

Cada vez mais mulheres estão comandando as centrais telefônicas clandestinas do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado de São Paulo.

Desde o início dos ataques da facção, em maio, o serviço de inteligência das forças de segurança já cadastrou 49 pessoas como operadoras do chat (bate-papo por telefone) criminoso. Sendo que 25 delas, a maioria, são do sexo feminino.

As mulheres estão ligadas a membros do PCC por laços familiares ou afetivos. É comum encontrar mães, irmãs e namoradas de presos atuando como telefonistas da organização.

"Hoje elas comandam as centrais. Os homens estão perdendo espaço porque são mais bem aproveitados nas ações terroristas", diz o delegado Paul Henry Borzon Verduraz, do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), em São Bernardo do Campo.

As ações coordenadas por criminosos do PCC são favorecidas pelo uso de telefones celulares, fora ou, irregularmente, dentro das cadeias.

Nesses locais, mulheres realizam transferências de chamadas para a convenção criminosa. Desta forma, a facção consegue controlar o tráfico de drogas ou planejar seqüestros e homicídios. Mais de 50 mortes foram atribuídas ao PCC nas duas últimas ondas de ataques no Estado de São Paulo (12 a 19 de maio e a partir de 11 de julho).

Só no ABC, mulheres chefiavam 17 das 25 centrais clandestinas encontradas pela polícia. Geralmente, elas são descobertas por meio de denúncias anônimas. Devido ao fato desses locais serem usados pelo PCC, empresas de telefonia avisam aos policiais quando há falta de pagamento das contas. Isso ajuda a Justiça a autorizar os "grampos" nas centrais.

Confirmado o envolvimento com a facção, a polícia age. Na última quinta-feira, foram detidas mãe, filha e uma jovem em São Bernardo do Campo. O modus operandi das mulheres do PCC é o mesmo: alugam casas com o intuito de instalar, de forma clandestina ou legalizada, a central. Elas se aproveitam também da ingenuidade e da má-fé das pessoas.

"Fui ingênua, deixei essas mulheres [ligadas ao PCC] instalarem o aparelho na minha casa porque eu poderia usar o telefone e não pagaria a conta. Sabia que elas falavam com presos, mas não tinha idéia que eram dessa "pcceraigem'", disse a dona-de-casa Salete Roberto da Silva, 55, que foi liberada e responderá por fraude.

A Telefônica, operadora de telefonia fixa no Estado, indica que, mensalmente, são registradas de dez a 20 ocorrências relativas a centrais clandestinas. Recentemente a polícia prendeu um instalador que prestava serviço à Telefônica, mas, por fora, cobrava R$ 200 das mulheres do PCC para pôr linhas irregulares, ou "gatos". Numa casa havia 250 ligações a cobrar em uma semana.

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