05/08/2006
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11h41
da Folha de S.Paulo
O número de animais silvestres apreendidos no Estado de São Paulo bateu recorde histórico no ano passado. As apreensões voltaram a subir, após queda entre 2003 e 2004, e chegaram a 25.111, segundo relatório da Polícia Militar Ambiental.
Os números fazem parte da primeira base de dados organizada pela polícia, que também mapeou os principais pontos de apreensões no Estado. Para o tenente Marcelo Robis Nassaro, que coordenou o levantamento, as causas do salto são tanto o aumento da fiscalização --houve 7.059 operações em 2005, contra 4.094 de 2004-- como a maior atuação de quadrilhas especializadas.
O levantamento confirma São Paulo como rota e destino final de animais retirados das matas em outros Estados --somente 18% deles vieram de solo paulista. É um negócio lucrativo que, segundo as Nações Unidas, representa só no Brasil uma movimentação financeira anual de cerca de US$ 1,5 bilhão --um quinto do Orçamento da cidade de São Paulo.
A polícia identificou três focos principais de apreensões, sempre ao longo das estradas: rodovias que passam pela capital paulista --Dutra, Castello Branco e Regis Bittencourt--, Washington Luís e BR-153, que cruza o Estado entre São José do Rio Preto e Ourinhos.
A preferência dos traficantes, na maioria das vezes, é por aves --mais fáceis de transportar clandestinamente e de vender--, como curió, canário-da-terra, e azulão. Um curió é vendido por pelo menos R$ 300, mas pode alcançar valores bem maiores fora do Brasil.
Diante dos números, a Polícia Ambiental enfrenta um problema de difícil solução: onde manter os animais enquanto eles não são levados de volta para o habitat natural. Para Jury Seino, analista ambiental do Ibama em São Paulo, é preciso ampliar os centros de triagem no Estado --existem cinco, além de três em fase de implementação--, mas a prioridade deve ser o combate ao tráfico de animais. "Eles [centros] nunca serão suficientes, porque o tráfico continua. É preciso um trabalho na origem."
Esse combate, explica ela, exige investigação e uso de serviço de inteligência, mas também maior consciência por parte da população. "Apesar de todo mundo se horrorizar ao ver a foto do bicho preso, se o tráfico existe é porque tem consumidor."
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Apreensão de animais bate recorde em São Paulo
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JOSÉ ERNESTO CREDENDIOda Folha de S.Paulo
O número de animais silvestres apreendidos no Estado de São Paulo bateu recorde histórico no ano passado. As apreensões voltaram a subir, após queda entre 2003 e 2004, e chegaram a 25.111, segundo relatório da Polícia Militar Ambiental.
Os números fazem parte da primeira base de dados organizada pela polícia, que também mapeou os principais pontos de apreensões no Estado. Para o tenente Marcelo Robis Nassaro, que coordenou o levantamento, as causas do salto são tanto o aumento da fiscalização --houve 7.059 operações em 2005, contra 4.094 de 2004-- como a maior atuação de quadrilhas especializadas.
O levantamento confirma São Paulo como rota e destino final de animais retirados das matas em outros Estados --somente 18% deles vieram de solo paulista. É um negócio lucrativo que, segundo as Nações Unidas, representa só no Brasil uma movimentação financeira anual de cerca de US$ 1,5 bilhão --um quinto do Orçamento da cidade de São Paulo.
A polícia identificou três focos principais de apreensões, sempre ao longo das estradas: rodovias que passam pela capital paulista --Dutra, Castello Branco e Regis Bittencourt--, Washington Luís e BR-153, que cruza o Estado entre São José do Rio Preto e Ourinhos.
A preferência dos traficantes, na maioria das vezes, é por aves --mais fáceis de transportar clandestinamente e de vender--, como curió, canário-da-terra, e azulão. Um curió é vendido por pelo menos R$ 300, mas pode alcançar valores bem maiores fora do Brasil.
Diante dos números, a Polícia Ambiental enfrenta um problema de difícil solução: onde manter os animais enquanto eles não são levados de volta para o habitat natural. Para Jury Seino, analista ambiental do Ibama em São Paulo, é preciso ampliar os centros de triagem no Estado --existem cinco, além de três em fase de implementação--, mas a prioridade deve ser o combate ao tráfico de animais. "Eles [centros] nunca serão suficientes, porque o tráfico continua. É preciso um trabalho na origem."
Esse combate, explica ela, exige investigação e uso de serviço de inteligência, mas também maior consciência por parte da população. "Apesar de todo mundo se horrorizar ao ver a foto do bicho preso, se o tráfico existe é porque tem consumidor."
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