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Cotidiano
30/08/2006 - 09h38

Alunos depredam escola estadual em Guarulhos

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do Agora

Estudantes da escola estadual Maurício Nazar --uma das maiores de Guarulhos (região metropolitana de SP)-- promoveram um tumulto generalizado na segunda-feira, que provocou a destruição de carteiras, banheiros e alambrados.

Um princípio de incêndio foi controlado por funcionários. Bombas de festa junina foram estouradas dentro de banheiros durante o quebra-quebra, que durou 20 minutos, contaram professores.

A escola tem sido alvo de atos de vandalismo nas últimas semanas e, desde ontem, a Polícia Militar reforçou o policiamento no seu entorno.

De acordo com a versão da direção e de pais de estudantes, a causa das depredações e pichações é a implantação de regras mais rígidas --a escola deixava os portões abertos, e parte dos estudantes aproveitava para ir embora no intervalo das aulas; agora os portões ficam fechados.

A unidade tem 2.020 alunos divididos em 45 turmas, da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ensino médio, em três períodos, e fica na ocupação Parque Santos Dumont, uma região violenta da cidade.

A PM interveio para conter o tumulto de segunda-feira, e dez supostos envolvidos nos atos de vandalismo, todos menores de idade, foram detidos e liberados horas depois. Ninguém ficou ferido. "Nunca vi nada igual em mais de 15 anos de profissão, os alunos jogavam carteiras do segundo andar no pátio. Foi uma rebelião", contou a diretora da escola, Juvercina de Carvalho Pereira.

Inquérito

A Polícia Civil abriu inquérito. Sete adolescentes identificados como os mentores do tumulto foram ouvidos ontem na 1ª Vara da Infância. "Temos de analisar se há maiores de idade envolvidos. Devemos começar a ouvir depoimentos de funcionários nos próximos dias", disse o delegado-assistente do 7º DP de Guarulhos, Rogério Alves Pereira.

Docentes, funcionários e alunos dizem que o incidente de segunda poderia ter virado uma tragédia caso o fogo ateado por estudantes em carteiras e no lixo da escola tivesse se alastrado. "Fiquei com muito medo", contou uma inspetora.

Aluno do 1º colegial, Rogério Braga, 18, confirmou que a revolta dos estudantes é resultado de restrições às saídas de alunos nos intervalos. "A galera estava acostumada a ir embora após a terceira aula."

A Secretaria de Estado da Educação informou que uma sindicância interna foi aberta ontem pela regional norte da Diretoria de Ensino de Guarulhos para apurar os motivos e os responsáveis pelos atos de vandalismo ocorridos na escola Maurício Nazar.

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