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Cotidiano
30/09/2006 - 16h00

Para especialista, é cedo para apontar causas do acidente com avião da Gol

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio de Janeiro

O especialista em segurança de vôo do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), Ronaldo Jenkis, disse que ainda é muito cedo para apontar as causas da queda do Boeing 737-800 da Gol, ocorrido na tarde de ontem no Mato Grosso, a 200 km de Peixoto Azevedo.

Segundo ele, uma investigação deve ser conduzida pelo comando da aeronáutica e pode durar no mínimo 90 dias para ser concluída. O especialista afirmou também que, caso haja necessidade de mais esclarecimentos, as investigações podem ser prorrogadas por período indeterminado. "Vai durar o tempo que for necessário", disse.

De acordo com Jenkis, a investigação levará em conta análise dos gravadores dos dados de vôo, gravadores de voz, imagens por radar, comunicações com órgãos de controle, além dos depoimentos dos passageiros do avião modelo Legacy, da Embraer, que teria colidido com a aeronave da Gol.

"Tudo é possível, mas não temos nenhum tipo de fato que possa desenvolver uma análise nesse momento, os fatos vão aparecer durante a investigação e temos que aguardar o andamento", afirmou.

Investigação

Integrantes da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) especializados em segurança ainda irão iniciar as investigações sobre as causas do acidente --a conclusão pode demorar três meses ou mais para sair, afirmou Denise Abreu, diretora do órgão.

O piloto, o comandante Décio Chaves Jr., tinha 10 mil horas de vôo. A Gol informou que o avião desaparecido era novo --tinha apenas 200 horas de vôo. Segundo a empresa aérea, o Boeing foi recebido do fabricante em 12 de setembro passado.

O piloto do Legacy já foi ouvido, mas não foram divulgados detalhes de suas declarações --a Infraero tampouco não informou o nome dos passageiros do jato.

Perguntas

Segundo o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira, piloto experiente, é preciso descobrir o motivo de dois aviões bem equipados e novos estarem no mesmo nível, quando deveriam estar a uma distância mínima de 300 metros. 'São aviões com equipamentos anticolisão. Precisamos saber por que eles não evitaram o acidente', disse o tenente-brigadeiro.

Pereira também levantou a necessidade de esclarecimentos acerca do fato de qual avião estaria acima ou abaixo do nível correto, e ressaltou que a altura das aeronaves, entre 36 e 37 mil pés, é completamente visualizada por radares.

Na velocidade em que os aviões estavam, de acordo com Pereira, seria impossível aos pilotos fazerem qualquer identificação visual de outro avião. No entanto, os equipamentos deveriam ter alertado sobre a possibilidade de rotas coincidentes.

Quando isso acontece, o sistema alerta o piloto com sinais sonoros e luminosos, além de orientar o procedimento. 'O piloto não precisa raciocinar, basta seguir a orientação', explicou.

Relatos

O radioamador Laudir Benevides, 56, morador de Alexânia (GO), disse ter avisado a Polícia Civil de Brasília sobre o desaparecimento do avião. Ele disse que estava com outros radioamadores quando a freqüência foi interrompida por um rapaz que afirmou ter visto um avião de grande porte voando baixo perto da fazenda Jarinã, na cidade de Matupá (MT), e depois escutado um estrondo. 'Possivelmente seria uma explosão', disse.

Segundo afirmou à Folha Online, após avisar a polícia, funcionários da Gol entraram em contato com ele. De acordo com Benevides, o local apontado 'é uma área de difícil acesso'.

Pilotos de táxi aéreo da região norte de Mato Grosso ouvidos pela Agência Folha também disseram que moradores de uma fazenda Jarinã, próxima à cidade de Peixoto de Azevedo (701 km ao norte de Cuiabá) ligaram para o piloto Silvio Corrêa e pediram o telefone do Campo de Provas da Serra do Cachimbo, após ouvirem a possível explosão.

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