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01/11/2006 - 09h18

Controle aéreo no Brasil preocupa entidade

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ALENCAR IZIDORO
da Folha de S.Paulo

A situação do controle de tráfego aéreo no Brasil é alvo de preocupação da entidade internacional que reúne a categoria.

Segundo a Ifatca (federação internacional dos controladores de tráfego aéreo), os profissionais de Brasília às vezes monitoravam uma quantidade de vôos acima da capacidade recomendada pela própria Aeronáutica, algo que não é ideal, e é essa a razão para terem mudado a rotina de trabalho nos últimos dias --e não um "protesto".

"Esse setores podem aceitar no máximo 14 vôos ao mesmo tempo, e isso às vezes não é suficiente", disse à Folha Christoph Gilgen, representante da federação na Suíça. "Os supervisores que aceitam mais vôos do que é oficialmente determinado, passando assim acima do padrão que foi determinado como seguro, vão expor esse sistema de controle a um risco enorme. Isso tem que ser evitado a todo custo."

Integrantes da Ifatca vieram ao Brasil nos dias que se seguiram ao acidente da Gol. Extra-oficialmente, avaliaram a necessidade de melhorias nas condições de trabalho dos controladores --como a falta de pausas e salários defasados.

Na Europa, um profissional desses chega a ganhar perto de 7.000/mês (quase R$ 19 mil) em alguns países e faz pausas "sagradas" a cada duas horas de trabalho. No Brasil, os salários médios ficam próximos de R$ 2.000, e a pausa não é rigorosa.

O que mais surpreendeu alguns membros da federação após se reunir com a cúpula dos órgãos brasileiros de aviação, segundo a Folha apurou, foi a posição de autoridades de não querer discutir eventuais falhas nos serviços de vôo, como se tudo estivesse perfeito.

Gilgen afirma que os limites de vôo por operador devem ser estudados em cada região, se não houver uma norma padrão. A quantidade de vôos superior a 14 para um controlador monitorar não é, por si só, alta.

Na Europa e nos EUA, diz a federação, há setores onde um profissional chega a cuidar de 20 a 30 vôos. Ela ressalva, porém, que isso não significa que no Brasil a situação seja melhor, porque tudo depende de fatores que vão da quantidade de cruzamento de aeronaves às condições de trabalho e ao estado dos aparelhos como rádios de comunicação e radares.

O representante da Ifatca foi questionado se a situação do tráfego aéreo brasileiro era vista no mundo como segura. Ele alegou que não poderia dar essa resposta "neste momento".

Gilgen diz que os operadores que trabalham em Brasília agem de forma correta nos últimos dias porque precisam recuperar um estado de confiança anterior ao acidente da Gol.

Ele comparou a redução da atividade à realizada na Suíça depois da colisão entre dois aviões em 2002. O trabalho dos operadores foi diminuído em 30% para que eles pudessem "digerir esse golpe duro". "Após uma tragédia como essa, os controladores precisam de muita calma. É importante operar nos limites definidos e dar a eles um tempo para voltar a um estado de alta confiança."

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