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01/11/2006 - 17h10

Chuva impede pousos em Congonhas; atrasos atingem vôos no país

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da Folha Online

O aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) fechou para pousos, às 16h20 desta quarta-feira, véspera do feriado prolongado de Finados, devido à forte chuva que atingia a região naquele horário. O problema deve agravar os atrasos nos vôos, registrados desde a manhã, no sexto dia de operação-padrão dos controladores de tráfego aéreo.

Toda a cidade está em estado de atenção devido à possibilidade de que ocorram alagamentos desde as 16h, de acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) da prefeitura. Somados a chuva e o movimento de saída para o feriado, a lentidão em São Paulo tinha 140 km de extensão às 17h, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

O caos nos aeroportos começou na última sexta-feira (27), quando os controladores de Brasília iniciaram uma operação-padrão --elevaram a distância entre os aviões e reduziram o número de aeronaves vigiadas por controlador. As normas internacionais determinam que cada operador deve controlar, no máximo, 14 aeronaves no mesmo instante.

Na tarde desta quarta, os aeroportos registravam tempo de espera para decolagem de uma hora e meia, em média.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Jorge Carlos Botelho, a situação deve voltar a normal em dez dias, após o controle aéreo de Brasília receber dez controladores que serão remanejados de outros Estados. A demora deverá ocorrer devido ao tempo necessário para treinamento.

"Não tem jeito. A população e o setor de aviação têm que se adequar. A aviação cresceu demais e a estrutura do espaço aérea não foi atualizada para suportar", disse Jorge Carlos Botelho, presidente do sindicato, que participou de uma reunião da categoria com o ministro da Defesa, Waldir Pires.

Atrasos

No aeroporto internacional de São Paulo em Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), das 3h às 14h30, 32 vôos atrasaram. O pior caso era de um vôo da Gol que saiu de Manaus (AM) e deveria ter chegado ao terminal paulista às 9h40, mas ainda não havia pousado, às 15h15. os atrasos ocorridos variavam de 30 minutos a duas horas.

No aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), das 6h às 13h30, cerca de 160 vôos --entre pousos e decolagens-- sofreram atrasos que variaram de 45 minutos a uma hora e meia.

No aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, o tempo de espera chegou a três horas. Pela manhã, foi registrado atraso de cinco horas em um vôo.

No aeroporto Tom Jobim, no Rio, a espera, na tarde desta quarta, era de 40 minutos. Pela manhã, chegou a três horas. De acordo com a Infraero (estatal que administra os aeroportos), o caso mais grave era de um vôo da Varig com destino a Buenos Aires (Argentina) que deveria ter partido às 7h30 e tinha saída prevista apenas para 14h30.

Também foram registrados atrasos de até duas horas e meia em Fortaleza e de uma hora e meia em Salvador e em Recife.

Crise

A crise no setor aéreo começou na última sexta-feira (27), quando os controladores de Brasília iniciaram uma operação-padrão --elevaram a distância entre os aviões e reduziram o número de aeronaves vigiadas por controlador. As normas internacionais determinam que cada operador deve controlar, no máximo, 14 aeronaves no mesmo instante.

O trabalho no Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), com sede em Brasília, está desfalcado desde o afastamento de oito controladores, após a queda do avião da Gol em Mato Grosso, que resultou na morte dos 154 ocupantes, em 29 de setembro.

Medidas

Na terça-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou as principais autoridades do setor e, ao final da reunião, o ministro da Defesa, Waldir Pires, anunciou algumas medidas para tentar conter a crise no tráfego aéreo, porém, admitiu não ter garantias de que a situação se normalize nos próximos dias. "Estamos trabalhando para uma solução mais rápida possível", disse.

Entre as medidas anunciadas para conter a crise estão a mudança de rotas para evitar o congestionamento na área do radar de Brasília --o que poderá aumentar o tempo desses vôos--, suspensão das férias e a abertura de concurso para controladores de tráfego aéreo. Na segunda-feira, A Aeronáutica já havia limitado vôos de aeronaves pequenas durante os horários de pico --a medida deve valer até o fim do mês, mas ainda não surtiu efeito.

Além disso, o governo anunciou a criação de uma "cooperativa" com representantes de empresas aéreas, controladores de radar e funcionários da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Caberá a essa cooperativa decidir em tempo real as prioridades de decolagens e eventuais fusões de vôos para diminuir o tráfego. Segundo o presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), George Ermakoff, "a qualquer sinal de problemas, as empresas aéreas poderão se antecipar aos fatos."

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