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Cotidiano
01/11/2006 - 19h40

Ministro da Defesa diz que desconhecia reivindicações de controladores

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ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro da Defesa, Waldir Pires, negou nesta quarta-feira que tenha tomado conhecimento da situação de trabalho dos controladores de tráfego aéreo antes do início do atraso nos vôos, que chegou ao sexto dia.

"Eu não sabia que a situação deles era de estar quase no limite", disse.

Nesta quarta, ele se reuniu com sindicatos da categoria e, depois, com a Anac (Agência Nacional da Aviação Civil) e Comando da Aeronáutica.

Pires disse que pediu aos representantes dos controladores que dêem apoio para elevar o "estado de espírito" da categoria e que irá trabalhar para a situação ser resolvida.

"Eu disse a eles que assumi uma parceria com eles daqui até o fim."

O ministro disse também que compreendeu uma das aspirações da categoria, que é deixar de ser vinculada a uma estrutura militar --os controladores em atividade são civis e militares.

"Nisso nós nos entendemos. A aspiração de que eles tenham trabalho como trabalhadores civis", disse.

Pires afirmou ainda que não há perigo em convocar aposentados para o controle do espaço aéreo. "Não é perigoso na medida que sejam capacitados."

Controladores

Hoje, os controladores reclamaram que estão sobrecarregados porque a aviação civil cresceu mais do que a estrutura de controle. "Não tem jeito. A população e o setor de aviação têm que se adequar. A aviação cresceu demais e a estrutura do espaço aérea não foi atualizada para suportar", disse Jorge Carlos Botelho, presidente do sindicato.

Botelho negou que a categoria esteja fazendo uma "operação-padrão" como forma de reivindicação. De acordo com Botelho, os atrasos começaram a ocorrer porque alguns controladores de tráfego aéreo foram afastados após o acidente da Gol, no final de setembro. "O que nós estamos fazendo é trabalhar dentro das nossas possibilidades. Nós temos trabalhado em uma situação muito crítica desde o acidente."

O controle aéreo está com 18 controladores a menos desde o acidente. De acordo com o presidente do sindicato, o número dos controladores já era insuficiente e isso ficou mais grave após o afastamento dessas 18 pessoas. Não há uma data para eles retornarem ao trabalho.

Os controladores cuidam de um determinado setor do espaço aéreo. Para sanar a falta dos controladores afastados, os que estão trabalhando tiveram que acumular essas áreas. Como não conseguem dar conta desse acumulo de trabalho, os vôos sofrem atrasos.

Dez controladores foram remanejados de outros Estados, no entanto, eles devem começar a trabalhar só daqui a dez dias.

Como medida emergencial, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) ampliou de 23h para a 1h30 o horário limite de pousos e decolagens no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

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