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Cotidiano
02/11/2006 - 09h11

Tumultos marcam sétimo dia de atrasos em aeroportos

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da Folha Online

Passageiros revoltados com os atrasos nos principais aeroportos do país promoveram tumultos nesta quinta-feira, feriado de Finados, em alguns terminais. Durante a madrugada, o tráfego aéreo entrou em colapso. Há vôos cancelados, e a espera pode passar de oito horas.

A crise começou na última sexta-feira (27), quando controladores de tráfego aéreo de Brasília decidiram iniciar uma operação-padrão e elevaram a distância entre os aviões, reduzindo para 14 o número de aeronaves vigiadas por controlador, o que gera um efeito cascata no país. Eles afirmam que a medida foi tomada em adequação às recomendações internacionais de segurança.
Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Passageiros lotam saguão do aeroporto de Congonhas, em SP, na manhã desta quinta
Passageiros lotam saguão do aeroporto de Congonhas, em SP, na manhã desta quinta


Nesta quinta, os atrasos voltaram a atingir os principais aeroportos do país. Muitos passageiros passaram a madrugada no saguão. Em alguns casos, não há previsão para o embarque.

A situação é tensa, principalmente, nos aeroportos de Cumbica, em São Paulo; Tom Jobim, no Rio; Presidente Juscelino Kubitscheck, em Brasília; Salgado Filho, em Porto Alegre; e Luís Eduardo Magalhães, em Salvador.

No Tom Jobim, o saguão está lotado, e, passageiros danificaram o balcão da Gol. A polícia foi acionada para coibir novos tumultos. Em Cumbica, discussões foram registradas.

Além da confusão, os passageiros sofrem também com a falta de informações sobre a situação dos vôos e previsão para embarque. Cansados, alguns desistiram da viagem nos aeroportos.

Medidas

Nos últimos dias, o governo federal anunciou medidas para tentar conter a crise, mas nenhuma surtiu efeito ainda.

Na quarta-feira (1), o presidente da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), brigadeiro José Carlos Pereira, disse acreditar que a situação voltará ao normal somente no Natal. Para ele, as medidas anunciadas trarão "melhorias gradativas".

Entre as ações anunciadas pelo governo estão o remanejamento de rotas e a criação de um grupo formado por representantes de empresas aéreas, controladores de radar e funcionários da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para avaliar as prioridades dos vôos.

Além disso, de acordo com informações do Ministério da Defesa, na sexta-feira (3), circulará no "Diário Oficial" da União medida provisória que autoriza a contratação de 60 pessoas, por prazo determinado, "imprescindível ao controle do tráfego aéreo". As contratações terão duração máxima até 31 de dezembro de 2007.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Jorge Carlos Botelho, a crise deve durar mais dez dias, aproximadamente --prazo previsto para treinamento de controladores remanejados para o Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), com sede em Brasília. O setor está desfalcado desde o afastamento de oito controladores, após a queda do Boeing da Gol que deixou 154 mortos em Mato Grosso.

Também na quarta, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) anunciou a ampliação do horário de pousos e decolagens de vôos comerciais no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A medida emergencial, com validade por 30 dias, visa a diminuir os atrasos generalizados em vôos. Pousos e decolagens serão permitidos até 1h30 --antes, o horário limite era 23h.

Com LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online

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