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Cotidiano
11/12/2006 - 09h03

Homem que entrou no rio Pinheiros para salvar criança volta ao trabalho

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ROBERTO DE OLIVEIRA
da Revista da Folha

Pela primeira vez em 27 anos, Adriano Levandoski de Miranda, que entrou no rio Pinheiros no sábado para salvar uma criança de três anos, foi presenteado pela mãe. Ele ganhou um par de sapatos pretos, em homenagem ao seu aniversário, comemorado também anteontem. Adriano, que rejeita qualquer rótulo de herói ou bom samaritano, fez exames de saúde e voltou ao trabalho ontem.

A mãe de Miranda, Bárbara, 66, jura que comprou o presente do filho antes de saber que ele tinha furtado uma moto para salvar uma criança que estava com a mãe que se jogou no rio. O menino passa bem e já está em casa com o pai, mas a mãe fraturou uma vértebra e continuava internada até ontem à noite.
Julia Moraes/FI
Adriano Levandoski de Miranda
Adriano Levandoski de Miranda


Segundo Bárbara, Miranda sempre foi muito generoso, desde os quatro anos de idade. "Ele parava de jogar bola com as crianças da rua para carregar sacolas das pessoas de idade", lembra.

Apesar da repercussão da notícia, Miranda diz que não sofreu nenhum tipo de assédio. "Ninguém me reconheceu ou me parou na rua. Nem faço questão que isso ocorra", afirma. "Fiz o que fiz pela criança. Pensei no meu filho, Matheus, de dois anos."

Enquanto retira da carteira a foto 3x4 do menino de três anos que salvou anteontem, Miranda explica que a fotografia foi um presente do pai da criança. "Vai ficar comigo para sempre", diz. No verso, ele escreveu a data do salvamento e o nome do garoto.

Acompanhado pelo chefe de trabalho, o analista de sistemas fez exames de sangue e raio-X do pulmão, além de uma análise médica, ontem à tarde, no Hospital Nove de Julho. Depois, voou para o Rio de Janeiro, a trabalho. "Estou bem. Passei pelo médico só por precaução."

Ele diz que perdeu as contas de quantas vezes teve que contar e recontar sua façanha e dos telefonemas que recebeu de amigos e familiares em apoio.

No sábado à noite, havia motivos de sobra para comemorar, mas Miranda passou o aniversário como sempre, sem festa nem bolo. Preferiu jantar com a mulher e um casal de cunhados, num restaurante perto de sua casa, em Embu (Grande SP).

Miranda é filho de uma família simples. Gaúcha de Erechim, Bárbara, a mãe, é copeira e faxineira, casada há 31 anos com o mineiro Deusedim, 59, churrasqueiro e garçom. Além do analista de sistema, o casal tem outro filho, André, 29, que mora no Sul. "Apesar de mais reservado e calmo que Adriano, André faria a mesma coisa que o irmão fez."

Bárbara diz que a família enfrentou dificuldades financeiras quando os filhos eram crianças. "Não tínhamos condições nem de comprar doces ou frutas para eles", conta, emocionada. "Mas meus filhos não seguiram o caminho errado. Eles sempre tiveram uma boa índole. Ontem (anteontem), o Adriano me deu um coração novo", diz, rindo. "Nem no dia do meu casamento ou na data em que meus filhos nasceram eu me senti tão feliz."

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