11/01/2007
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23h18
da Agência Folha
Uma menina de quatro anos foi detida e encaminhada a uma delegacia em Belo Horizonte, no último domingo (7), após ter jogado uma pedra que acertou a cabeça de um garoto da mesma idade.
Segundo o auxiliar-administrativo Edvaldo Souza, 35, pai da menina, as duas crianças brincavam em uma das ruas do bairro Floramar, quando sua filha jogou uma pedra para o alto, que acabou atingindo a cabeça do garoto. A mãe do garoto, pensando que a pedra tivesse sido jogada por um adulto, parou um carro de polícia que passava pelo local.
"Ele teve um pequeno corte na cabeça e um hematoma. O sargento que desceu do carro perguntou quem tinha jogado a pedra. Minha filha falou que havia sido ela e pediu desculpas. Já estava tudo resolvido, não tinha porque ele fazer o que fez", disse Souza.
Segundo o pai da menina, o sargento Joval Ribeiro Filho do 13º BPM (Batalhão da Polícia Militar) disse que teria de levar sua filha à delegacia. Souza afirmou que se recusou a obedecer a ordem e que, por isso, o policial chamou reforço.
Outros dois carros da PM chegaram ao local, com quatro policiais militares.
O pai e a menina foram encaminhados a 4ª Delegacia de Plantão de Venda Nova, em um carro da Polícia Militar. O menino ferido foi levado a um hospital e liberado horas depois.
"Minha filha ficou muito assustada, chorou muito, me perguntava se estava sendo presa, ficamos chocados."
Souza relatou que, ao chegar à delegacia, ele e a filha ficaram cerca de três horas no prédio e depois foram liberados.
A Polícia Civil nega que a criança tenha entrado na delegacia. O órgão diz ainda que Souza ficou no prédio por ter pedido para ter acesso a uma cópia do boletim de ocorrência que foi registrado. No documento, no campo da descrição da ocorrência, consta o termo lesão corporal.
O delegado seccional de Venda Nova, Wellington Peres, afirmou que o delegado de plantão, Felipe Cordeiro, que atendeu a ocorrência, encaminhou o caso ao Conselho Tutelar. "Não é competência da polícia esse caso e isso foi explicado ao policial militar."
Cordeiro declarou que, assim que viu o carro chegar com a menina e Souza, na porta da delegacia, comunicou ao pai que ele poderia ir embora para casa com a menina.
"Ele que pediu para ficar e ter uma cópia da ocorrência. A criança em nenhum momento entrou na delegacia."
O sub-comandante do 13º BPM, major Alex Souza, classificou de "um equívoco" o procedimento de encaminhar a menina a uma delegacia.
"Houve um crime, ela atirou uma pedra, acertou uma pessoa, houve uma lesão corporal. Não cabia a condução da menina à delegacia. Infelizmente fizeram um procedimento inadequado. Mandamos apurar, instauramos uma sindicância."
O sargento permanecia trabalhando normalmente hoje.
Especial
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PM prende garota de quatro anos que jogou pedra em amigo
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JOSÉ EDUARDO RONDONda Agência Folha
Uma menina de quatro anos foi detida e encaminhada a uma delegacia em Belo Horizonte, no último domingo (7), após ter jogado uma pedra que acertou a cabeça de um garoto da mesma idade.
Segundo o auxiliar-administrativo Edvaldo Souza, 35, pai da menina, as duas crianças brincavam em uma das ruas do bairro Floramar, quando sua filha jogou uma pedra para o alto, que acabou atingindo a cabeça do garoto. A mãe do garoto, pensando que a pedra tivesse sido jogada por um adulto, parou um carro de polícia que passava pelo local.
"Ele teve um pequeno corte na cabeça e um hematoma. O sargento que desceu do carro perguntou quem tinha jogado a pedra. Minha filha falou que havia sido ela e pediu desculpas. Já estava tudo resolvido, não tinha porque ele fazer o que fez", disse Souza.
Segundo o pai da menina, o sargento Joval Ribeiro Filho do 13º BPM (Batalhão da Polícia Militar) disse que teria de levar sua filha à delegacia. Souza afirmou que se recusou a obedecer a ordem e que, por isso, o policial chamou reforço.
Outros dois carros da PM chegaram ao local, com quatro policiais militares.
O pai e a menina foram encaminhados a 4ª Delegacia de Plantão de Venda Nova, em um carro da Polícia Militar. O menino ferido foi levado a um hospital e liberado horas depois.
"Minha filha ficou muito assustada, chorou muito, me perguntava se estava sendo presa, ficamos chocados."
Souza relatou que, ao chegar à delegacia, ele e a filha ficaram cerca de três horas no prédio e depois foram liberados.
A Polícia Civil nega que a criança tenha entrado na delegacia. O órgão diz ainda que Souza ficou no prédio por ter pedido para ter acesso a uma cópia do boletim de ocorrência que foi registrado. No documento, no campo da descrição da ocorrência, consta o termo lesão corporal.
O delegado seccional de Venda Nova, Wellington Peres, afirmou que o delegado de plantão, Felipe Cordeiro, que atendeu a ocorrência, encaminhou o caso ao Conselho Tutelar. "Não é competência da polícia esse caso e isso foi explicado ao policial militar."
Cordeiro declarou que, assim que viu o carro chegar com a menina e Souza, na porta da delegacia, comunicou ao pai que ele poderia ir embora para casa com a menina.
"Ele que pediu para ficar e ter uma cópia da ocorrência. A criança em nenhum momento entrou na delegacia."
O sub-comandante do 13º BPM, major Alex Souza, classificou de "um equívoco" o procedimento de encaminhar a menina a uma delegacia.
"Houve um crime, ela atirou uma pedra, acertou uma pessoa, houve uma lesão corporal. Não cabia a condução da menina à delegacia. Infelizmente fizeram um procedimento inadequado. Mandamos apurar, instauramos uma sindicância."
O sargento permanecia trabalhando normalmente hoje.
Especial


