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Cotidiano
08/03/2007 - 18h02

Confira a íntegra do bate-papo com Laura Capriglione

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da Folha Online

Confira abaixo a íntegra do bate-papo com a jornalista Laura Capriglione sobre o Dia Internacional da Mulher. O texto abaixo reproduz a forma como os participantes digitaram seus textos. Participaram do chat 195 pessoas.

Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com a jornalista Laura Capriglione sobre o Dia Internacional da Mulher. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.

Folha Imagem
A jornalista Laura Capriglione, que participa de bate-papo
A jornalista Laura Capriglione, que participa de bate-papo


(05:01:56) Laura Capriglione: Olá, pessoal, vamos falar sobre odia da mulher?

(05:02:15) urso ferido fala para Laura Capriglione: qual é o perfil das mulheres brasdilheiras

(05:02:56) Laura Capriglione: Sei lá, urso... Não acho que exista um perfil, mas milhões.

(05:03:54) urso ferido fala para Laura Capriglione: vc acha q as mulheres hoje são felizes

(05:05:13) Laura Capriglione: Em geral, eu não acho, não. Mas acho que estão atrás... Seja à base de Prozac, seja por um amor, seja pela carreira.

(05:05:22) Witorino fala para Laura Capriglione: Olá Laura, estamos em 2007, você acha que as mulheres ainda tem um caminho longo pra conseguir todos os seu direitos ou esse dia está proximo?

(05:06:44) Laura Capriglione: Esse dia, Witorino, acho que não chegará nunca. No dia em que se consegue um direito, surge outro desafio, que reatualiza o problema.

(05:07:02) Tai fala para Laura Capriglione: E quais seriam os direitos de fato que ainda faltam para as mulheres alcançarem?

(05:07:29) Laura Capriglione: É como a mulher que queria ir trabalhar. Um dia, ela conseguiu. No dia seguinte, já tinha de lutar pela equiparação salarial... e assim por diante.

(05:07:35) thiago fala para Laura Capriglione: Olá, tudo bem??? Para você, que características uma mulher deve ter? Beijos!

(05:08:51) Laura Capriglione: Eu acho que há muitos direitos ainda a ser conquistados. Vc sabe que só 9% das mulheres em situação marital acham que conseguem dividir o trabalho doméstico com seus parceiros? 91% ainda carregam nas costas esse fardo... e estamos em 2007.

(05:10:00) Laura Capriglione: Tem muito mais direitos a ser conquistados: o direito de receber tanto quanto um homem que desempenha a mesma função. Ainda é de 37% a disparidade salarial nos cargos que exigem pós-graduação.

(05:10:17) LinLin fala para Laura Capriglione: Laura, no fundo no fundo, as maioria das mulheres quer um homem para chamar de seu?

(05:11:54) Laura Capriglione: LinLin, eu acho que a maioria das mulheres quer, sim, alguém para dividir a vida, para rir junto, para namorar. É bom, não é?

(05:12:34) mulher fala para Laura Capriglione: no ambiente corporativo a mulher é muito explorada ainda. São muitos mais competentes,mas o ambiente é extremamente machista. Precisamos ficar de olhos bem abertos e usarmos nossa inteligência emocional. O que mais tem hoje em dia é executivo oportunista usando as mulheres. Mulheres, unidas seremos mais respeitadas porque merecemos muito mais.

(05:15:33) Laura Capriglione: Acho que o ambiente corporativo também está mudando. Mas ainda persiste o machismo de várias formas, um traço da nossa cultura. De todo modo, não se admite mais o chefe assediador, ou abusos morais, o que é bom e mostra que já andamos bastante.

(05:15:45) Lily50 fala para Laura Capriglione: Quando falamos em paternalismo do governo, sabemos mais ou menos como funciona. Você acha que as mulheres também querem isso ou ainda, esperam por isso?

(05:18:02) Laura Capriglione: Lily50, eu não acho que as mulheres queiram ser paparicadas pelo governo. Quando se aprova uma lei como a chamada "Maria da Penha", que amplia os rigores contra espancadores de mulheres, não acho que seja paternalismo. É a sociedade que dá um sinal de não mais aceitar essas selvagerias.

(05:18:08) ANDRE/MG/19 fala para Laura Capriglione: vc acha que a mulher do futuro é a grande dominante do mercado de trabalho e do lar, ou esse progresso acaba aqui?

(05:19:17) Laura Capriglione: Pelo que tenho visto, as mulheres estão estudando mais do que os homens, então acho natural que assumam cada vez mais cargos de responsabilidade. Eu não acho que acaba aqui, não. Acho até que está só começando.

(05:19:38) bia fala para Laura Capriglione: Laura, mais de 90% das mulheres espancadas retiram suas denúncias na justiça. o que isso significa ? como escapar da visão vulgar de que mulher gosta de apanhar, reforçada recentemente pelos depoimentos de suzana vieira e da mulher de Kadu Moliterno ?

(05:20:59) Laura Capriglione: Bia, a Suzana Vieira, até onde eu saiba, não foi espancada. Ela resolveu perdoar o marido e eu, sinceramente, acho que é uma opção DELA. Pior seria se ela tomasse alguma decisão só porque a opinião pública quer assim.

(05:21:24) paola fala para Laura Capriglione: você concorda que as mulheres não "aguentam o tranco" em situações mais estressantes? Ou pelo menos não aguentam tanto quanto os homens? Por exemplo, mulheres quando ficam com muita raiva tendem a chorar, enquanto os homens saem dando pontapés...

(05:22:41) Laura Capriglione: Quanto ao fato de muitas mulheres espancadas retirarem as queixas contra maridos espancadores, acho que é um aprendizado delas. O cara promete se emendar, ela perdoa. Na próxima vez, pode estar certa, o perdão demorará mais para vir e quem sabe ela mantenha a denúncia.

(05:22:47) Witorino fala para Laura Capriglione: Como você acha que a midia de forma geral trata as mulheres?

(05:24:24) Laura Capriglione: Paola, eu acho que as mulheres aguentam, sim, o tranco. E não agüentam. Tanto quanto os homens. Ou chorar é menos adequado do que dar pontapés, para ficar nos seus exemplos?

(05:24:42) ANDRE/MG/19 fala para Laura Capriglione: você acha que o dia internacional da mulher é apenas uma data para elas serem lembradas, ou esse dia é de grande importância para as conquistas femininas?

(05:25:59) Laura Capriglione: Witorino, eu acho que A MÍDIA é um ser grande demais, indefinido demais. Tem os veículos que tratam a mulher respeitosamente, tem os que não.

(05:26:54) Laura Capriglione: André, eu acho bem legal o dia internacional da mulher. No mínimo, serve para a gente fazer um balanço do que se conseguiu, do que falta conseguir... É uma data que pede reflexão, como outras datas comemorativas.

(05:27:07) paola fala para Laura Capriglione: É porque as mulheres, quando choram, são vistas como fracas. Que dicas você dá para uma mulher, em posição de chefia, que se sente sensibilizada em algumas situações, mas teme demonstrar isso por medo de ser vista como fraca?

(05:29:12) Laura Capriglione: Francamente, eu acho que ela não deve chorar. Nem tudo o que se faz na vida privada se deve fazer em público, não é? E isso vale tanto para a mulher que chora quanto para o homem que, nervosinho, começa a distribuir pontapés.

(05:29:24) Leo fala para Laura Capriglione: laura, no dia de hoje se discutem muito os direitos da mulher e as vezes esses direitos acabam sendo transformados em privilégios. por exemplo, qual é a sua opinião com relação a pagamento de pensão à uma ex-esposa?

(05:32:55) Laura Capriglione: Olha, eu acho que a mulher que abriu mão de estudar, ou de trabalhar para cuidar dos filhos ou do marido, por causa de um acordo do casal, tem, sim, direito a receber uma pensão, nem que seja por um tempo, até que ela se reestruture. Mas, concordo com você que se o casal dividiu todas as tarefas solidariamente e os dois estão empregados, não há porque isso ocorrer.

(05:33:31) uma mulher fala para Laura Capriglione: vc acha as revistas femininas, de um modo geral, respeitosas com a mulher?

(05:36:48) Laura Capriglione: Olha, tem revista feminina que se especializa em dar receitas para que se atinja 10 orgasmos em uma noite. Eu acho isso um embuste, uma ofensa à inteligência da leitora. Também tem aquelas "dicas de beleza" impossíveis. Também acho isso um desrespeito, é claro.

(05:36:48) criss fala para Laura Capriglione: Estou em Portugal um ano já e hoje no dia internacional da mulher rs queria eu ser uma reporte pour um dia com uma matéria falando da desigualdade que sentimos estando em um pais que nao é o nosso e gostava de fazer um livro rs parabéns és muito gira!

(05:38:17) Laura Capriglione: O que é gira, Criss?

(05:38:23) neide-timon 37 fala para Laura Capriglione: a licença materniade, que é um direito da mulher, com 120 dias, congitava-se prorrogar para 180 dias, será quando vai sair?

(05:40:11) Laura Capriglione: Eu não sei como essa proposta está tramitando. Mas eu acharia muito legal ampliar a licença-maternidade para seis meses. Os bebês e as mães merecem esse tempo a mais de convivência.

(05:40:23) ANDRE/MG/19 fala para Laura Capriglione: você acredita que a mulher chega a presidência nas próximas décadas?

(05:44:04) Laura Capriglione: Já chegou em um monte de países. A presidente do Chile, sra. Bachelet, ocupa um cargo que já foi do horroroso Pinochet. Nos Estados Unidos, a Hillary Clinton é uma das fortes candidatas à sucessão de Bush. Tem a Alemanha. Bem, não acho nenhum absurdo, não. Mas as mulheres no Brasil ainda ocupam poucos postos públicos. Estão pouco nas diretorias de sindicatos, nas câmaras e assembléias.

(05:45:04) criss fala para Laura Capriglione: rs Linda! Mas é verdade a publicidade feita do Brasil chega muito bem aqui tanto que ( mil portugueses compraram casa no brasil no ano passado mas tão triste como é vista a mulher brasileira aqui estou casada moro em cascais está convidada para umas férias aqui em casa

(05:46:51) Leo fala para Laura Capriglione: como ve a situação das mulheres em outros países do primeiro mundo como EUA? E a presidente do Chile, vc acha q seria possivel tbm no Brasil uma mulher na presidencia?

(05:48:58) Laura Capriglione: Como eu falei antes, Leo, acho que no Brasil as mulheres ocupam ainda poucos postos políticos, apesar da lei da Marta Suplicy que estabeleceu cotas para mulheres nas listas de candidatos dos partidos. Creio, por isso, que talvez a caminhada aqui seja um pouco mais longa.

(05:49:04) ANDRE/MG/19 fala para Laura Capriglione: isso seria reflexo de um serto "preconceito" a capacidade de governar o brasil, ou poucas ousaram tal posto?

(05:51:38) Laura Capriglione: O sistema patriarcal confinou por gerações e gerações as mulheres aos limites da própria casa. É natural que essa cultura demore para mudar. Você fala em preconceito contra as mulheres. É possível. Mas acho que existe também um certo desencanto das mulheres em particular com a política, que as afasta dessa atividade.

(05:51:38) Priscila25_ssa fala para Laura Capriglione: Laura qual sua opinião sobre a lei Maria da Penha?

(05:54:05) Laura Capriglione: Eu acho que a Lei Maria da Penha é uma grande conquista das mulheres e da sociedade brasileira como um todo. É incrível a quantidade de mulheres que ainda são espancadas pelo maridos, companheiros e, às vezes, até pelos filhos. Punir o agressor, evitar que ele troque a punição pelo fornecimento de uma cesta básica, como acontecia, é fazer Justiça. Necessário.

(05:54:47) garoto_boy fala para Laura Capriglione: laura, vc acha que com a nova lei [maria da penha] sera que vai da jeito a acaba com a violencia contra a mulher?!

(05:56:19) Laura Capriglione: Garoto_boy, acabar, não vai acabar. Como a lei que pune o homicídio não acabou com esse crime. Mas que o cara vai pensar duas vezes antes de dar um soco em uma mulher, ah, isso vai.

(05:56:49) Josi_castro fala para Laura Capriglione: vc esta satisfeita com o lugar q a mulher ocupa atualmente na sociedade?

(05:58:07) Laura Capriglione: Olha, Josi, satisfeita, não estou. Mas acho que estamos indo muito bem e no caminho certo para termos uma relação igualitária com os homens.

(05:58:31) Laura Capriglione: Pessoal, um grande abraço. Foi um prazer conversar com vocês. Até a próxima.

(05:59:06) Adriana/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Laura Capriglione e de todos os internautas. Até o próximo!

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