14/04/2007
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23h40
A Polícia Federal ouviu neste sábado, em Brasília, pelo menos sete dos 25 presos suspeitos de participar de um esquema de exploração de jogos ilegais --principalmente bingos e caça-níqueis--, que envolve autoridades da Justiça, da Polícia Federal e do Carnaval do Rio. Segundo informaram alguns dos advogados, seus clientes têm mantido silêncio a maior parte do tempo porque não teriam conhecimento das acusações.
A PF não soube informar até que horas prosseguiria com os depoimentos, mas explicou que deve retomá-los na tarde deste domingo. A assessoria do Ministério Público Federal informou, por sua vez, que a subprocuradora-geral da República Claudia Sampaio acompanha alguns trabalhos na Superintendência da PF.
A PF divulgou também neste sábado o balanço das apreensões da Operação Hurricane (furacão, em inglês) realizadas no Rio de Janeiro. Foram encontrados R$ 10 milhões em dinheiro e R$ 5 milhões em cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras, além de 51 veículos, entre eles um Mercedes avaliado em R$ 550 mil.
Além disso, só no cofre do presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o capitão Guimarães, foram apreendidos 27 relógios de luxo. A documentação recolhida pela equipe no Rio será encaminhada no domingo para a Polícia Federal de Brasília.
Também neste sábado, as defesas do desembargador José Eduardo Carreira Alvim e do advogado Silvério Nery Cabral Júnior protocolaram, no início da noite, pedidos de relaxamento de prisão. A previsão é de que os pedidos sejam analisados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso.
Silêncio
"Nossos clientes não sabem quais são as acusações", disse o advogado Délio Lins e Silva, que defende o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira. Segundo ele, a ordem de prisão expedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) tem o objetivo de colher depoimentos.
O advogado Thiago Bouzo, que defende Júlio Guimarães e seu tio, Ailton Guimarães Jorge, chamado de capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, e o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, afirmou que não teve acesso a nenhuma informação do inquérito.
"A gente não sabe qual é a acusação e, por isso, o silêncio tem sido uma constante. As acusações são genéricas e a própria decisão que decretou as prisões é abstrata. Portanto, não há do que se defender". Para Bouzo, a partir do momento em que os advogados tiverem acesso aos inquéritos é que vão orientar seus clientes sobre os depoimentos e as medidas a adotar.
O Supremo está digitalizando os inquéritos e os advogados não sabem quando ficarão prontos. Os envolvidos tiveram a prisão temporária decretada por cinco dias --o prazo pode ser prorrogado por igual período.
Prisões
Do total de detidos, 23 saíram do Rio de Janeiro e dois, da Bahia. Eles estão na sede da Superintendência da PF em Brasília.
Entre os presos durante a Operação Hurricane, da PF, estão o ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região, desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim; o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, também do TRF da 2ª Região; o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, e o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira.
A operação prendeu ainda o delegado da PF em Niterói (RJ), Carlos Pereira; e a delegada da PF Susie Pinheiro, que atuava temporariamente como corregedora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), além do delegado da PF aposentado Luiz Paulo Dias de Mattos.
O inquérito que investigou o esquema e culminou na operação foi presidido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso, devido ao envolvimento de autoridades que têm foro privilegiado. Os mandados de prisão, inclusive, foram emitidos a pedido do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.
Há ainda um grupo de suspeitos ligados à cúpula do Carnaval do Rio. São eles o presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), Ailton Guimarães Jorge, chamado de capitão Guimarães; um sobrinho dele, identificado como Júlio Guimarães; o presidente do conselho da Liesa e presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David; além o bicheiro Antonio Petrus Kalil, o Turcão, de Niterói.
Entre os crimes atribuídos aos suspeitos estão exploração de jogos, corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha e receptação. "A partir dos eventos de hoje, com certeza, ocorrerão desdobramentos", afirmou o diretor de Inteligência da PF de Brasília (DF), Renato Porciúncula.
Com Agência Brasil
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da Folha OnlineA Polícia Federal ouviu neste sábado, em Brasília, pelo menos sete dos 25 presos suspeitos de participar de um esquema de exploração de jogos ilegais --principalmente bingos e caça-níqueis--, que envolve autoridades da Justiça, da Polícia Federal e do Carnaval do Rio. Segundo informaram alguns dos advogados, seus clientes têm mantido silêncio a maior parte do tempo porque não teriam conhecimento das acusações.
A PF não soube informar até que horas prosseguiria com os depoimentos, mas explicou que deve retomá-los na tarde deste domingo. A assessoria do Ministério Público Federal informou, por sua vez, que a subprocuradora-geral da República Claudia Sampaio acompanha alguns trabalhos na Superintendência da PF.
A PF divulgou também neste sábado o balanço das apreensões da Operação Hurricane (furacão, em inglês) realizadas no Rio de Janeiro. Foram encontrados R$ 10 milhões em dinheiro e R$ 5 milhões em cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras, além de 51 veículos, entre eles um Mercedes avaliado em R$ 550 mil.
Além disso, só no cofre do presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o capitão Guimarães, foram apreendidos 27 relógios de luxo. A documentação recolhida pela equipe no Rio será encaminhada no domingo para a Polícia Federal de Brasília.
Também neste sábado, as defesas do desembargador José Eduardo Carreira Alvim e do advogado Silvério Nery Cabral Júnior protocolaram, no início da noite, pedidos de relaxamento de prisão. A previsão é de que os pedidos sejam analisados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso.
Silêncio
"Nossos clientes não sabem quais são as acusações", disse o advogado Délio Lins e Silva, que defende o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira. Segundo ele, a ordem de prisão expedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) tem o objetivo de colher depoimentos.
O advogado Thiago Bouzo, que defende Júlio Guimarães e seu tio, Ailton Guimarães Jorge, chamado de capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, e o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, afirmou que não teve acesso a nenhuma informação do inquérito.
"A gente não sabe qual é a acusação e, por isso, o silêncio tem sido uma constante. As acusações são genéricas e a própria decisão que decretou as prisões é abstrata. Portanto, não há do que se defender". Para Bouzo, a partir do momento em que os advogados tiverem acesso aos inquéritos é que vão orientar seus clientes sobre os depoimentos e as medidas a adotar.
O Supremo está digitalizando os inquéritos e os advogados não sabem quando ficarão prontos. Os envolvidos tiveram a prisão temporária decretada por cinco dias --o prazo pode ser prorrogado por igual período.
Prisões
Do total de detidos, 23 saíram do Rio de Janeiro e dois, da Bahia. Eles estão na sede da Superintendência da PF em Brasília.
Entre os presos durante a Operação Hurricane, da PF, estão o ex-vice-presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região, desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim; o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, também do TRF da 2ª Região; o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, e o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira.
A operação prendeu ainda o delegado da PF em Niterói (RJ), Carlos Pereira; e a delegada da PF Susie Pinheiro, que atuava temporariamente como corregedora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), além do delegado da PF aposentado Luiz Paulo Dias de Mattos.
O inquérito que investigou o esquema e culminou na operação foi presidido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso, devido ao envolvimento de autoridades que têm foro privilegiado. Os mandados de prisão, inclusive, foram emitidos a pedido do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.
Há ainda um grupo de suspeitos ligados à cúpula do Carnaval do Rio. São eles o presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), Ailton Guimarães Jorge, chamado de capitão Guimarães; um sobrinho dele, identificado como Júlio Guimarães; o presidente do conselho da Liesa e presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abraão David; além o bicheiro Antonio Petrus Kalil, o Turcão, de Niterói.
Entre os crimes atribuídos aos suspeitos estão exploração de jogos, corrupção, tráfico de influência, formação de quadrilha e receptação. "A partir dos eventos de hoje, com certeza, ocorrerão desdobramentos", afirmou o diretor de Inteligência da PF de Brasília (DF), Renato Porciúncula.
Com Agência Brasil
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