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Cotidiano
26/04/2007 - 23h29

Criança mantida refém em Campinas diz que "assaltante não era mau"

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da Agência Folha
da Folha Online

Uma das crianças mantidas reféns por 56 horas entre a manhã de terça-feira (24) e a noite desta quinta-feira, em Campinas (95 km a noroeste de São Paulo), disse que Gleivson Flávio de Sales, 24, que invadiu sua casa e o manteve preso junto com sua mãe e irmãos "não era mau". O garoto, de 10 anos, foi libertado pouco tempo antes do desfecho do caso.

Antonio Gauderio/Folha Imagem
Policiais conduzem Gleivson Sales
Policiais conduzem Gleivson Sales
De acordo com o coronel Eliazário Ferreira Barbosa, ao ser libertado, o garoto disse que "o homem" libertaria o irmão e a mãe. Uma hora depois, os dois já estavam fora da casa.

A polícia invadiu a residência e libertou os dois últimos reféns --mãe e filho, de 7 anos-- por volta das 20h, depois que o criminoso atirou em uma porta. Ambos foram levados imediatamente a uma ambulância e seguiram para o Hospital Mário Gatti.

De acordo com a polícia, esse foi o mais longo caso de cárcere privado da história do Estado.

Desfecho

O criminoso invadiu a casa durante perseguição policial e, inicialmente, uma terceira criança --de 3 anos-- também foi rendida. Ela foi trocada horas depois por um colete à prova de balas.

O assaltante passou as cerca de 56 horas pedindo um carro para fugir, mas a polícia não cedeu. Sales chegou a ficar quatro horas sem falar com os policiais, o que aumentava a tensão no local. O assaltante, segundo a PM, alternava momentos de tranqüilidade e nervosismo.

O caso só começou a ser resolvido depois que a PM localizou uma mulher que se diz namorada do criminoso. A prima dela, que é amiga de Sales, conversou com ele por cerca de meia hora. A polícia classificou sua participação dela foi "preponderante".

"Ela caiu do céu", disse o coronel, que afirmou que ela passou ao menos meia hora conversando com o criminoso. Durante esse tempo, a amiga do assaltante chegou a dizer que "o Brasil todo estava sabendo e acompanhando o caso".

Sales é foragido da penitenciária de Hortolândia (105 km a noroeste de São Paulo), onde cumpria pena por homicídio e tentativa de homicídio.

Ronaldo Marzagão, secretário da Segurança Pública, apareceu no local uma hora após o fim do caso. "Eu só vim para cumprimentar os policiais pelo serviço."

Negociações

Sales invadiu o imóvel armado com uma pistola enquanto fugia da PM. Ele havia acabado de roubar um videogame de uma loja da região, ao lado de um comparsa.

Após o acordo que resultou na libertação do menino de três anos, na tarde de terça-feira, as negociações não avançaram.

No começo da manhã de quarta-feira (25), irritado, ele devolveu à PM o radiocomunicador usado nas negociações e passou a falar pelo celular de Mara e por uma fresta na janela. A certa altura, telefonou para o marido de Mara --pai das crianças-- para pedir cigarros, mas desistiu ao ouvir a proposta de trocar o produto por um dos reféns.

Durante a madrugada desta quinta-feira, o rapaz pediu água e cigarros. Segundo a PM, como a água da casa não foi cortada --para evitar que as crianças sofram com a sede-- foram levados apenas os cigarros para o criminoso. No entanto, quando iria receber os cigarros, ele exigiu um carro, então o negociador da PM recuou e não lhe entregou nada. A PM acredita que ele fugiria com a mãe das crianças no veículo.

Também na madrugada, ele pediu à PM dois extintores de incêndio. Em troca, os negociadores propuseram que ele libertasse as duas crianças. Não houve acordo. Especula-se que ele usaria os extintores para criar uma nuvem de fumaça, confundir os PMs em uma eventual invasão à casa e fugir.

O seqüestrador, Mara e as crianças permaneceram em um cômodo distante dos olhares da PM.

Identidade

Inicialmente o criminoso foi identificado como Felipe, 26. Em um segundo momento, a PM informou que o verdadeiro nome dele era Ivanildo e teria mais de 30 anos. A polícia sabia que ele tinha antecedentes criminais.

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