04/05/2007
-
10h12
do Agora
Furar as extensas filas na Polícia Federal em São Paulo para obter o passaporte custa de R$ 50 a R$ 100, de acordo com o lugar pretendido. A venda do "serviço" é feita por guardadores de carro e ao menos um taxista. A reportagem foi até a sede da Polícia Federal, na Lapa (zona oeste), na madrugada de quinta-feira (3), e testou o sistema. Se quisesse ser o primeiro da fila, o repórter teria de ter chegado antes da 0h30 --o portão da PF abre às 8h--, quando a jornalista S.S., 31, e a professora de educação física W.B., 36, começaram a formar a fila.
Às 5h30, quando a reportagem chegou, cerca de 70 pessoas aguardavam o início do expediente. Dois guardadores de carros e um taxista já ofereciam lugares mais vantajosos, sempre aos últimos da fila. Ao menos três grupos foram procurados por um deles. Às 6h30, mais de 170 pessoas já se enfileiravam em um cordão que dobrava a esquina. O repórter, então, procurou um dos guardadores de carro. "Tem um [lugar] ali, perto daquele coqueiro, que eu faço por R$ 50. De onde eu estou aqui, por volta das 11h você vai sair [após requerer o passaporte]. Você já pega [o lugar], e eu fico livre. Cheguei às 3h30", diz ele.
"Eu tô lá", diz o taxista, ao apontar o seu ponto na fila. "Dá certo, é garantido: eu vou lá e falo que vou ligar para o meu sobrinho porque não estou legal. Digo: "Vou ligar para ele ficar no meu lugar". Você espera dois minutos. Aí você chega e fala "oi, tio, tudo bem?". Depois eu entro no meu carro, dou uma volta no quarteirão."
Acordo fechado
Acordo fechado, o repórter cumpriu seu papel e tomou o lugar. Da posição 170, às 6h30, pulou para a 75, às 7h. O taxista, como combinado, saiu com o carro e voltou 20 minutos depois. No pagamento, R$ 50 e um aperto de mãos. Se tivesse chegado mais cedo --e quisesse investir mais-- seria possível economizar mais tempo e desfrutar de maior conforto. "Vendi um ali na frente por R$ 100. Uma vaga só com 20 pessoas na frente", disse outro guardador de carros, que usava boné azul.
As filas começaram em 13 de abril, quando passou a valer um novo modelo de passaporte, tido como mais seguro. Para diminuir os transtornos, a PF estendeu o atendimento até as 22h -antes atendia de 8h a 17h. Vender vagas em filas não é crime e não existe lei que penalize isso, segundo o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), o advogado criminalista Mário de Oliveira Filho.
Colaborou JORGE DURAN, do Agora
Leia mais
Polícia Federal aumenta atendimento para passaporte em São Paulo
Especial
Leia o que já foi publicado sobre o novo passaporte
Escolha um destino para viajar no site de turismo da Folha Online
Furar fila na PF para tirar passaporte sai por R$ 50 em São Paulo
Publicidade
VITOR SORANOdo Agora
Furar as extensas filas na Polícia Federal em São Paulo para obter o passaporte custa de R$ 50 a R$ 100, de acordo com o lugar pretendido. A venda do "serviço" é feita por guardadores de carro e ao menos um taxista. A reportagem foi até a sede da Polícia Federal, na Lapa (zona oeste), na madrugada de quinta-feira (3), e testou o sistema. Se quisesse ser o primeiro da fila, o repórter teria de ter chegado antes da 0h30 --o portão da PF abre às 8h--, quando a jornalista S.S., 31, e a professora de educação física W.B., 36, começaram a formar a fila.
Às 5h30, quando a reportagem chegou, cerca de 70 pessoas aguardavam o início do expediente. Dois guardadores de carros e um taxista já ofereciam lugares mais vantajosos, sempre aos últimos da fila. Ao menos três grupos foram procurados por um deles. Às 6h30, mais de 170 pessoas já se enfileiravam em um cordão que dobrava a esquina. O repórter, então, procurou um dos guardadores de carro. "Tem um [lugar] ali, perto daquele coqueiro, que eu faço por R$ 50. De onde eu estou aqui, por volta das 11h você vai sair [após requerer o passaporte]. Você já pega [o lugar], e eu fico livre. Cheguei às 3h30", diz ele.
"Eu tô lá", diz o taxista, ao apontar o seu ponto na fila. "Dá certo, é garantido: eu vou lá e falo que vou ligar para o meu sobrinho porque não estou legal. Digo: "Vou ligar para ele ficar no meu lugar". Você espera dois minutos. Aí você chega e fala "oi, tio, tudo bem?". Depois eu entro no meu carro, dou uma volta no quarteirão."
Acordo fechado
Acordo fechado, o repórter cumpriu seu papel e tomou o lugar. Da posição 170, às 6h30, pulou para a 75, às 7h. O taxista, como combinado, saiu com o carro e voltou 20 minutos depois. No pagamento, R$ 50 e um aperto de mãos. Se tivesse chegado mais cedo --e quisesse investir mais-- seria possível economizar mais tempo e desfrutar de maior conforto. "Vendi um ali na frente por R$ 100. Uma vaga só com 20 pessoas na frente", disse outro guardador de carros, que usava boné azul.
As filas começaram em 13 de abril, quando passou a valer um novo modelo de passaporte, tido como mais seguro. Para diminuir os transtornos, a PF estendeu o atendimento até as 22h -antes atendia de 8h a 17h. Vender vagas em filas não é crime e não existe lei que penalize isso, segundo o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), o advogado criminalista Mário de Oliveira Filho.
Colaborou JORGE DURAN, do Agora
Leia mais
Especial

