12/11/2000
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23h08
da Folha Vale
O lançamento de esgoto doméstico e resíduos industriais tornou o rio Paraíba do Sul, o mais importante do Vale do Paraíba, um curso de água 100% poluído.
A avaliação é do Ceivap (Comitê para Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul), órgão que reúne dados e traça as políticas dos recursos hídricos na bacia nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Segundo o Ceivap, o rio recebe 1 bilhão de litros de esgoto doméstico por dia em toda sua extensão, de 1.137 km, região ocupada por 4,825 milhões de habitantes.
Além do esgoto doméstico, o Paraíba ainda recebe os efluentes industriais de mais de 5.000 indústrias instaladas nos três Estados por onde o rio passa.
O Vale do Paraíba, uma das regiões mais industrializadas do país, é responsável por grande parte da poluição do rio.
Segundo o secretário-executivo do Ceivap, Edilson de Paula Andrade, a falta de tratamento do esgoto doméstico das maiores cidades do Vale pode matar o rio.
São José dos Campos, a maior cidade do Vale, é também a que mais lança esgoto sem tratamento no rio Paraíba: são 16 toneladas de detritos diariamente.
Somente 45% das residências de São José dos Campos têm o seu esgoto tratado.
Segundo o gerente de setor de produção e tratamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Fernando Lourenço de Oliveira, para que todo o esgoto da cidade seja tratado, é preciso construir uma estação de bombeamento de efluentes e finalizar as obras da bacia do Vidoca.
"Com um investimento do governo estadual, de aproximadamente R$ 20 milhões, acredito que nos próximos três anos as obras da bacia do Vidoca já estejam bem adiantadas", afirma o engenheiro.
As outras duas principais cidades do Vale, Jacareí e Taubaté, não tratam nada do esgoto doméstico que produzem e lançam, juntas, 26 toneladas de efluentes.
Para se ter idéia da dificuldade de mudar as características do rio, somente em Jacareí, que conta hoje com cerca de 200 mil habitantes, seria preciso gastar R$ 49 milhões para tratar o esgoto.
Os cálculos são do atual prefeito, Benedicto Sérgio Lencioni (PTB), que defende a privatização do Saae (Sistema de Abastecimento de Águas e Esgoto).
Estudos da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) revelam que, mesmo com o tratamento do esgoto industrial, pelo menos 7 toneladas de poluentes perigosos chegam ao rio por dia.
Com esgoto, Paraíba vira rio 100% poluído
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MARIA TERESA MORAESda Folha Vale
O lançamento de esgoto doméstico e resíduos industriais tornou o rio Paraíba do Sul, o mais importante do Vale do Paraíba, um curso de água 100% poluído.
A avaliação é do Ceivap (Comitê para Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul), órgão que reúne dados e traça as políticas dos recursos hídricos na bacia nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Segundo o Ceivap, o rio recebe 1 bilhão de litros de esgoto doméstico por dia em toda sua extensão, de 1.137 km, região ocupada por 4,825 milhões de habitantes.
Além do esgoto doméstico, o Paraíba ainda recebe os efluentes industriais de mais de 5.000 indústrias instaladas nos três Estados por onde o rio passa.
O Vale do Paraíba, uma das regiões mais industrializadas do país, é responsável por grande parte da poluição do rio.
Segundo o secretário-executivo do Ceivap, Edilson de Paula Andrade, a falta de tratamento do esgoto doméstico das maiores cidades do Vale pode matar o rio.
São José dos Campos, a maior cidade do Vale, é também a que mais lança esgoto sem tratamento no rio Paraíba: são 16 toneladas de detritos diariamente.
Somente 45% das residências de São José dos Campos têm o seu esgoto tratado.
Segundo o gerente de setor de produção e tratamento da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Fernando Lourenço de Oliveira, para que todo o esgoto da cidade seja tratado, é preciso construir uma estação de bombeamento de efluentes e finalizar as obras da bacia do Vidoca.
"Com um investimento do governo estadual, de aproximadamente R$ 20 milhões, acredito que nos próximos três anos as obras da bacia do Vidoca já estejam bem adiantadas", afirma o engenheiro.
As outras duas principais cidades do Vale, Jacareí e Taubaté, não tratam nada do esgoto doméstico que produzem e lançam, juntas, 26 toneladas de efluentes.
Para se ter idéia da dificuldade de mudar as características do rio, somente em Jacareí, que conta hoje com cerca de 200 mil habitantes, seria preciso gastar R$ 49 milhões para tratar o esgoto.
Os cálculos são do atual prefeito, Benedicto Sérgio Lencioni (PTB), que defende a privatização do Saae (Sistema de Abastecimento de Águas e Esgoto).
Estudos da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) revelam que, mesmo com o tratamento do esgoto industrial, pelo menos 7 toneladas de poluentes perigosos chegam ao rio por dia.


