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Cotidiano
09/06/2000 - 20h35

UNE estuda recorrer à Justiça para tentar barrar o provão

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RAFAEL GARCIA
GIOVANA GIRARDI

da Folha Online

A UNE (União Nacional dos Estudantes) estuda a possibilidade de entrar na Justiça para tentar impedir a realização do provão neste domingo (11).

O argumento da entidade contra o Exame Nacional de Cursos é a greve que ocorrem em diversas universidades públicas.

"O provão deve avaliar todo o conteúdo dado no curso. Os alunos das faculdades em greve podem ser prejudicados porque ficaram sem parte do programa", diz o vice-presidente da UNE, Felipe Maia.

Apesar de toda a argumentação, a ação judicial seria mais uma tática da UNE contra o provão.

A entidade também está organizando uma campanha nacional de boicote ao exame. Além da UNE, as executivas nacionais dos cursos de agronomia, jornalismo, medicina e medicina veterinária recomendaram aos estudantes que entreguem a prova em branco neste domingo.

No domingo, estudantes ligados à campanha pretendem percorrer os locais de exame tentando persuadir alunos a entregar a prova em branco.

A UNE preparou um adesivo para ser colado nas provas com a frase: "Zero: esta é a nota que o provão merece". Já a Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social) vai distribuir o adesivo: "Colei no provão, por uma avaliação pra valer".

Levantamento feito pelos estudantes aponta que a adesão ao boicote no domingo deve ser maior nas universidades públicas. Eles têm quase como certa a adesão dos formandos de jornalismo da USP, psicologia da Unesp de Bauru e de engenharia das universidades federais de Pernambuco e Bahia.

Os estudantes de jornalismo da federal do Rio e da faculdade Cásper Líbero, de São Paulo, também estão divulgando que vão entregar a prova em branco.

Segundo Felipe, nas particulares "os mecanismos de coerção contra os alunos são mais fortes". Ele aponta distorções como os cursinhos para provão e as faculdades que oferecem prêmios para quem tirar melhor nota.

"O fundamental na nossa campanha é mostrar que o provão não dá conta de avaliar as universidades."

Contramão
Para Tancredo Maia, da Diretoria de Avaliação e Acesso ao Ensino Superior do Inep, responsável pela realização do provão, a reação da UNE ou das executivas não deve ser significativo. Segundo ele, no primeiro ano da avaliação, em 96, o boicote foi de 11,8%. No ano passado, segundo ele, esse índice caiu para 1,38%.

"Para o bem do país as executivas não fazem o provão. No ano passado, 98,4% dos estudantes que realizaram a prova fizeram com consciência. Essas lideranças estudantis estão na contramão", diz Tancredo.

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