11/06/2000
-
04h02
Diretores dos cursos que correm o risco de ser descredenciados pelo MEC dizem não acreditar que eles serão fechados e os alunos transferidos para outras instituições.
A Folha ouviu representantes de 8 dos 12 cursos que podem ser fechados ainda neste ano. Todos afirmaram que, nos últimos seis meses, foram feitas todas as mudanças exigidas pelo MEC.
Esses cursos tiveram conceitos baixos nos últimos provões do MEC e na avaliação das condições de oferta de ensino, feita também pelo ministério.
O diretor das Faculdades Integradas do Tapajós, em Santarém (Pará), Valmir Gomes, diz só temer o fechamento caso os critérios da decisão sejam políticos.
"Com muito esforço, fizemos tudo o que nos foi pedido. O problema é que as pessoas nem sabem onde fica Santarém e é muito fácil fechar um curso aqui para mostrar que a avaliação é rigorosa", diz.
Ele culpa também o horário da prova pelo mau desempenho de seus alunos. "Não é o único fator, mas o provão começa sempre às 12h daqui de Santarém, por causa do fuso horário, quando o calor é forte. Seria melhor fazer o exame pela manhã", afirma.
Em dezembro do ano passado, o MEC recomendou ao CNE (Conselho Nacional de Educação) o descredenciamento de 12 cursos. Foi dado pelo conselho um prazo de seis meses para que as melhorias exigidas fossem feitas. Esse prazo vence neste mês ou em julho, dependendo da data em que a decisão para cada curso foi publicada no "Diário Oficial".
Os diretores e reitores ouvidos pela Folha afirmaram que as faculdades já estão prontas para uma nova visita da comissão de avaliadores do MEC, o que deve acontecer até julho em todos os cursos.
Para Célio Borja, reitor da Universidade Santa Úrsula, no Rio, o curso de direito já está preparado para receber de novo os avaliadores do ministério. "Tivemos que dispensar bons professores que não possuíam mestrado para poder atingir a meta estipulada pelo MEC de professores com mestrado ou doutorado", afirma Borja.
José Athayde Nunes, coordenador do curso de administração das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia, em Mato Grosso, apesar de afirmar que não teme o fechamento do curso, disse estar preocupado com o destino dos estudantes.
"O curso de administração mais próximo de nós fica a 500 km de distância, o que dificultaria a transferência dos alunos. O prazo que nos foi dado foi curto demais, mas acredito que já conseguimos resolver os problemas", afirma.
Os oito diretores e representantes de cursos ouvidos pela Folha disseram que, além da contratação de professores com mestrado e doutorado, as instituições investiram em bibliotecas, ampliação de salas de aula e na reformulação do currículo.
Todos os cursos reclamaram da divulgação dos nomes na lista, que foi feita em dezembro de 99, período de vestibular. "Essa divulgação prejudicou o preenchimento de nossas vagas para o curso de direito", afirma Borja.
Os cursos que correm o risco de serem fechados são os de direito da Universidade Santa Úrsula (Rio de Janeiro), Faculdade de Direito de Sete Lagoas (Minas Gerais), Universidade Católica de Petrópolis (Rio de Janeiro), Faculdade Anhanguera de Ciências Humanas (Goiás), Faculdades Integradas do Tapajós (Pará) e Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas (Rio de Janeiro).
Também estão na lista os cursos de administração das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia (Mato Grosso), Faculdade Matogrossense de Ciências Contábeis e Administrativas (Mato Grosso) Faculdade de Ciências Humanas ESUDA (Pernambuco), Faculdade Integradas do Tapajós (Pará), Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) e Centro de Ensino Superior de Catalão (Goiás).
Leia mais notícias de cotidiano na Folha Online
Discuta esta notícia nos Grupos de Discussão da Folha Online
Cursos ameaçados não temem fechar
Publicidade
da Folha de S.Paulo Diretores dos cursos que correm o risco de ser descredenciados pelo MEC dizem não acreditar que eles serão fechados e os alunos transferidos para outras instituições.
A Folha ouviu representantes de 8 dos 12 cursos que podem ser fechados ainda neste ano. Todos afirmaram que, nos últimos seis meses, foram feitas todas as mudanças exigidas pelo MEC.
Esses cursos tiveram conceitos baixos nos últimos provões do MEC e na avaliação das condições de oferta de ensino, feita também pelo ministério.
O diretor das Faculdades Integradas do Tapajós, em Santarém (Pará), Valmir Gomes, diz só temer o fechamento caso os critérios da decisão sejam políticos.
"Com muito esforço, fizemos tudo o que nos foi pedido. O problema é que as pessoas nem sabem onde fica Santarém e é muito fácil fechar um curso aqui para mostrar que a avaliação é rigorosa", diz.
Ele culpa também o horário da prova pelo mau desempenho de seus alunos. "Não é o único fator, mas o provão começa sempre às 12h daqui de Santarém, por causa do fuso horário, quando o calor é forte. Seria melhor fazer o exame pela manhã", afirma.
Em dezembro do ano passado, o MEC recomendou ao CNE (Conselho Nacional de Educação) o descredenciamento de 12 cursos. Foi dado pelo conselho um prazo de seis meses para que as melhorias exigidas fossem feitas. Esse prazo vence neste mês ou em julho, dependendo da data em que a decisão para cada curso foi publicada no "Diário Oficial".
Os diretores e reitores ouvidos pela Folha afirmaram que as faculdades já estão prontas para uma nova visita da comissão de avaliadores do MEC, o que deve acontecer até julho em todos os cursos.
Para Célio Borja, reitor da Universidade Santa Úrsula, no Rio, o curso de direito já está preparado para receber de novo os avaliadores do ministério. "Tivemos que dispensar bons professores que não possuíam mestrado para poder atingir a meta estipulada pelo MEC de professores com mestrado ou doutorado", afirma Borja.
José Athayde Nunes, coordenador do curso de administração das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia, em Mato Grosso, apesar de afirmar que não teme o fechamento do curso, disse estar preocupado com o destino dos estudantes.
"O curso de administração mais próximo de nós fica a 500 km de distância, o que dificultaria a transferência dos alunos. O prazo que nos foi dado foi curto demais, mas acredito que já conseguimos resolver os problemas", afirma.
Os oito diretores e representantes de cursos ouvidos pela Folha disseram que, além da contratação de professores com mestrado e doutorado, as instituições investiram em bibliotecas, ampliação de salas de aula e na reformulação do currículo.
Todos os cursos reclamaram da divulgação dos nomes na lista, que foi feita em dezembro de 99, período de vestibular. "Essa divulgação prejudicou o preenchimento de nossas vagas para o curso de direito", afirma Borja.
Os cursos que correm o risco de serem fechados são os de direito da Universidade Santa Úrsula (Rio de Janeiro), Faculdade de Direito de Sete Lagoas (Minas Gerais), Universidade Católica de Petrópolis (Rio de Janeiro), Faculdade Anhanguera de Ciências Humanas (Goiás), Faculdades Integradas do Tapajós (Pará) e Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas (Rio de Janeiro).
Também estão na lista os cursos de administração das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia (Mato Grosso), Faculdade Matogrossense de Ciências Contábeis e Administrativas (Mato Grosso) Faculdade de Ciências Humanas ESUDA (Pernambuco), Faculdade Integradas do Tapajós (Pará), Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro) e Centro de Ensino Superior de Catalão (Goiás).
Leia mais notícias de cotidiano na Folha Online
Discuta esta notícia nos Grupos de Discussão da Folha Online


