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Cotidiano
11/06/2000 - 13h36

Estudantes fazem campanha contra provão nos locais do exame

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RAFAEL GARCIA
CARLA NASCIMENTO
, repórteres da Folha Online

A Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social) mobilizou cerca de 30 pessoas para fazer campanha de boicote ao provão nos locais de exame. Eles estão distribuindo um panfleto explicando o porquê do boicote ao provão e adesivos com a frase "Colei no provão; avaliação pra valer".

Para o estudante Rodrigo Valente, 20, que entregava panfletos e conversava com alunos tentando convencê-los a entregar a prova em branco, a Enecos é contara o provão por ser um exame imposto de forma não democrática.

Entre as faculdades de jornalismo que optaram pelo boicote estão a USP, a Universidade Metodista de São Paulo, a faculdade Cásper Líbero e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Para o estudante Rodrigo de Martino, 21, aluno de jornalismo da Fiam, o provão é inútil. "A gente já estuda o ano inteiro e descobre que só aprende na prática mesmo", diz. O estudante tomou uma decisão pessoal de boicotar a prova.

Algumas universidades, pelo contrário, estão fazendo de tudo para melhorar o conceito no provão. A Uniban está dando um carro Corsa para a turma que conseguir conceito A e organizou aulas de "cursinho" para o provão.

Para Valéria Trevizan, aluna da Uniban, a promoção da universidade é uma "chantagem". Ela diz, no entanto, que não sabe se vai boicotar a prova. "Se eu souber mais da metade das questões vou fazer por que sei que obterei pelo menos uma nota C. Só vou boicotar se estiver muito difícil."

Na porta da escola Rodrigues Alves, na av. Paulista, estudantes ligados à UNE (União Nacional dos Estudantes) também distribuíam adesivos para que os alunos que não concordassem com o exame colocassem o adesivo na prova como forma de protesto.

Segundo Felipe Maia, vice-presidente da UNE, a entidade não vai fazer nenhum movimento para impedir os alunos de fazerem a prova, que começou às 13h deste domingo.

O provão está em sua 5ª edição. O MEC (Ministério da Educação) recebeu a inscrição de mais de 214 mil graduandos. Criado em 1996, o exame tem o objetivo de avaliar a qualidade dos cursos de graduação. Neste ano estão sendo avaliados 2.889 cursos de 18 áreas: agronomia, administração, biologia, direito, economia, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia mecânica, engenharia química, física, jornalismo, letras, matemática, medicina, medicina veterinária, odontologia, psicologia e química.

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