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Cotidiano
13/06/2000 - 11h40

Mudança no sistema de nota do provão levaria vários anos, diz Inep

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RAFAEL GARCIA
repórter da Folha Online

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) informou nesta terça-feira que a possibilidade de mudanças no sistema de notas do provão demoraria vários anos.

A instituição negou informação publicada pela Folha Online de que a medida estaria sendo estudada no MEC (Ministério da Educação).

De acordo com a instituição, no entanto, está sendo observado em avaliações institucionais de outros países, o sistema que estabele uma nota mínima para a aprovação dos cursos.

O sistema atual, um dos aspectos mais polêmicos do provão, distribui as notas de A até E tomando como referência o melhor e o pior curso de cada área.

As notas são encaixadas em uma "curva de Gauss" de forma que os 12% melhores tiram "A" e os 12% piores tiram "E". Os cursos conceitos "D" e "E" representam, cada um, 18% do total. A nota "C" é dada a 40% dos cursos.

Pelo critério, ainda sob observação, essa distribuição não seria fixa, mas dependeria da nota que cada curso recebesse.

Para a presidente do Inep, Maria Helena Guimarães de Castro, no entanto, a "curva de Gauss" ainda é o melhor sistema para a avaliação.

"É muito difícil estabelecer um padrão mínimo para a avaliação de cada curso. Alguns países da Europa demoraram 15 anos para começar a fazer isso".

Maria Helena nega que o sistema atual seja injusto com os 20% de cursos que, necessariamente, tiram D e E todos os anos.

"Não é só o provão que avalia as faculdades. Temos outros questionários e comissões que visitam as instituições. Dependendo da área, uma nota seis, cinco e até quatro pode ser boa", diz.

Cursinhos e prêmios

O atual sistema é uma das principais críticas de alunos e professores ao provão. Uma das reclamações é de que o método estabelece uma forma competitiva de avaliação.

"Nós já estamos vendo absurdos, que são os cursinhos para o provão e prêmios para quem tirar notas boas", diz Hêider Aurélio Pinto, coordenador-geral da executiva nacional de estudantes de medicina.

Para a presidente do Inep, cada curso tem liberdade para dizer que "tipo de incentivo" deve dar. "Não temos como interferir nisso", diz.

Quanto aos cursinhos, a professora não faz restrições. "Em princípio, as faculdades deveriam assegurar a formação básica dos alunos durante todo o curso. Se algum deles reconhece que foi deficiente e tenta reverter isso, já é uma vitória do provão".

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