14/06/2000
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21h21
repórter da Folha Online
A diretoria da Faculdade de Comunicação da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP), suspendeu por 20 dias dois alunos que fizeram campanha pelo boicote ao Exame Nacional de Cursos, o provão, realizado no domingo, dia 11.
Os estudantes de jornalismo Wellington Costa, 22, e Cristiano Navarro, 24, disseram que vinham sofrendo ameaças de retaliação do diretor Humberto Challoub desde a terça-feira anterior, quando pregaram cartazes convocando alunos para uma discussão sobre o boicote.
Wellington afirma que o coordenador do curso de jornalismo, Gerson Moreira de Lima, também pressionou os alunos. Lima também é membro da comissão de jornalismo do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), entidade ligada ao MEC responsável pelo provão.
"No domingo ele (Lima) entrou na escola onde estávamos fazendo o provão e andou pelas salas para ver se tinha gente entregando prova em branco", diz Wellington.
O diretor Challoub afirma que a medida foi de caráter educativo e não punitivo. "Não é admissível que alunos de 4º ano façam um panfleto apócrifo com mentiras", diz. Lima afirma que foi consultado pelo diretor sobre a punição e foi favorável. Mas que a razão não foi o boicote. "A suspensão não tem relação com o boicote ao provão", diz.
Wellington e Cristiano se justificam falando que era de conhecimento geral na faculdade que eles eram autores dos cartazes. Os dois afirmam também que nunca negaram a autoria do texto, o que não justificaria a afirmação do diretor que os panfletos eram "apócrifos (sem autenticidade)".
Lima afirma que não houve pressão para que os alunos fizessem o provão. "Nós estamos abertos à discussão e em nenhum momento eles vieram reclamar do curso. Eles têm o direito de se manifestar, mas têm de assumir o que fazem", diz.
Pressão
Wellington e Cristiano escreveram no cartaz que os alunos estavam sendo pressionados para que não boicotassem o provão. Segundo Lima, o que os dois alunos chamam de pressão eram visitas que ele fazia às classes para alterar esquemas de aula. "Mencionava o assunto apenas de passagem", diz.
"O coordenador disse que quem não faz a prova não tem caráter porque está prejudicando a faculdade e os outros alunos que se esforçaram", rebate Cristiano.
O estudante Wellington também foi demitido do jornal on line onde trabalhava, em Santos, dirigido por Challoub. "Lá, eu tenho essa liberdade", diz o diretor.
Outra acusação que os estudantes fazem a Challoub é que ele teria ameaçado não assinar os diplomas dos dois. "O que eu disse é que ficaria triste de assinar o diploma de jornalistas que se manifestam apocrifamente", disse o diretor.
Boicote
Pela conta dos alunos, 12 dos 71 formandos da Universidade Santa Cecília boicotaram o exame. "Decidimos fazer o boicote porque a faculdade não tomou nenhuma providência para melhorar o curso", diz Wellington.
No ano passado, a universidade obteve conceito C pela segunda vez no provão de jornalismo e apresentou uma queda de 6% na média, em relação à avaliação de 1998.
Segundo Lima, o curso teve problemas na avaliação do corpo docente porque o MEC (Ministério da Educação) não apurou os currículos completos dos professores. Uma nova comissão de Brasília deve visitar a universidade novamente no final do mês.
Provão
O Exame Nacional de Cursos aplicado desde 1996, estabelece um sistema de notas para instituições de ensino superior de 18 áreas.
Há três anos, o MEC publica um ranking das faculdades com base nas notas dos alunos formandos, avaliações de professores e recursos.
Os cursos que recebem nota insuficiente, "D" ou "E", por dois anos consecutivos correm o risco de fechar.
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Faculdade de Santos pune alunos que fizeram campanha contra provão
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RAFAEL GARCIArepórter da Folha Online
A diretoria da Faculdade de Comunicação da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP), suspendeu por 20 dias dois alunos que fizeram campanha pelo boicote ao Exame Nacional de Cursos, o provão, realizado no domingo, dia 11.
Os estudantes de jornalismo Wellington Costa, 22, e Cristiano Navarro, 24, disseram que vinham sofrendo ameaças de retaliação do diretor Humberto Challoub desde a terça-feira anterior, quando pregaram cartazes convocando alunos para uma discussão sobre o boicote.
Wellington afirma que o coordenador do curso de jornalismo, Gerson Moreira de Lima, também pressionou os alunos. Lima também é membro da comissão de jornalismo do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), entidade ligada ao MEC responsável pelo provão.
"No domingo ele (Lima) entrou na escola onde estávamos fazendo o provão e andou pelas salas para ver se tinha gente entregando prova em branco", diz Wellington.
O diretor Challoub afirma que a medida foi de caráter educativo e não punitivo. "Não é admissível que alunos de 4º ano façam um panfleto apócrifo com mentiras", diz. Lima afirma que foi consultado pelo diretor sobre a punição e foi favorável. Mas que a razão não foi o boicote. "A suspensão não tem relação com o boicote ao provão", diz.
Wellington e Cristiano se justificam falando que era de conhecimento geral na faculdade que eles eram autores dos cartazes. Os dois afirmam também que nunca negaram a autoria do texto, o que não justificaria a afirmação do diretor que os panfletos eram "apócrifos (sem autenticidade)".
Lima afirma que não houve pressão para que os alunos fizessem o provão. "Nós estamos abertos à discussão e em nenhum momento eles vieram reclamar do curso. Eles têm o direito de se manifestar, mas têm de assumir o que fazem", diz.
Pressão
Wellington e Cristiano escreveram no cartaz que os alunos estavam sendo pressionados para que não boicotassem o provão. Segundo Lima, o que os dois alunos chamam de pressão eram visitas que ele fazia às classes para alterar esquemas de aula. "Mencionava o assunto apenas de passagem", diz.
"O coordenador disse que quem não faz a prova não tem caráter porque está prejudicando a faculdade e os outros alunos que se esforçaram", rebate Cristiano.
O estudante Wellington também foi demitido do jornal on line onde trabalhava, em Santos, dirigido por Challoub. "Lá, eu tenho essa liberdade", diz o diretor.
Outra acusação que os estudantes fazem a Challoub é que ele teria ameaçado não assinar os diplomas dos dois. "O que eu disse é que ficaria triste de assinar o diploma de jornalistas que se manifestam apocrifamente", disse o diretor.
Boicote
Pela conta dos alunos, 12 dos 71 formandos da Universidade Santa Cecília boicotaram o exame. "Decidimos fazer o boicote porque a faculdade não tomou nenhuma providência para melhorar o curso", diz Wellington.
No ano passado, a universidade obteve conceito C pela segunda vez no provão de jornalismo e apresentou uma queda de 6% na média, em relação à avaliação de 1998.
Segundo Lima, o curso teve problemas na avaliação do corpo docente porque o MEC (Ministério da Educação) não apurou os currículos completos dos professores. Uma nova comissão de Brasília deve visitar a universidade novamente no final do mês.
Provão
O Exame Nacional de Cursos aplicado desde 1996, estabelece um sistema de notas para instituições de ensino superior de 18 áreas.
Há três anos, o MEC publica um ranking das faculdades com base nas notas dos alunos formandos, avaliações de professores e recursos.
Os cursos que recebem nota insuficiente, "D" ou "E", por dois anos consecutivos correm o risco de fechar.
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