Duas mulheres morrem após lipoaspiração em MG
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte
Duas mulheres morreram, em um intervalo de oito dias, após passar por cirurgia de lipoaspiração em uma clínica de Governador Valadares (324 km de Belo Horizonte).
O CRM (Conselho Regional de Medicina) de Minas Gerais abrirá sindicância para apurar as circunstâncias das mortes.
O representante do CRM na cidade, Márcio Rezende, disse ter tomado conhecimento das mortes por meio da imprensa, já que não havia, ao menos até esta segunda-feira, nenhum pedido de investigação ao órgão.
A clínica que realizou as duas cirurgias, Sane Body Medicina Estética e Emagrecimento, bem como o médico que realizou as cirurgias, Vander de Araújo Pinto, serão ouvidos.
Apesar do procedimento do CRM, as famílias das duas vítimas não consideram ter havido erro médico. Elas tratam as mortes como uma "fatalidade". Mesmo assim, ao menos uma das famílias vai acompanhar de perto a apuração do CRM.
Trata-se da família de Daniele Siman, 29, que morreu no último sábado (26), quatro dias após ter feito a cirurgia e retornado à clínica por causa de complicações. A família considera que "não houve negligência e nenhum erro médico", segundo o advogado Edson Neves da Paz.
Segundo ele, os parentes não acreditam em erro médico porque um médico amigo da família acompanhou a internação da mulher após as complicações.
Posição semelhante tem a família de Cláudia Aparecida Alves, 42, que morreu no último dia 18, três dias após a cirurgia e depois de apresentar complicações, o que também a fez voltar para a clínica.
A família alega que a paciente foi acompanhada por uma junta médica e que, por isso, não acredita em erro. Parentes disseram que foi registrado boletim de ocorrência apenas pelo fato de a morte ter ocorrido fora de um hospital.
Na clínica Sane Body em Governador Valadares, ninguém atendeu ao telefone durante todo o dia. O médico também não foi localizado.
Na unidade da clínica em Belo Horizonte, uma funcionária informou que, por ser "uma outra administração", somente o médico Claudiomar, em Governador Valadares, poderia falar. "Na realidade, nós nem sabemos ao certo o que ocorreu", informou.
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