Ambulantes protestam no centro de São Paulo contra ação da prefeitura
da Folha Online
Um grupo de cerca de 200 vendedores ambulantes que atuam no bairro do Brás (centro de São Paulo), realizou nesta terça-feira uma passeata em protesto a uma operação conjunta envolvendo fiscais da prefeitura, GCM (Guarda Civil Metropolitana), e as polícias Civil e Militar de São Paulo na região. A operação conjunta visa combater a ação de ambulantes que agem de forma irregular no Brás.
Não houve confronto entre os manifestantes e os integrantes da força conjunta, e o único problema foi a lentidão na rua Barão de Ladário, na altura do número 250, que ficou parcialmente interditada devido ao movimento, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Às 13h a via já estava liberada.
Segundo o subprefeito da Mooca, Eduardo Odlak, houve apenas um princípio de tumulto envolvendo os ambulantes que possuem TPU (Termo de Permissão de Uso) e aqueles que não possuem o documento. Os que não detém o TPU estão em situação irregular, segundo a prefeitura, e não podem montar as barracas para vender seus produtos. Devido a isso, queriam impedir aqueles que possuem o documento de trabalhar hoje.
Participam da operação conjunta entre as polícias, guarda e fiscais, 140 homens. Ela teve início na sexta-feira (25) à tarde e inicialmente foi proposta para realizar vistorias e fiscalização em 14 depósitos tido como clandestinos pela administração. Os proprietários desses locais são acusados de comercializar produtos piratas.
Segundo Odlak, como os fiscais descobriram que os produtos abasteciam as barracas dos vendedores ambulantes instaladas na região, a força conjunta montou um esquema para inibir a montagem das estruturas em dois pontos: largo da Concórdia e praça Agente Cícero, ainda na noite de sexta-feira.
Apesar de a administração municipal ter emitido apenas 602 TPUs, atuam na região ao menos 3.000 vendedores ambulantes. É essa suposta invasão de clandestinos que a prefeitura quer inibir, pois a presença deles, segundo a prefeitura, atrapalha os pedestres que se dirigem a um dos centros de compras de comércio popular mais requisitados da cidade de São Paulo.
"A ação estava sendo planejada havia mais de um ano. Ela só pode ocorrer agora por disponibilidade da Secretaria de Segurança Pública [do Estado] em fornecer homens para a operação e após um estudo detalhado do mapa da área", afirma Odlak.
Cadastro
Neste ano a prefeitura atualizou o cadastro dos 602 vendedores ambulantes que possuem TPU na região do Brás. Agora, eles são obrigados a portar foto, endereço exato onde podem atuar --cada barraca tem de distar 10 metros uma da outra e não impedir acessos a estações de trem, metrô ou ônibus-- e os produtos comercializados não podem ser semelhantes aqueles vendidos nas lojas instaladas defronte a área de atuação dos vendedores ambulantes.
A reportagem não conseguiu localizar integrantes do Sindcisp (Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo) --que representam os vendedores ambulantes da região do Brás-- para comentar o assunto até as 13h desta terça-feira.

